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Para atiçar o fogo sob a caldeira do diabo

Vídeo gravado pela reportagem do Impedimento há uma semana, num Centenario que esperava Peñarol e Vélez, justifica em sete minutos este parágrafo:

“Quem, por algum motivo estranho, aguentasse todas as filas para a complicada conquista do ingresso, e logo após o início da partida se retirasse de imediato do Estádio Centenário, não merece um julgamento cruel. E tampouco ser tido como infeliz, embora tenhamos visto no primeiro tempo uma infinidade de lances emocionantes e possibilidades de gol. A recepção da torcida do Peñarol foi maior do que todo o resto e pôde causar sentimentos complexos – em cinco minutos, o Centenário foi tomado pela bruma dos sinalizadores, manchou-se de fumaça branca e acabou com a imparcialidade na tribuna de imprensa. Era o momento mais lindo que todos ali já puderam ver no futebol.”

A três horas da volta,
ImpedCorp.

02/06/2011 at 19:07 77 comentários

Darío, el rompe-gargantas

“Aquí, el hincha agita el pañuelo, traga saliva, glup, traga veneno, se come la gorra, susurra plegarias y maldiciones y de pronto se rompe la garganta en una ovación.” Eduardo Galeano, “El hincha”. (mais…)

27/05/2011 at 14:08 29 comentários

Mareados pelo sacolejo do Prata

Foram mais de mil, os argentinos que investiram em lugares nos imponentes barcos da Buquebus para atravessar o Rio da Prata. Ainda houve os que se utilizaram da ponte aérea do sul e os que, por contar menos pesos nos bolsos, chegaram a Montevideo por terra. Mas o maior aglomerado dos fortineros veio pelo “Mar Dulce”, definição dada pelo navegador espanhol Juan Díaz de Solís, que passou por essas águas n’outras épocas. O perigo de conflitos com a polícia, contra certos aurinegros mais exaltados ou entre os próprios torcedores do Vélez foi dissipado na chegada: caminhavam devagar pela doca montevideana, como que enjoados pela travessia da fronteira natural entre porteños e orientales.  (mais…)

26/05/2011 at 21:37 40 comentários

Mas nós não somos cavalos

Na semana passada, talvez após uma noite mal dormida, Francisco Novelletto tomou uma decisão unilateral e resolveu provocar um licenciamento compulsório de oito equipes do Estado. Na edição 2011 da Copa Federação Gaúcha de Futebol, no segundo semestre, os rebaixados à Terceira Divisão não poderiam se inscrever. Aimoré de São Leopoldo, Atlético Carazinho, Bagé, Garibaldi, Gaúcho de Passo Fundo, Guarany de Bagé, Milan de Júlio de Castilhos e Três Passos perderam, num par de frases inesperadas, o direito de decidir seus destinos. Uma ordem vinda de cima para baixo, sem consulta aos clubes. Como numa ditadura alienante.  (mais…)

25/05/2011 at 14:10 41 comentários

Uma Copa e uma lenda

Essa noite que terminou com o “Lolo” Estoyanoff jogado na lateral do campo, às lágrimas, festejando um gol improvável e sofrendo um furioso ataque de bobinas em San Carlos de Apoquindo; essa noite em que os seiscentos uruguaios presentes no pé da cordilheira viram gols perdidos aos montes pelo Peñarol, grandes defesas de um goleiro frangueiro e a assustadora proximidade da decisão por pênaltis; essa noite em que, outra vez no Chile, mesmo que em outro estádio, porque agora já não era mais o imponente Estádio Nacional, o carbonero logrou um triunfo copero nos minutos finais, como em 82, ano daquele gol de Fernando Morena, e em 87, ocasião do júbilo de Diego Aguirre; essa noite de ayer, quando o Peñarol foi grande como tão poucos sabem ser, essa noite é para sempre. (mais…)

20/05/2011 at 07:00 78 comentários

Casa estranha, a duas mil léguas da minha (Parte II)

