Un torneo y cuatro almuerzos

06/12/2010 at 12:38 19 comentários

Juan Ramon Carrasco via Artigas, seu cavalo e seu mausoleu desde o mais alto andar de um hotel da Plaza Independencia. No local, um restaurante panorâmico, havia um calor inesperado por conta do ar-condicionado estragado. Alheio à temperatura, JR pediu um vinho chileno e um prato leve para, logo mais, rumar ao Estádio Centenário. Ao meio-dia, pensava en lo bueno que fue sua transferência ao Nacional. Depois de anos de espera entre a diretoria tricolor e o técnico, a decisão foi tomada nos últimos meses de 2010. Em oito jogos, Carrasco não chorou uma só derrota no Apertura – o que, por desgraça, dificilmente significaria um título naquela tarde.

Juan Ibañez levou os três filhos para um banquete no Mercado del Puerto, opção que se deu pela raridade daquele dia. O jogo já havia terminado há vinte minutos no Parque Capurro, casa do Fénix, quando a parcialidade do El Tanque – incluindo Ibañez e sua prole – seguia cantando o título doverdinegro. Durante cinco horas – do meio-dia às cinco da tarde – o El Tanque Sisley foi o campeão do Apertura. Entrou em campo pela manhã, bateu o Fénix e esperou, nervoso e clamando por uma sorte que nunca veio, os resultados da tarde. Ibañez, em meio às garfadas, já pensava em como secar Bella Vista, Nacional e Defensor.

Almoçaram todos juntos, concentrados, os gurizes do Bella Vista. Eram os mesmos de sempre. Eles, os que nas categorias inferiores tantas vezes complicaram partidas que los medios davam como certas para os grandes; os que, já nos profissionais, migraram da segunda para a primeira divisão na última temporada; os que, na elite e peleando pela ponta, buscavam o segundo título da história do clube amarelo e branco. O cenário era o singelo restaurante do estádio José Nasazzi, palco do jogo de logo mais, contra o River Plate. Se a combinação de resultados que levaria ao título parecia irreal, não havia desânimo no ambiente – a campanha havia sido irretocável e o plano para o dia era vencer e, outra vez, confiar no improvável.

Dez ônibus com artefatos violetas deixaram as imediações do Parque Rodó no final da manhã. Tratava-se de uma caravana, seguida por carros particulares e um inusitado caminhão, que se dirigia ao Norte do país. A parcialidade do Defensor Sporting viajava rumo a outro título no fechamento de uma grande década. Com cervejas quentes e panchos frios, os torcedores improvisaram uma refeição no meio do caminho, no momento em que os veículos passavam pelos limites de Durazno. Às cinco horas da tarde, uma vitória simples em Tacuarembó, la tierra de Gardel, garantia o título do Apertura ao Defensor – sem depender das outras três equipes que seguiam na briga.

A última rodada do Apertura uruguaio mantinha cinco possibilidades de título. Torcedores de Nacional, Defensor, El Tanque e Bella Vista dedicaram todo o domingo ao futebol e à ilusão de sair campeão. Os carboneros, que também poderiam vencer o campeonato na rodada, já haviam visto tudo ruir na véspera, o sábado em que o Racing derrotou o Peñarol no Estádio Centenário por 2-1. O fato dos jogos terem sido disputados em mais de um horário (o Peñarol no sábado, o Tanque na manhã do domingo e os demais às cinco da tarde) mudou as expectativas da decisão. A definição não durou duas horas, como no Brasil, mas todo o final de semana.

Apesar das variações serem muitas, os indicativos mostravam mesmo um festejo violeta. O Defensor iniciou frouxo o campeonato, mas soube reagir antes do Nacional e atropelou um Peñarol que se mantinha capenga na ponta da tabela. Teve em Miguel Amado e Rodrigo Mora suas grandes figuras e confiou a Martín Silva, goleiro que esteve na Copa do Mundo, a proteção do seu arco. Em Tacuarembó, sofreu mais do que o óbvio previa. O time local somou míseros cinco pontos no Apertura, mas, ontem, saiu na frente do placar. Foi o momento em que o Nacional também perdia o seu jogo e o Bella Vista superava o River por 1-0. Por dez minutos, houve festa de título no Nasazzi.

A virada do Defensor se apoiou em um gol irregular; a do Nacional na força do seu centroavante, Santiago García, homem de quinze gols em quinze jogos. Mas ambos superaram os seus rivais algo desinteressados e se adonaram dos dois primeiros postos da tabela. O Defensor, que tinha a vantagem de chegar com um ponto de vantagem, aproveitou a parca gordura e festejou a conquista do Apertura no Norte, a cinco horas de casa. Ao Nacional, medíocre nas primeiras jornadas e invencível após a chegada de Carrasco, ficaram pontos valiosos para a tabela anual. E Bella Vista e El Tanque, recém ascendidos, já escaparam da possibilidade de rebaixamento logo no primeiro torneio. Mesmo sem um desfecho surpreendente, a décima quinta rodada teve sua glória em tudo o que poderia ter ocorrido.

Saludos,
Iuri Müller

 

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Entry filed under: Colunas, Nacionais, Pela América.

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19 Comentários Add your own

  • 1. Rudi  |  06/12/2010 às 12:49

    Brilhante

    Dúvida, as vagas uruguaias pra Liber 2011 já tão todas definidas? vai ter Liguilla? como é?

  • 2. J Petry  |  06/12/2010 às 12:51

    A Liguilla não existe mais. É Peñarol, Nacional e Liverpool (que pega Goiás ou Grêmio na Pré).

  • 3. Anônimo  |  06/12/2010 às 13:48

    Re 1

    O Defensor está a um mata-mata da Libertadores 2012.

