Maradona, 50. Pelé, 70

03/11/2010 at 05:00 40 comentários

Edson Arantes do Nascimento e Diego Armando Maradona Franco chegaram ao mundo separados por 20 anos, 7 dias e cerca de 2.5 mil quilômetros. Edson, negro; Diego, índio. Nascidos na pobreza, ganharam o mundo através do jogo da bola.

Edson, natural de Três Corações, Minas Gerais, nasceu em 23 de outubro de 1940. Diego nasceu em um subúrbio operário de Lanús, Villa Fiorito, dentro de Buenos Aires na data de 30 de outubro de 1960.

Levaram pouco mais de 15 anos, ambos, de seu nascimento para se revelarem ao mundo garotos extraordinários – Edson já era Pelé e campeão do mundo de futebol quando Maradona nasceu desde 1958. Levaram também, seus companheiros de clubes e seleções a conquistas. Levaram, sobretudo, o jogo da bola, o futebol, a estado de arte um sem número de vezes que nós, meros mortais vidrados no jogo, nunca iremos nos cansar de lembrar e recontar.

Eu poderia me basear em números e dados técnicos para analisar a cada um mas, convenhamos, não faria sentido algum e me parece meio nonsense buscar argumentos teóricos para o simples encanto nos olhos de qualquer petiz que jogue bola que seja exposto às imagens de ambos em ação, este brilho nos olhos, sim, o argumento irrefutável.

Porque, diante de uma bola, há pessoas que simplesmente não deixam de ser a criança que descobriu o poder que existe no ato físico de chutar uma esfera de couro, borracha, tecido ou papel. Em certas ocasiões, a fascinação é tamanha, que nem esférica a bola precisa realmente ser, basta que o grupo de praticantes entre em comum acordo que a latinha de refrigerante é redonda o suficiente. Maradona e Pelé, consigo imaginar, deviam ser duas dessas peças quando guris que se prestavam a transformar todo objeto possível de controle pelos pés em bolas.

Pelé e Maradona alcançaram o estrelato ainda meninos e desde então, carregam a cada drible, toda uma turba de aficcionados por ambos, contra ou a favor. Pelé levou o Santos Futebol Clube, onde jogou entre 1956 e 1974 (e protagonizou a façanha de ser artilheiro do Paulistão durante 9 campeonatos seguidos, entre 57 e 65), à imortalidade e dois campeonatos mundiais (63 e 63), além de 5 Taças Brasil consecutivas entre 1961 e 1965 e duas Libertadores (62 e 63).

Com Pelé em campo o Brasil deixou de ser uma equipe de vira-latas complexados para alcançar três Copas do Mundo no espaço de 16 anos. Durante a epopeia do Tri, em terras mexicanas, Pelé aproveitou a primeira transmissão em cores do evento para mostrar ao mundo do que era capaz com uma bola a seu alcance. Até hoje ainda encontramos os mais velhos suspirarem pré-lacrimejantes só de ouvir alguém falar mil e novecentos e setenta.

O mesmo México, 16 anos depois, veria um rapaz fazer a camisa 10 de listras brancas e celestes reluzir feito uma flâmula que guarda o bom futebol. O futebol que Don Diego exibiu naquele Mundial de 86 não deu à Argentina apenas seu segundo título mundial ou a Maradona a chave da porta da frente da Glória: foi a chance de torcedores e simpatizantes reviverem o humano se revelar extraordinário – porque algo que Maradona jamais deixou de se mostrar é que ele é demasiado humano.

Alçado ao status de semi-divindade pelo torcedor argentino, El Pibe de Oro é mito para bosteros e torcedores do Napoli, clube italiano onde Maradó labutou entre 1984 e 1991. Na esquadra italiana, Maradona foi campeão italiano em 2 ocasiões (86-87 e 89-90), além de ter vencido a Copa da Itália (86-87), uma Supercopa da Itália (91) e uma lendária Copa da Uefa (88-89). Para os napolitanos, que habitam a parte sul e mais pobre do país, Maradona lhes deu alegrias e gols que jamais haviam se permitido sonhar na terra de Milan e Juventus.

Na Copa de 90, na Itália, Maradona – completamente impossibilitado de jogar por contusões – levou seu time de limitado talento a uma final que só foi perdida por um penal duvidoso, com direito a tirar o Brasil nas oitavas (jogada de Maradona, gol de Caniggia). A imagem de um furibundo Diego ofendendo pela câmera de TV todas as mães possíveis na Itália quando o hino argentino foi vaiado pelos italianos antes da final contra a Alemanha é tão marcante quanto seu choro amargo ao ver a taça, que havia lhe pertencido quatro anos antes, trocar de mãos.

