Especial Libertadores – grupo 6

16/02/2011 at 05:00 21 comentários

Quatro times em busca da dignidade perdida

Um boliviano rebaixado, um equatoriano tentando encontrar a identidade, um mexicano que caiu de paraquedas e um brasileiro tentando acordar de um cruzado no queixo, desferido por um boxeador congolês chamado Mazembe. Esse é o cenário do grupo 6, que estreia nesta semana: todos querem fazer da Copa Libertadores uma reconciliação com o mundo do futebol, ainda que para o Inter só um desastre não resulte na classificação.

Sim, o Inter pegou, pela primeira vez em sua história recente, o grupo mais fácil da Copa Libertadores. Só o grupo do Grêmio rivaliza, mas creio que o fato de ter um time da segundona boliviana é um tremendo critério de desempate. Existe todo um tato em falar sobre zebras e surpresas depois que Kabangu pegou todos pelo rabo, mas o fato é que mesmo um campeão tonto como o Inter não deverá ter muitas dificuldades.

Internacional


Sabemos que o vício de Celso Roth na autosabotagem está prestes a comprometer a sua permanência no Beira-Rio, mas será preciso muito esforço para o Inter não ficar entre os dois primeiros. O time tem jogado mal desde o fim de agosto do ano passado, quando Roth resolveu disfarçar a sua incapacidade em encontrar um substituto para Taison e manter o esquema funcionando de forma adequada, argumentando que o time estava focado no Mundial. Passou o Mundial e o Inter apresentou, com fiasco, o mesmo futebol medíocre dos últimos seis meses. Estamos no início de fevereiro e não há qualquer demonstração de que a falta de objetividade e a incapacidade do ataque tenham tido qualquer solução.

Porém, há reforços e neles reside a esperança de dias melhores na Copa. O Inter investiu pesado no volante Mario Bolatti (3,5 milhões de euros) e no empréstimo de Fernando Cavenaghi (1 milhão de euros) para tentar resolver os dois problemas essenciais do time: o substituto de Sandro e a centroavância. Os gringos ainda não tiveram uma grande amostra em campo, mas é esperada qualidade. O ponto fraco do time continua sendo Celso Roth, treinador cujo prazo de validade já estourou e que começa a comprometer sistematicamente o bom trabalho que apresentou na final da Libertadores em agosto – depois que melhorou a base montada por Jorge Fossati, nunca mais conseguiu fazer o time ter boas atuações.

Jaguares de Chiapas

O Jaguares dá o prêmio de 'torcedor da semana', às vezes

O Jaguares é um noviço na Taça Libertadores. Após banida a Interliga, que definia os dois classificados através de um ‘melhor de seis’, a Federação Mexicana passou a classificar os seus representantes a partir da pontuação no Apertura: o Jaguares ficou em 4º, foi para a pré-Libertadores, venceu o Alianza Lima e conseguiu a vaga.

A grande estrela do time de Chiapas atende pelo nome de Damián Manso, que levou a Liga de Quito ao título da América em 2008. Na configuração atual da equipe, Manso é meia ofensivo (enganche) e joga com a 10, mas foi contratado para dividir a dupla de ataque com o bom centroavante Jackson Martínez, ex-Independiente Medellín. Na última partida, o Jaguares perdeu de 4-1 sem Martínez, que sofreu uma lesão no pé e provavelmente não jogará a primeira fase da Libertadores – a primeira previsão é que ele esteja fora até abril. Foi a quarta derrota consecutiva do time de Chiapas.

O atual time do Jaguares é vice-lanterna (17º) no campeonato mexicano. Mesmo contando com algumas figuras carimbadas no futebol local, como o bom zagueiro Ismael Castro e o meio-campista Marvin Cabrera, a equipe de Guadalupe Cruz parece não ter se encontrado. O esquema da equipe é com três zagueiros, mas as derrotas recentes podem fazer Cruz mudar para um esquema com 4 defensores e um losango no meio-campo.