    Com o título, o Defensor se classificou para as semifinais, que serão disputadas no ano que vem, e que valem 1 vaga na Libertadores.

    No Uruguaio, o campeão do Apertura enfrenta o campeão do Clausura na semifinal. O vencedor disputa a final contra o time de melhor campanha somando os pontos dos dois turnos.

    Os dois finalistas se classificam à Libertadores. A 3ª vaga fica, entre os clubes que sobram, com aquele de melhor campanha somando os dois turnos.

    Sanchotene

  • 4. FERN  |  06/12/2010 às 14:11

    os violetas vivem sem duvida uma das melhores fases de sua história (cancha & direção), talvez a melhor de um club chico em todos os tempos no FOOTBALL charrúa…

  • 5. Anônimo  |  06/12/2010 às 14:21

    Re 4

    São os atuais campeões de basquete, também.

  • 6. Nacional,Penarol, Liverpool, El Tanque, Defensor, Riograndense, Independiente.  |  06/12/2010 às 16:03

    Feliz cumpleaños Iuri

  • 7. arbo  |  06/12/2010 às 16:30

    mto bom, iuri!

    está de aniversário? lo cumpla feliz. e digo o mesmo ao chileno do prestes!

  • 8. Francisco Luz  |  06/12/2010 às 16:41

    Porra, Iuri.

    Parabéns, Iuri.

  • 9. Felipe (o catarina)  |  06/12/2010 às 16:59

    #3

    me expliquem uma coisa, pra ver seu entendi. Classificam-se pra Copa o camepeão e o vice uruguaios e o time fora esses dois que tenha somado mais pontos contando Apertura e Clausura. Então, pro Defensor ficar de fora da Libertadores de 2012, ele precisa perder a semifinal contra o campeão do Clausura e ainda ter o azar de um outro time, que não ganhou o Apertura nem o Clausura e nem foi à final, ter somado mais pontos que ele no combo Apertura + Clausura. É isso?

    vou desenhar:

    digamos que o Tacuarembó ganhe o Clausura e o Miramar Misiones não ganhe nem o Apertura (Defensor já ganhou) nem o Clausura mas seja o time que mais pontos somou contando os dois torneios. Ou seja, ele estará garantido na final. Aí, o segundo time que mais somou pontos seria, digamos, o Rampla Juniors, que também não ganhou nenhum dos dois turnos. Depois, viriam os campeões Defensor (3º em pontos) e Tacuarembó (4º).

    Aí, o Tacuarembó elimina o Defensor na semifinal e perde a final pro Miramar Misiones. Ou seja, o Miramar vai pra Libertadores como campeão uruguaio, o Tacuarembó como vice e o Rampla Juniors fica com a terceira vaga porque somou mais pontos que o Defensor na soma Apertura + Clausura.

    é isso ou tem algum outro esquema aí?

  • 10. Alexandre N.  |  06/12/2010 às 17:20

    Porra, quase deu pro El Tanque… Sacanagem…

  • 11. Anônimo  |  06/12/2010 às 17:40

    Re 9

    É isso aí, mesmo.

    Sanchotene

  • 12. Iuri  |  06/12/2010 às 18:39

    Muchas gracias, mesmo. Ver um texto meu publicado aqui sempre será motivo de ORGULHO – me serve como PRESENTE.

    Abrazos!

  • 13. Carcereiro-SC  |  06/12/2010 às 20:36

    Em tempo…. e fugindo ao assunto do post…. morri um pouco neste 05/12.. último show do Faith no More que aconteceu no Chile… Estádio Bicentenário de La Florida lotado para a derradeira apresentação desta banda… passei de menino a homem, escutando a todo volume o LP “The real thing”, repleto de músicas fodásticas, e cresci ouvindo estes putos que nos deixaram….. bem como tive uma das minhas melhores noites com o SHOW deles em POA no ano passado….. Fica meus agradecimentos a estes caras por me tornarem um Homem melhor, pois se não tivessem existido, poderia ter me entregado para drogas como tecno, pop de boys ou girls band variadas, e de qualquer estilo de música acompanhada do rótulo universitário…

    É meus amigos, não é fácil ficar velho, vendo bandas adoradas terminarem (poderiam ser eternas)…. mas marcou também este dia uma atitude de minha filha, a pequena Maria Eduarda, que pela primeira vez, um pouco antes do jogo contra o Bostafogo, encheu a boca para responder a sua mãe (flamenguista não praticante) que era GREMISTA, sem que precisasse pagar um sorvete ou pirulito pra ela dizer isto…

  • 14. douglasceconello  |  06/12/2010 às 21:19

    Aguante, DON IURÓN.

    Muita MATREIRICE e felicidades.

    O orgulho é todo nosso.

  • 15. Eduardo  |  06/12/2010 às 21:59

    off topic: mas o comentário do Sanches nos premios do Brasileirao foi a GAFE ESPORTIVA DO ANO!!! hahahah …

  • 16. Ernesto  |  06/12/2010 às 23:20

    #15

    Ou não. Depende do ponto de vista.

    Se é o comentário de ter caído pra segunda e voltado na cancha o comentário referido por ti.

  • 17. douglasceconello  |  06/12/2010 às 23:29

    Esse Sanches não merece ser presidente de um clube do tamanho do Corinthians. É muita vulgaridade numa pessoa só.

  • 18. Anônimo  |  07/12/2010 às 00:32

    #15,

    qual foi a gafe?

  • 19. Luís Felipe  |  07/12/2010 às 06:32

    “Quero dar meus parabéns ao Fluminense, ao Coritiba, ao ABC-RN, campeões nacionais. Assim como o meu Corinthians, foram rebaixados. O importante é voltar pela porta da frente”, disse Sanchez, que não conseguiu mais falar. O dirigente encerrou seu discurso com um “boa noite” e deixou o palco.

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