Onde os favoritos não têm vez

08/02/2011 at 05:00 30 comentários

Uma das poucas certezas que há no futebol é que, por mais que um time esteja lambuzando-se no mel e outro comendo o pão amassado pelo próprio cão, quando eles se enfrentarem em um clássico qualquer diferença técnica, psicológica ou financeira será reduzida a pó. Pois foi o que aconteceu no último domingo no Orlando Scarpelli, quando o líder absoluto do Kuertenzão 2011, o Figueirense, não conseguiu superar o claudicante Avaí, que estaria rebaixado (sim, REBAIXADO!) se o campeonato do melhor estadinho da federação terminasse hoje. Estádio cheio, quatro gols, uma expulsão e 10 cartões amarelos. Foi um bom aquecimento para o que está por vir este ano, quando os dois mais tradicionais clubes do futebol catarinense vão se enfrentar pela Série A do Brasileiro.

O Figueirense chegou ao clássico, válido pela sétima rodada do turno e disputado em seu estádio, com óbvio favoritismo. Único invicto e líder do campeonato, o Figueira manteve a base do time promovido à Série A no ano passado. Em três jogos em casa, a menor vitória havia sido por 3 a 0 – as outras foram 4 a 0 e 5 a 2. O Avaí, por outro lado, mais uma vez começa uma temporada tendo que montar um time novo e, como sempre, com departamento médico lotado. Há teorias de que o DM avaiano seria habitado por loiras suecas maníacas bissexuais, afinal jogador que cai lá não sai, nem parece fazer questão de sair, em menos de seis meses. Em seis jogos pré-clássico, o Leão da Ilha comportou-se como um dócil gatinho, perdendo quatro, empatando um e ganhando só um, ocupando (gerundismo mode on) a nona colocação entre 10 times, à frente apenas do glorioso Concórdia.

No entanto, bastou a bola rolar sob a chuva que caía no início de noite do domingo na parte continental da capital de todos os catarinenses para que o primeiro clássico do octagésimo oitavo ano de feroz disputa entre os dois históricos rivais despertasse em azuis e alvinegros os instintos mais primitivos (JEFFERSON, 2005). Logo aos três minutos, Héber recebeu aquilo que os cronistas esportivos chamam de passe açucarado e chutou cruzado de canhota, sem chance para Zé Carlos. Um urro fez-se ouvir no Scarpelli: Figueira 1 a 0. O gol no início, o amplo domínio territorial e o já explicado favoritismo do Figueirense passaram a impressão de que o time do Guga tomaria um pneu.

Mas eis que aos 11 minutos surge Túlio, aquele volante do chororô do Botafogo. Ele, que joga no Figueirense, deve ter se confundido pela incrível semelhança cromática entre as camisas dos dois times (uma é listrada em preto e branco; a outra, toda azul. Ora, quem não confundiria?) e deu um belo passe para o avaiano Rafael Coelho empatar chutando, também de canhota, na saída do bom goleiro Wilson. A partir daí, o clássico ficou realmente tenso, e o novato árbitro que o apitou distribuiu cartões a torto e à direito, até para quem nem falta havia cometido. Destaque para o tapaço que William “Batoré”, centroavante avaiano idolatrado pelos gremistas, aplicou em Breitner, mais um desses franguinhos formados na Vila Belmiro, que já com dois minutos de jogo estava dando pedaladas sem sentido na lateral do campo.

As câmeras viram o tapa, o árbitro, não. E o William continuou em campo, para ser um dos personagens do clássico. Sete minutos do segundo tempo, escanteio para o Figueirense. Zé Carlos sai bem do gol e lança rapidamente o Genro do Luxemburgo, vulgo Fabiano, que puxa o mortal contra-golpe avaiano. Do meio do campo, ele lança Rafael Coelho na direita. Ex-jogador do Figueirense mas de coração azul, Coelho só dá um toque na bola, já dentro da área e rola para o Batoré, que se antecipa ao zagueiro alvinegro e toca no contrapé do goleiro. Avaí na frente no placar, e o grito abafado dos dois mil visitantes espremidos em um cantinho das arquibancadas é ouvido no Scarpelli.