Um pouco de história: o Jaguares foi fundado em 2002, quando o grupo Pegaso transferiu a franquia que era da cidade de Vera Cruz para a capital de Chiapas, Tuxtla Gutiérrez. Salvador Cabañas é um dos jogadores mais importantes da história do clube: atuou entre 2003 e 2006, marcou 59 gols em 103 jogos. Ao contrário do que pode se pensar, não há qualquer relação entre o Jaguares e o Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) que tomou quatro prefeituras de Chiapas em 1994, sob a égide do Subcomandante Marcos. Hoje, o EZLN tem uma atuação semelhante à do MST, mandando em determinadas comunidades, fazendo acampamentos e marchas contra o governo, mas não mais detém poder central na província desde o acordo de San Andrés Larrainzar.

Emelec

Turco Asad observa

O clube celeste de Guayaquil cruza novamente o caminho do Inter, na fase de grupos, como foi em 2007 e em 2010. A grande diferença que o Emelec tem sobre o time do ano passado está no banco: o clube investiu pesado para tirar o Turco Asad do Godoy Cruz, onde conseguiu levar o time de Mendoza à Copa Libertadores.

Asad, que foi centroavante campeão da América pelo Vélez Sarsfield em 1994, não tem lá muitas opções para mudar o panorama do clube no plantel: algumas caras conhecidas permanecem, como o goleiro Klimowicz, o veterano Carlos Quiñonez (300 partidas pelo clube), e Gabriel Achilier. O grande reforço veio do Atlético Mineiro – o volante Edison Mendez, ex-LDU. Também tem agradado o meia/atacante Angel Mena, formado no clube e que teve uma passagem interessante pelo Deportivo Cuenca.

O Emelec deste ano traz menos esperanças que o Emelec do ano passado, que tinha figuras como Joao Rojas e Santiago Biglieri e foi um rotundo fracasso na Libertadores. Em três jogos, o Emelec de Asad tem duas vitórias e um empate (em 0-0 com o Deportivo Quito, neste final de semana).

Jorge Wilstermann


Ah, o Jorge Wilstermann. Dono, talvez, da melhor história desta Copa Libertadores, a ver: foi campeão boliviano no primeiro semestre, garantiu a vaga nesta Libertadores, e rebaixado no campeonato posterior: somou 22 pontos e ficou com uma das últimas médias. Ainda tentou uma virada de mesa, pois o advogado do Oriente Petrolero não pagou 25 mil pesos de multa por xingamentos no gramado (!!!) o que ocasionaria na perda de pontos e no rebaixamento do Oriente, mas a demanda absurda não teve efeito.

A torcida tocou o horror, invadiu a sede, exigiu assembleia, queria mandar todo mundo embora. Obrigou o presidente Victor Hugo López a desnudar o quadro de dívidas e falta de caixa da equipe. Anunciou uma solução mágica: o departamento de futebol ficaria a cargo de investidores argentinos, uma empresa chamada Fútbol América Tours, administrada pelo argentino Sergio Neveleff. Além de trazer o seu IRMÃO Marcelo Neveleff como treinador, Sergio também prometeu a contratação de pelo menos oito jogadores estrangeiros.

Ao final das contratações, o Wilstermann passou a contar com nada menos que DEZENOVE estrangeiros, dos 38 jogadores da equipe. Entre eles, o goleiro brasileiro Mauro Machado – que era meu vizinho, no Sarandi, em Porto Alegre – o zagueiro Euzebio Neto e os jogadores Fabio Mineiro e Jucélio Domisati (brasileiros), o zagueiro Luis Zapata, ex-Millonarios (colombiano), Luís Garcia (peruano), Jesús Toscanini (uruguaio), Lucas Fernández, Juan Ignacio Brown, Juan Carlos Ojeda, Ezequiel Abregú, Ramiro Rodríguez Rendón e Iani Verón (argentinos), todos já inscritos na Libertadores.

Curiosidade: ainda não existe uma segunda divisão boliviana. O que existia era a Copa Simón Bolívar, que reunía os campeões dos departamentos. Porém, está em forma o campeonato Nacional B, que reunirá os campeões dos 9 departamentos que não estão na Série A e os dois rebaixados, incluindo o Jorge Wilstermann. Só o que é certo é que o torneio começará em julho deste ano: até lá, o Wilstermann terá bastante tempo para decidir o que fazer com os 19 estrangeiros.

