Y dale alegría a mi corazón…

11/03/2011 at 12:00 15 comentários

Ausente do mata-mata da Libertadores desde 2002, o Peñarol viu pela televisão os muitos acontecimentos que, de certa forma, transformaram a cara da maior taça da América. Nas oito temporadas em que o aurinegro não se fez presente, uma estranha equipe colombiana ergueu o trofeu, o Boca Juniors protagonizou uma escalada cujo inevitável fim seria um tombo, o Inter tomou gosto pela coisa e um time do Equador pela primeira vez sagrou-se campeão do torneio – a LDU, que a partir de 2003 se consolidou como a grande força do país e agora pode mostrar um presente copero que dá inveja ao Peñarol. Se historicamente os uruguaios são gigantes, hoje a Liga de Quito assusta bem mais no continente.

Enredados no sufocante Grupo 8, Peñarol e LDU se enfrentaram no Estádio Centenário na noite da última quarta-feira. Na ocasião, os quatro clubes da chave somavam três pontos conquistados – com o Peñarol orgulhoso de sua ligeira vantagem de ainda não ter atuado em casa. Em Montevideo, bastaram uns três suspiros de jogo para as duas equipes entenderem a estratégia que poderia ganhar o confronto: mais valia firmar a perna do que trocar passes no gramado que SHAKIRA destruiu com o seu show dias antes da partida. Artifício que Guagua, Caicedo e Calderón aprenderam provavelmente aos onze anos de idade. O trio desmontou o ataque carbonero com pontapés muito naturais – os uruguaios eram derrubados no campo de ataque a todo o momento, o que esfriava o ânimo das muitas investidas iniciais.

Os avantes do Peñarol, aliás, pareciam querer comemorar o quarto gol escalando a Tribuna Amsterdã antes de ver o primeiro tento na rede. Era enorme o nervosismo abaixo das cinquenta mil pessoas que cantavam “y dale alegría, alegría a mi corazón; la Copa Libertadores es mi obsesión”. Para acalmar o time no gramado, o técnico Diego Aguirre modificou a onzena que havia vencido com clareza o Godoy Cruz por 3-1 – saíra Alejandro Martinuccio, o argentino que é um dos mais velozes e raçudos atacantes desta Copa, para entrar Antonio Pacheco, homem de mais de duzentos jogos e quase cem gols com a mítica jaqueta aurinegra. O camisa oito, aos 34 anos, parecia fadado a um lugar no banco de reservas na temporada quando, no torneio local, guiou a vitória do seu Peñarol sobre o Bella Vista. E nele, que sempre esteve ali, Aguirre viu a tranquilidade que a equipe necessitava.

De um dos tantos escanteios que surgiram dos ataques coordenados por Pacheco, veio o gol de Luís Aguiar – um canhotaço de primeira que venceu pela única vez na partida o goleiro equatoriano que não era Cevallos. Sem o velho arqueiro e o seu filho, a Liga esteve em campo no Centenário desprovida de folclore. As lendas estiveram todas do lado do Peñarol. Uma delas atende por Darío Rodríguez, outro dos veteranos do elenco. Darío completará 37 anos em setembro e poucos apostavam em um grande papel do lateral-esquerdo na complicada temporada de 2011. Mas, até aqui, sobra hierarquia na defesa e cenas espetaculares quando as luzes baixam. Em Avellaneda, quando o Peñarol levou três do Independiente, Rodríguez foi tirar satisfação no vestiário dos argentinos. Deixou um soco no estômago do atacante Parra. Quarta-feira, foi mais além – disse de maneira agressiva que a Hernán Barcos faltavam huevos e garantiu a posse de bola para o Peñarol.

Por fim, com a estranha justiça de Darío Rodriguez, os sábios passes de Antonio Pacheco e o sofrimento de milhares nas tribunas, o Peñarol sustentou o 1-0. Firmou a perna na linha defensiva e alcançou a vantagem mínima. Talvez seja o principal candidato para avançar. O aurinegro joga no mesmo Centenário as duas últimas partidas da primeira fase, contra Godoy Cruz e Independiente. Já o próximo confronto é novamente contra a Liga, agora em Quito. Oportunidade para admirar a retranca que o Peñarol deve organizar – e também para ver se a coragem do caudillo Darío Rodríguez subirá as montanhas.

…que ayer no tuve un buen día, por favor

Quando conquistada a Copa Sul-Americana em 2010, tudo ainda era feito de sonho na parte vermelha de Avellaneda. O Independiente voltava ao seu terreno de sete títulos com outro no armário. O técnico “El Turco” Mohamed parecia ter ajustado uma equipe que em campo praticava qualquer coisa parecida com o futebol – mas que quando era necessário, vencia. Mesmo com o elenco reforçado – ainda que parcialmente – para este ano, não se vê mais nada do que diferenciava o Independiente há tão pouco. A equipe agora se desestabiliza até com um arremesso lateral mais ousado do QUILMES. O mais trágico é não ter como se defender na Libertadores com força máxima: tudo porque o promedio no campeonato nacional aponta para as desgraças do rebaixamento.