A euforia não durou muito. Seis minutos depois, mais um escanteio para o Figueirense. Wellington subiu mais que Gian, um boneco de Olinda de 1,91m em forma de zagueiro que já havia falhado no primeiro gol do lado alvinegro da força, para deixar tudo igual no placar una vez más. Foram, então, mais 35 minutos de frio na barriga, falta de ar e “uuuuuuuuuuh!” pra todos os lados, com chances desperdiçadas pelas duas equipes: o Figueirense, no toque de bola rápido e refinado; o Avaí, no bumba-meu-boi e chutão pra correria do Rafael Coelho. Aos 40 do segundo tempo, o juizinho caiu no conto de Héber, que faria qualquer praticante de salto ornamental corar de inveja, e cavou a expulsão do avaiano Gian com um lindo mergulho na intermediária ofensiva do Figueira. Pobre coitado, de tão ruim, Gian nem pra ser expulso por ter dado uma porrada no adversário serve. Sorte nossa, não joga a próxima partida.

Mesmo com um a mais em campo, o Figueirense não conseguiu furar a retranca formada pelo rei do acesso Vágner Benazzi e o maior clássico de Santa Catarina terminou empatado mais uma vez. Tirando dois clássicos disputados por reservas pela Copa Santa Catarina de 2009, ambos vencidos pelo Avaí, os últimos seis confrontos terminaram empatados. É a mais legítima “empatite”. Com a diferença que, em 2011, é “empatite A”.

O Figueirense, mesmo com o empate em casa, segue na ponta do Anitão 2011, com Criciúma (próximo adversário alvinegro, no alçapão Heriberto Hülse), Chapecoense e Joinville ali, só de butuca. O Avaí segue na indigesta nona colocação, numa antes improvável luta contra o rebaixamento. Em Santa Catarina é assim: todos os 10 times jogam entre si em turno e returno. Em cada turno, os quatro primeiros fazem semifinal e final. Os vencedores de cada turno vão para a final do campeonato. Se um mesmo time vencer os dois turnos, joga a decisão com a equipe que somou mais pontos. Os dois piores esquadrões caem para a segunda divisão do ludopédio barriga-verde.

As fotos são do ClicRBS/Diário Catarinense.

Felipe “Catarina” Silva

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Entry filed under: Colunas, Estaduais.

Tudo se encaminha Los de Abajo – S.C. Gaúcho

30 Comentários Add your own

  • 1. Luís Felipe  |  08/02/2011 às 07:24

    prevejo que o link ‘loiras suecas maníacas bissexuais’ será o mais clicado do mês e o termo, o mais acessado nas ferramentas de busca para chegar ao Impedimento.

    lendo o texto, agora, de novo.

  • 2. Luís Felipe  |  08/02/2011 às 07:29

    Maior texto, maior clássico.

    William Batoré, Fabiano Genro e até o Wellington (será que é o mesmo mau jogador que o Inter conseguiu vender ano passado?). Dignidade pura.

  • 3. Discípulo do Mestre Cunegundes  |  08/02/2011 às 07:38

    Willian “Batoré” eterno…. dar um tapa e uma encoxada num ex ou atual franguinho da vila já vale pra ter uma “estauta” na frente de qualquer estádio do Brazilllll.

  • 4. catarina cristo  |  08/02/2011 às 08:03

    clássico que termina empatado é sempre me morga. mas se bem que nesse caso, foi lucro pro Avaí…

    Saudações!

  • 5. Flávio  |  08/02/2011 às 08:36

    Breitner: nome de craque.

  • 6. catarina cristo  |  08/02/2011 às 09:23

    #1

    Manifesto do TOSCO S.E.O.

    😛

  • 7. Vinicius  |  08/02/2011 às 09:25

    http://www.sofutebolbrasil.com/vitrineVisualizar.aspx?vc=321

    na capa do Só Futebol Brasil >> Chegaram as camisetas 2011 da Argentina, ligas inferiores.

    pena que 249 é um ROUBO.
    Mas tem até do Argentino de Quilmes, Excursionistas, El Porvenir…

  • 8. Alexandre N.  |  08/02/2011 às 09:31

    #6

    Ei Catarina! Não vai ter texto sobre a vitória do Santa sobre o Sport não? hehehehehehehe…

  • 9. arbo  |  08/02/2011 às 09:34

    certeza q o grenal foi o clássico mais deprimente do ano

  • 10. arbo  |  08/02/2011 às 09:35

    #7 puta, queria mto aquela do almagro…

  • 11. Rudi  |  08/02/2011 às 09:37

    Caralho… a camisa do Tacuorembó tem a estampa e assinatura do Gardel no peito
    Melhor clube

  • 12. catarina cristo  |  08/02/2011 às 09:44

    #8 Vai, mas tenha paciencia comigo!