Palpite irresponsável

O Inter deve se classificar, mas não com 16 ou 18 pontos, pois deverá perder alguns pontos para sua própria incompetência. Como os mexicanos costumam se desmotivar muito facilmente com a Libertadores e o Jaguares já está numa situação delicada no campeonato local, o caminho está aberto para o Emelec conseguir a segunda vaga. O Wilstermann é um tremendo fator de aleatoriedade no mundo, mas convenhamos, é a segunda divisão boliviana.

Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos

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Especial Libertadores – grupo 5 Labuta libertadora

21 Comentários Add your own

  • 1. Tiago  |  16/02/2011 às 09:53

    Se antes não existia segunda divisão na Bolívia, como era feito o ascenso/descenso?

  • 2. Tiago  |  16/02/2011 às 09:56

    Tá explicado pela Wiki:
    “O último colocado é rebaixado para os campeonatos regionais e é substituído pelo campeão da Copa Simón Bolívar, o 2º colocado disputa um playoff de até 3 jogos com o vice-campeão da Copa Simón Bolívar.”
    Onde está escrito segundo deve ser penúltimo.

  • 3. arbo  |  16/02/2011 às 10:06

    sensacional esse jorge wilstermman
    já jogou impedcopa tbm, merece respeito

  • 4. matheus furtado  |  16/02/2011 às 10:17

    os venezuelanos ontem mostraram que são os favoritos para o prêmio CARRINHO DE OURO de La Copa.

    e a corporação Impedimento poderia TERGIVERSAR sobre a falácia chamada Copa-14 ?

  • 5. arbo  |  16/02/2011 às 10:20

    gremistas:

    1] q q acharam dos uniformes?
    gostei mto do tricolor, achei uma boa a ideia desse branco, mas meio ridícula [a ver em campo] essa “celeste”, com um azul q na internet me pareceu meio brilhoso demais, forte demais e com aquela cruz nadavê…

    2] renato deu a escalação pra amanhã. borges e andré lima na frente de novo. pra mim era o ataque titular, mas depois de domingo fiquei bem na dúvida. parece q os dois jogam melhor no mesmo lugar. mas se for pra escolher entre os dois fico com o A. Lima hj… borges no banco (e irmos de viçosa) ou tentando fazer o atacante de maior movimentação… num futuro próximo acho q dá pra testar escudero e andré lima na frente.
    mas o q me decepciona é a escalação do horroroso (domingo de novo) gilson na esquerda. collaço bem melhor, até neuton preferiria.

  • 6. Gremista  |  16/02/2011 às 10:26

    Eu gostava mais desse uniforme do cara da foto:

  • 7. Gabriel R.  |  16/02/2011 às 10:53

    eu, mesmo nao sendo gremista, achei o tricolor bonito e o branco muuuito feio, parece aquela MANTA que o papa usa…

  • 8. Gabriel R.  |  16/02/2011 às 10:54

    assim, como o do inter, que o vemelho ficou bem legal e o branco ficou DESTACANDO o Banrisul.

  • 9. alemao  |  16/02/2011 às 11:17

    arbo, puts cara, curti a celeste…e achei qq coisa a branca…a tricolor bem legal.

  • 10. arbo  |  16/02/2011 às 11:17

    de fato, gabriel, a branca do inter seria bonita sem o patrocínio, mas destaca demais o banri…
    a do grêmio branca não achei feia, não, a princípio

  • 11. col  |  16/02/2011 às 12:25

    Alguem da aldeia me explica, por favor, por que diabos o Banrisul continua patrocinando o Inter??? Quanto o Inter ainda deve pressesputos??

  • 12. Luiz  |  16/02/2011 às 12:35

    Moro aqui em RONDÔNIA e se tudo der certo, vamo pra cochabamba (reduto de jovens vadios q vao a bolivia cursar medicina) ve o jogo

  • 13. arbo  |  16/02/2011 às 12:44

    depois conta aqui, luiz!