Com média de 1.242 na tabela do descenso, o Independiente é o primeiro acima da zona da Promoción. Disputa com Huracán, Gimnasia e River Plate a certeza de permanência na primeira divisão. No Clausura que já leva quatro rodadas, o time ainda não venceu. Assustada com o presente que parecia ser eternamente o do rival Racing, a diretoria priorizou o torneio local. Ontem, no Estádio Libertadores da América, Mohamed teve de poupar vários titulares contra o Godoy Cruz, no jogo que poderia deixar o Rojo na liderança do Grupo 8. Caiu por 3-1, de virada, e agora está três pontos distante da equipe de Mendoza e do Peñarol. Foram apenas três rodadas, mas o Independiente não sabe mais o que fazer com a Libertadores. O que era a continuação do sonho copero virou um fardo doído de se carregar.

Grupo 8:

09/03 – Peñarol 1-0 LDU

10/03 – Independiente 1-3 Godoy Cruz

Próximos jogos:

17/03 – LDU – Peñarol

23/03 – Godoy Cruz – Independiente

Saludos,
Iuri Müller
Anúncios

Entry filed under: Libertadores, Pela América.

Por um punhado de crédito Un candombe ecuaperuano

15 Comentários Add your own

  • 1. Gabriel Severo  |  11/03/2011 às 12:13

    QUE CAMISA LINDA! Vou pra Rivera amanhã, será que acho por lá?

    Quantas Dilma$ será que sai?

  • 2. Alexandre de Santi  |  11/03/2011 às 12:26

    Sem dúvida, o grupo mais interessante da Copa. O Godoy também sabe ser tinhoso.

  • 3. arbo  |  11/03/2011 às 12:40

    alguém aqui tinha dado a dica da Neutral, no chuy, mas passei lá na sexta passada, não havia qq camisa uruguaya… infelizmente só tive tempo de passar em duas lojas, e não encontrei…

    em la paloma, na loja dos alfajores punta ballena, um cartaz com a imagem de Forlán e o péssimo slogan “producto uruguayo, calidad europea”

    comparando com o q conheço, a auto-estima paraguaya é bem melhor q isso

  • 4. douglasceconello  |  11/03/2011 às 13:33

    Esse grupo é o mais INSTIGANTE (uiui), sem dúvida.

    Antes de começar eu apostava que passariam Godoy Cruz e LDU, em detrimento dos dois gigantes sonolentos.

    A vitória carbonera em Mendoza pode ter revertido o panorama. LDU x Peñarol provavelmente será o mais importante do grupo.

  • 5. Luciano  |  11/03/2011 às 14:32

    “uma equipe que em campo praticava qualquer coisa parecida com o futebol – mas que quando era necessário, vencia. ”

    Foi o que aconteceu na final da sula.

  • 6. Junior  |  11/03/2011 às 14:43

    “em la paloma, na loja dos alfajores punta ballena, um cartaz com a imagem de Forlán e o péssimo slogan “producto uruguayo, calidad europea
    comparando com o q conheço, a auto-estima paraguaya é bem melhor q isso”

    Arbo, tem uma piada que assegura que o Mercosul é o bloco com mais chances de dar certo no mundo, pois conta com a organização brasileira, a humildade argentina, a credibilidade comercial paraguaia e o otimismo uruguaio.”

  • 7. Bruno Lorenz  |  11/03/2011 às 16:37

    #1

    Se achar essa camisa, avisa pro pessoal o preço. Nem que mande um MOTOBOY ir lá buscá-la. É linda demais, pqp.

  • 8. blog 101 porcento Corinthians  |  11/03/2011 às 18:25

    Nesse grupo eu apostava muito na LDU e no Independiente e toda sua mistica e copas libertadores.Concerteza um dos grupos mais enigmaticos da Libertadores.
    @blog101porcento

  • 9. Jhon Willian  |  11/03/2011 às 23:43

    Darío completará 37 anos em setembro e poucos apostavam em um grande papel do lateral-esquerdo na complicada temporada de 2011.

    O MITO Darío Rodríguez fez um dos gols mais bonitos que já vi “ao vivo” em Copas do Mundo. Destaque para as aparições de Forlán e SORONDO no vídeo.

  • 10. Ernesto  |  12/03/2011 às 00:02

    Montevideo tem em qualquer shopping e no próprio clube. Fica perto da sede da AUF.

  • 11. gerson  |  13/03/2011 às 02:38

    Na fronteira é difícil de achar a camisa. Em Jaguarão e no Chuí às vezes se acha no Neutral, mas com o patrocínio horroroso da ANCEL. A fuzel mesmo é essa da Libertadores, que parece a camisa do Piratini de Pedro Osório dos anos 60…

  • 12. Sancho  |  13/03/2011 às 19:19

    Re 11

    Igual a do Uruguaiana

  • 13. Frank  |  14/03/2011 às 14:51

    Quero ver se depois dessa “mão boba” do Darío Rodriguez, o Carlos ainda prefere os manyas aos bolsos…

    huaaaaaaaaa…

    Brincadeirinha mgx…

  • 14. juliano r.  |  14/03/2011 às 17:54

    uruguaio é um povo escroto pra caralho mesmo, só esses otários do interior pra gostarem deles

  • 15. Gustavo  |  15/03/2011 às 10:30

    #14: comentando no blog errado. Procura no google algo como “eu choro sempre que ouço o hino da Champions League”

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Subscribe to the comments via RSS Feed


Especial – Libertadores 2011

A bola da ImpedCopa

Toco e me voy

Feeds

web tracker

%d blogueiros gostam disto: