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Todos sabíamos e todos choraremos

Que o jogo de hoje duraria ao menos quatro horas, se sabia. Antes de Grêmio e Universidad Católica havia todo um prólogo – era a partida do Internacional contra o Peñarol que definiria o sentimento definitivo do início do duelo no Chile. E não faltaram motivos alheios para empolgar o Grêmio, mesmo na noite fria e naquele estádio acanhado no pé da cordilheira. Os mil uruguaios que acompanharam o Peñarol, minutos antes, deixavam o Beira-Rio para incendiar toda Porto Alegre com a finalidade única de louvar Alejandro Martinuccio. Mas era preciso mais para o Grêmio de hoje. Até porque o que se viu em San Carlos de Apoquindo foi a consequência dos primeiros meses de 2011 – titulares ausentes, um placar para reverter e reservas atordoados pela fogueira que é ter de salvar o time num jogo de volta das oitavas de final. (mais…)

05/05/2011 at 09:00 77 comentários

Voltar ao santo Gasómetro

Por catorze anos, de 1979 a 1993, os torcedores do San Lorenzo vagaram sem rumo pelas canchas de Buenos Aires. Durante mais de uma década, o clube foi visitante em todas as partidas que disputou. Mandava os seus jogos no Palacio Ducó, no José Amalfitani, no estádio do Atlanta, em Villa Crespo, e no Monumental de Núñez, em tardes de grande assistência. Mudava o bairro, a arquibancada e a casa – uma geração inteira de peregrinos seguiu o San Lorenzo por todos esses anos sem ter um estádio para dizer seu, sem um palco para guardar os trapos e pintar as tribunas de azul e grená. Tudo porque a pressão da ditadura militar, que encontrou eco na diretoria do clube, forçou a venda do Viejo Gasómetro no final dos anos 70. Foi quando o Ciclón deixou Boedo para não voltar mais. (mais…)

27/04/2011 at 11:00 42 comentários

A geometria do Centenário

Contam os antigos que nos primeiros anos do Estádio Centenário era grande o contingente dos que buscavam, logo ao passar pelos portões, os lugares mais distantes do campo. Subiam as largas escadas das tribunas América, Olímpica, Colombes e Amsterdan e se estabeleciam onde o Estádio se fazia mais alto. Alheios ao vento frio que sempre soprou forte em Montevideo, tinham uma visão aérea de fazer inveja aos treinadores mais táticos. O objetivo maior era entender a geometria dos grandes jogadores: os passes que preenchiam o meio-campo, a trajetória perfeita dos lançamentos e os gols que surgiam de um planejamento como que matemático. Passaram-se as décadas e, agora, ver o jogo de cima talvez assuste um pouco – mas o passado sempre se anuncia, ao menos no Centenário. (mais…)

18/04/2011 at 13:00 17 comentários

Benditos los sorteos y los grupos de la muerte

Em Montevideo, os torcedores do Peñarol levaram ao Estádio Centenário uma bandeira de mais de trezentos metros de comprimento e quarenta e cinco de altura. Segundos os próprios, a maior do mundo. Custou vinte e cinco mil dólares e serviu para abrir a festa contra o Independiente – classificado, o aurinegro entrou na partida para definir a sua colocação na tabela. Visto de cima, o Centenário lotado por cinquenta mil pessoas e decorado pelo bandeirão foi o mais belo cartão postal do Grupo 8 da Copa Libertadores. Dele, avançaram a Liga de Quito e o próprio Peñarol. O Independiente passou longe dos improváveis oito gols que necessitava – fez apenas 1-0 – e o Godoy Cruz não saiu vivo dos domínios da LDU. (mais…)

13/04/2011 at 06:30 42 comentários

Nossos sonhos já foram maiores

Hoje os sonhos em Avellaneda são como aqueles em que, quando acordamos, percebemos que o ponteiro do relógio nem se moveu. Aparecem, duram apenas o instante inevitável e evaporam – impossível até de se sentir saudade. Ao menos têm sido assim para o Independiente nos últimos longos anos. Quem tem uma história de taças continentais, jogadores de seleção e a supremacia na cidade, hoje não consegue repetir os feitos do passado nem de forma onírica. As grandes vitórias acabam no dia seguinte, o valor do título se esvai na próxima empreitada e o desafio copero termina ainda na primeira fase. (mais…)

06/04/2011 at 07:00 68 comentários

Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo



É difícil de explicar. Porque sempre tivemos os problemas com a identidade, com a personalidade de um time que tem o nome de outro. Torcemos por um Inter-SM que tem as mesmas cores e um escudo que é ao menos similar ao da Capital – e ainda assim colorados, gremistas, independentes, indecisos e os que são apenas do clube da cidade frequentamos a Baixada Melancólica há muito tempo. A verdade é que não é uma questão bem resolvida: a maior prova é a tentativa moderna de buscar subterfúgios para a situação. Por poucos meses, trocamos de nome para “Santa Maria”; recentemente, o azul entrou na camiseta, ao lado do vermelho e branco de sempre, para fisgar maior apoio dos gremistas. Mas a personalidade chega, e a identidade também – nós a criamos com as condições que enxergamos. (mais…)

01/04/2011 at 17:01 36 comentários

Uma história de outros tempos

Há treze anos distante, decidiu voltar. Foram dez temporadas no Boca, uma década para dezesseis títulos e o posto de jogador que mais vestiu a camiseta xeneize na história da Copa Libertadores. Tempos de estádio cheio, de superclássicos, de gritar os seus gols para a maior torcida do país e de garantir para sempre a ligação com o clube. Houve também três invernos longe de casa, nos Estados Unidos, onde vestiu a jaqueta do Columbus Crew, de Ohio. Mas antes dos grandes jogos, das taças e do dinheiro, havia um passado. Um ayer que ainda joga futebol e que está para ser rebaixado na Argentina. E por isso Guillermo Barros Schelotto voltou ao Gimnasia de La Plata. (mais…)

22/03/2011 at 07:00 23 comentários

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