  • 14. Marimas  |  16/02/2011 às 13:45

    Muito bala o DOSSIÊ Libertina que tá rolando. Estamos de olho (ns)

    E, quando li “depois que melhorou a base montada por Jorge Fossati, nunca mais conseguiu fazer o time ter boas atuações.” já sabia que o texto era do LF.

    ps.: Agora uma pergunta de leigo (é sério). O que vc´s jornalistas tem contra aquele botão “justificar” que “alonga” as frases e preenche as linhas?

  • 15. arbo  |  16/02/2011 às 13:51

    “E, quando li ‘depois que melhorou a base montada por Jorge Fossati, nunca mais conseguiu fazer o time ter boas atuações.’ já sabia que o texto era do LF.”
    kadsjkgjadkjha
    eu já sabia antes, mas tive CERTEZA foi nessa parte hehehe

  • 16. arbo  |  16/02/2011 às 13:55

    “E, quando li ‘depois que melhorou a base montada por Jorge Fossati, nunca mais conseguiu fazer o time ter boas atuações.’ já sabia que o texto era do LF.”

    uahdsughaudhga eu sabia antes, mas aí tive CERTEZA

  • 17. arbo  |  16/02/2011 às 13:57

    falhanostra

  • 18. Roger  |  16/02/2011 às 14:10

    Se tem alguém que goste de invencionisses, bizzarrices, detalhes ‘nadavê’ como falou o arbo, que sejam feitos nas nº 2 e 3. E sobre elas, a branca é de doer, e a celeste é aceitável.

    Mas eu gosto mesmo é do tradicional, e espero sempre que a tricolor, a nº1 seja, simples, sem frescuras… enfim, TRADICIONAL!!!
    Em qualquer lugar do mundo, mesmo vendo de longe sem enxergar direito direito o distintivo, você reconhece um gremista pela camisa. Não existe nenhum outro time grande, conhecido no pais e até mesmo no exterior, com uniforme sequer parecido com o principal do Grêmio.
    Essa é a camisa do Grêmio. É uma identidade.
    Por isso gostei da listrada.
    Limpa, sem frescura, com tom de azul bem próximo do ideal e tamanho das listas perfeito.
    Ponto pra Toper.

  • 19. Wilson Farina  |  16/02/2011 às 15:02

    Tá no Clicrbs q o Corinthians vai tentar levar o Andrezinho, já é um alento. Só falta levarem o Indio, o Alecsandro e o Roth.

  • 20. jo  |  16/02/2011 às 15:38

    Ao wilson Farina : fico pensando o que torcedores como tu fazem no campo. Comem pipoca, conversam com alguém ao lado ouvem radinho sem olhar pro jogo , e como nada entendem do riscado , reproduzem a opinião dos fraquinhos da rbs. apenas para teu governo : Andrézonho ao lado de giuliano e Sorondo fizeram o que parecia impossível : eliminar o campeão da libertadores dentro do seu estádio!!AS 2 ASSISTENCIAS PARA OS GOLS DE SORONDO E GIULIANO FORAM DELE!! E MAIS UMA ASSISTENCIA PARA ALECSANDRO APENAS EMPURRAR PARA O GOL VAZIO CONTRA O BANFIELD NO BEIRA RIO eliminando o campeão da argentina! Isto só falando na fase de mata mata da libertadores . O bi da libertadores tem sua marca com toda certeza mais até do que muito hiper badalados pela imprensa mas que , na hora da decisão , ficaram a dever…

  • 21. Wilson Farina  |  16/02/2011 às 19:06

    Calma jovem, que eu nao sou desses nao. Impressionante como falar mal do Andrezinho é pior do que falar mal do Falcão ou do Figueroa, sempre tem as viuvinhas dele.
    Sim, alguma coisa ele já fez, mas muito mais vezes fez cagadas, nao marcou ninguem, nao dividiu bola nenhuma e achou que era cracaço. Precisa de 500 mil chances pra produzir algo realmente util. Passamos do Estudiantes com ele, mas teriamos passado melhor sem ele.

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