“J’aime la France parce que j’aime Brigitte Bardot”. Luciano pronuncia a frase com capricho. É o cantinho que lhe restou do francês estudado meio século atrás. Luciano amou a França porque amou Brigitte Bardot. Para entender a musa das salas de cinema do seu tempo, dedicou os quatro anos do Ginásio àquele idioma povoado de estreitezas diferentes dos outros ramos latinos. Deixou a escola em 1959, mas nunca teve chance de ir à Europa. Sem que percebesse, o esquecimento encheu de vazios o seu vocabulário. Aos sessenta e nove anos, aproveitou a viagem do time de sua cidade para disputar um Mundial Sub-15 e subiu no avião como integrante mais velho da delegação. Brinca com a utopia de jantar em Paris com sua Brigitte querida, mas, à noite, no isolamento do hotel suburbano em Nantes, contenta-se com biscoitos. E café, que pede em português alto, pausado e apoiado na mímica. “Co-po de ca-fé”. “CO-PO-DE-CA-FÉ”.  (mais…)

18/05/2011 at 15:00 17 comentários

Casa estranha, a duas mil léguas da minha (Parte I)

“Na noite de véspera de sua partida, ele ficou na cama e sentiu aquele estranho sentimento confuso que os rapazes têm quando estão prestes a partir de casa pela primeira vez, aquele medo sonolento de deixar a cama, o quarto, a casa que sempre foi a primeira base confortável da vida antes de qualquer outra coisa, a casa que é tão familiar e simples quanto um suéter velho, para a qual sempre se retorna depois de excitações e exaustões para dormir tranquilamente: e ao mesmo tempo ele sentia aquele ânimo estonteante para sair de casa – ir para estações de trem, balcões de cafeterias, cidades novas, fumaça e agitação e cheiros de vento novos e estranhos, para vistas inimagináveis repentinas de rio, estrada, ponte e horizonte, tudo sensacionalmente estranho sob céus desconhecidos”. (Jack Kerouac – Cidade pequena, cidade grande(mais…)

10/05/2011 at 06:00 37 comentários

Todos sabíamos e todos choraremos

Que o jogo de hoje duraria ao menos quatro horas, se sabia. Antes de Grêmio e Universidad Católica havia todo um prólogo – era a partida do Internacional contra o Peñarol que definiria o sentimento definitivo do início do duelo no Chile. E não faltaram motivos alheios para empolgar o Grêmio, mesmo na noite fria e naquele estádio acanhado no pé da cordilheira. Os mil uruguaios que acompanharam o Peñarol, minutos antes, deixavam o Beira-Rio para incendiar toda Porto Alegre com a finalidade única de louvar Alejandro Martinuccio. Mas era preciso mais para o Grêmio de hoje. Até porque o que se viu em San Carlos de Apoquindo foi a consequência dos primeiros meses de 2011 – titulares ausentes, um placar para reverter e reservas atordoados pela fogueira que é ter de salvar o time num jogo de volta das oitavas de final. (mais…)

05/05/2011 at 09:00 77 comentários

Voltar ao santo Gasómetro

Por catorze anos, de 1979 a 1993, os torcedores do San Lorenzo vagaram sem rumo pelas canchas de Buenos Aires. Durante mais de uma década, o clube foi visitante em todas as partidas que disputou. Mandava os seus jogos no Palacio Ducó, no José Amalfitani, no estádio do Atlanta, em Villa Crespo, e no Monumental de Núñez, em tardes de grande assistência. Mudava o bairro, a arquibancada e a casa – uma geração inteira de peregrinos seguiu o San Lorenzo por todos esses anos sem ter um estádio para dizer seu, sem um palco para guardar os trapos e pintar as tribunas de azul e grená. Tudo porque a pressão da ditadura militar, que encontrou eco na diretoria do clube, forçou a venda do Viejo Gasómetro no final dos anos 70. Foi quando o Ciclón deixou Boedo para não voltar mais. (mais…)

27/04/2011 at 11:00 42 comentários

A geometria do Centenário

Contam os antigos que nos primeiros anos do Estádio Centenário era grande o contingente dos que buscavam, logo ao passar pelos portões, os lugares mais distantes do campo. Subiam as largas escadas das tribunas América, Olímpica, Colombes e Amsterdan e se estabeleciam onde o Estádio se fazia mais alto. Alheios ao vento frio que sempre soprou forte em Montevideo, tinham uma visão aérea de fazer inveja aos treinadores mais táticos. O objetivo maior era entender a geometria dos grandes jogadores: os passes que preenchiam o meio-campo, a trajetória perfeita dos lançamentos e os gols que surgiam de um planejamento como que matemático. Passaram-se as décadas e, agora, ver o jogo de cima talvez assuste um pouco – mas o passado sempre se anuncia, ao menos no Centenário. (mais…)