    🙂

    Brigada!

  • 13. Alexandre N.  |  08/02/2011 às 09:56

    #12

    Ok, não se preocupe… hehehehehe

  • 14. Carlos  |  08/02/2011 às 11:08

    #10
    RÁ RÁ. Eu tenho uma, mas é cheia de propaganda. Essa é linda.

    Baita texto, melhor clássico do sul.

    Está na lista de clássicos q verei antes de morrer.

    Aliás, qual seria uma lista de clássicos pra se ver antes de morrer?

  • 15. Anônimo  |  08/02/2011 às 11:18

    Re 9

    Aproveito a citação para fazer o meu clássico “merchand”. A edição 208 do Gre-Nal do Mundo Esportivo já está na rede (pelo menos, a coluna do Grêmio):

    TERMINAR A PRÉ-TEMPORADA EM PRIMEIRO

    Na coluna, são tratados: os resultados obtidos até o momento; a projeção da semana; a partida contra o Caxias; os reforços anunciados; a vitória do Veranópolis; e deixa sem resposta a pergunta do porquê se cabeceia tanto na área do Grêmio.

    Abraço,
    Sanchotene

  • 16. Anônimo  |  08/02/2011 às 11:19

    Re 14

    Todos que conseguires…

  • 17. Ernesto  |  08/02/2011 às 11:34

    Filho pródigo ?

    http://www.finalsports.com.br/03/comando/headline.php?n_id=151783

  • 18. Norteña  |  08/02/2011 às 12:21

    Em vez do cão, quem amassou o pão não foi o Kidiaba?

  • 19. Norteña  |  08/02/2011 às 12:22

    Ah, e eu cliquei no link, confesso…

  • 20. Logan  |  08/02/2011 às 12:59

    NO AGUARDO do texto sobre a BROCANÇA sobre o finado no domingo.

    E depois daquele link certeza que o cunegundes adorou o texto, aliás parei de ler ali.

  • 21. Ismael  |  08/02/2011 às 13:07

    #14

    River x Boca (nos 2 estádios)
    Canallas x Leprosos (no gigante de arroyito)
    Peñarol x Nacional
    Ba-Vi
    Figueira x Avaí
    Bra-Pel
    Ba-Gua

  • 22. Roger  |  08/02/2011 às 14:12

    #14
    Qualquer um, ou todos, como preferir.

    mesmo porque, depois de morrer vai ficar complicado….skdfjgfg

  • 23. Felipe (o catarina)  |  08/02/2011 às 14:36

    é loiras suecas NINFOMANÍACAS bissexuais! Escrevi errado.

  • 24. Felipe (o catarina)  |  08/02/2011 às 14:37

    #2

    sim, esse Wellington jogou no Inter: http://futebolsc.uol.com.br/noticia/12323/6/figueira-contrata-atacante-wellington-ex-internacional

  • 25. Luís Felipe  |  08/02/2011 às 16:21

    Esse Wellington chora de ruim, e o Inter conseguiu vendê-lo por 5 milhões de reais para uns otários da Alemanha.

    O ônus disso é que o Carvalho passou a acreditar no Inter B.

  • 26. Luís Felipe  |  08/02/2011 às 16:22

    Sério, a Só Futebol Brasil é uma vergonha.

    Cobram 249 por camisetas que compraram a 50 pesos.

  • 27. Sancho  |  08/02/2011 às 16:42

    re 26

    Descrição do preço:

    Custo: R$30,00
    Conveniência: R$219,00
    Total: R$249,00

  • 28. Junior  |  08/02/2011 às 18:11

    “O ônus disso é que o Carvalho passou a acreditar no Inter B.”

    No que esteve correto. Sem flauta, mas o Inter B deve ter gerado para o Inter mais dinheiro que os times A de vários clubes da primeira divisão.

  • 29. Junior  |  08/02/2011 às 18:13

    E antes que alguém responda, não me referi ao Grêmio, que foi um dos clubes que melhor vendeu nos últimos anos, como C. Eduardo, Lucas, Anderson, etc.

  • 30. JB  |  08/02/2011 às 20:05

    Ajax X Avante

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