18/04/2011 at 13:00 17 comentários

Benditos los sorteos y los grupos de la muerte

Em Montevideo, os torcedores do Peñarol levaram ao Estádio Centenário uma bandeira de mais de trezentos metros de comprimento e quarenta e cinco de altura. Segundos os próprios, a maior do mundo. Custou vinte e cinco mil dólares e serviu para abrir a festa contra o Independiente – classificado, o aurinegro entrou na partida para definir a sua colocação na tabela. Visto de cima, o Centenário lotado por cinquenta mil pessoas e decorado pelo bandeirão foi o mais belo cartão postal do Grupo 8 da Copa Libertadores. Dele, avançaram a Liga de Quito e o próprio Peñarol. O Independiente passou longe dos improváveis oito gols que necessitava – fez apenas 1-0 – e o Godoy Cruz não saiu vivo dos domínios da LDU. (mais…)

13/04/2011 at 06:30 42 comentários

Nossos sonhos já foram maiores

Hoje os sonhos em Avellaneda são como aqueles em que, quando acordamos, percebemos que o ponteiro do relógio nem se moveu. Aparecem, duram apenas o instante inevitável e evaporam – impossível até de se sentir saudade. Ao menos têm sido assim para o Independiente nos últimos longos anos. Quem tem uma história de taças continentais, jogadores de seleção e a supremacia na cidade, hoje não consegue repetir os feitos do passado nem de forma onírica. As grandes vitórias acabam no dia seguinte, o valor do título se esvai na próxima empreitada e o desafio copero termina ainda na primeira fase. (mais…)

06/04/2011 at 07:00 68 comentários

Propongo que tú y yo nos vayamos conociendo



É difícil de explicar. Porque sempre tivemos os problemas com a identidade, com a personalidade de um time que tem o nome de outro. Torcemos por um Inter-SM que tem as mesmas cores e um escudo que é ao menos similar ao da Capital – e ainda assim colorados, gremistas, independentes, indecisos e os que são apenas do clube da cidade frequentamos a Baixada Melancólica há muito tempo. A verdade é que não é uma questão bem resolvida: a maior prova é a tentativa moderna de buscar subterfúgios para a situação. Por poucos meses, trocamos de nome para “Santa Maria”; recentemente, o azul entrou na camiseta, ao lado do vermelho e branco de sempre, para fisgar maior apoio dos gremistas. Mas a personalidade chega, e a identidade também – nós a criamos com as condições que enxergamos. (mais…)

01/04/2011 at 17:01 36 comentários

Uma história de outros tempos

Há treze anos distante, decidiu voltar. Foram dez temporadas no Boca, uma década para dezesseis títulos e o posto de jogador que mais vestiu a camiseta xeneize na história da Copa Libertadores. Tempos de estádio cheio, de superclássicos, de gritar os seus gols para a maior torcida do país e de garantir para sempre a ligação com o clube. Houve também três invernos longe de casa, nos Estados Unidos, onde vestiu a jaqueta do Columbus Crew, de Ohio. Mas antes dos grandes jogos, das taças e do dinheiro, havia um passado. Um ayer que ainda joga futebol e que está para ser rebaixado na Argentina. E por isso Guillermo Barros Schelotto voltou ao Gimnasia de La Plata. (mais…)

22/03/2011 at 07:00 23 comentários

Y dale alegría a mi corazón…

Ausente do mata-mata da Libertadores desde 2002, o Peñarol viu pela televisão os muitos acontecimentos que, de certa forma, transformaram a cara da maior taça da América. Nas oito temporadas em que o aurinegro não se fez presente, uma estranha equipe colombiana ergueu o trofeu, o Boca Juniors protagonizou uma escalada cujo inevitável fim seria um tombo, o Inter tomou gosto pela coisa e um time do Equador pela primeira vez sagrou-se campeão do torneio – a LDU, que a partir de 2003 se consolidou como a grande força do país e agora pode mostrar um presente copero que dá inveja ao Peñarol. Se historicamente os uruguaios são gigantes, hoje a Liga de Quito assusta bem mais no continente. (mais…)

11/03/2011 at 12:00 15 comentários

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