Sobretudo, ver Pelé e Maradona em campo encanta. O domínio que exibem com a bola e de suas ações em campo ultrapassam o inteligível. Eis aí aquele brilho irrefutável em nossos olhos de eternos meninos quando nos chegam as imagens, as histórias que contam, as fotos que ficaram. Cativaram nossos corações porque foram grandes igualmente fora do campo, mas, especialmente, porque foram gigantescos defendendo suas camisas 10.

Vê-los alcançar idades tão significativas e ainda atuantes e vivos é prazeroso, de alguma forma inexplicável, mas compreensível por aqueles que vivem o futebol em maior ou menor escala. E aumenta a possibilidade de nós, mortais, nos confrontarmos por acaso, em aeroportos ou restaurantes, com deuses que caminham, ainda que errantes, pela Terra.

Leandro Godinho

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O ‘big stick’ da grana 3ª ImpedCopa: prazo para inscrição

40 Comentários Add your own

  • 1. João Miguel Ferreira  |  03/11/2010 às 05:55

    Wow. Sem mais.

  • 2. Rafa Rhoads  |  03/11/2010 às 06:02

    Foda o texto. Antes que comecem as discussões de quem é melhor que quem, vou dar a minha: Pelé é maior, mas só por causa do pó. Se não fosse o pó hoje falariamos baixinho sobre Pelé e como ele foi bom até o maldito Argentino aparecer.

  • 3. Eduardo  |  03/11/2010 às 07:50

    Belo texto.
    estive recentemente no chile e o taxista que me levou do aeroporto ao hotel suspirava ao falar de Pelé. Comentou que assistiu partidas daquela copa com toda a familia e que ficavam por dias relembrando os lances do Pelé.

    Já “Marado”, conforme comentado pelo #2, teve uma vida anti-desportista fora de campo. o filme . “Maradona, a mão de Deus” mostra bem isso. prá quem não viu, vale a pena…

    mas também acho exagero compará-los. genialidade não se compara. se aproveita.
    Lembrando uma frase que li em algum lugar que infelizmente não lembro onde:

    Um gênio, em qualquer área, é como um artista que vive por um momento narcótico de êxtase criativo.

    de momentos narcóticos (de futebol), ambos tiveram overdoses…

  • 4. marlon  |  03/11/2010 às 08:47

    BARRILETE COSMICO DE QUE PLANETA VINISTE

    fgksdjfksdfas, narrador mais em chamas de todos os tempos. muito afudê.

    na Copa que foi provavelmente a mais importante pra minha FORMAÇÃ, a de 82, Maradó apagou, perdeu a cabeça e deu uma VOADORA na BARRIGA do Batista. depois iria fazer misérias no Barcelona. ali pensei, “joder, se passamos dos argentinos, e com 3 a 1, essa copa é nossa”. não contava com o maledetto Paolo Rossi.

  • 5. Felipe (o catarina)  |  03/11/2010 às 08:50

    também não quero compará-los, ambos são gênios, mas naquele filme Pelé Eterno tem centenas de jogadas que ele fez que são simplesmente fenomenais, inimagináveis. Enfim…

  • 6. marlon  |  03/11/2010 às 08:59

    não lembro onde li isso, mas contavam que num jogo do santos ele deu balãozinhos (“lençol”) em QUATRO jogadores adversários dentro da área e mandou uma bucha… era um DIMONHO, realmente.

    portanto, se o TEMER assume, é capaz de ser ministro de deportes.

  • 7. Tiago Marcon  |  03/11/2010 às 09:24

    um taxista de Buenos nos fez a clássica pergunta: Quem foi melhor, Pelé ou Maradona? Respondemos que foi o Pelé, obviamente…é o rei e tudo o mais. Daí ele tascou:
    Pelé és Rey, si. Pero Maradona és Dios..recuerdam de la mano?!?!
    “Do pó vieste, ao pó voltarás.” Agora entendo a frase. Dieguito pensa que escreve certo por LINHAS tortas.

  • 8. Godo  |  03/11/2010 às 10:16

    #3

    Eduardo, sou obrigado e me curvar à sua argumentação.

    #6

    Excelente e PERSPICAZ.

  • 9. Felipe (o catarina)  |  03/11/2010 às 10:38

    #6

    Santos x Juventus na Rua Javari. Não existem imagens desse gol, mas vi fazerem uma simulação (no Pelé Eterno mesmo, acho). Tem também o “gol de placa” no Maracanã, que ele partiu do meio do campo, driblou cinco ou seis caras do Fluminense e fez o gol (tbm não tem imagens). E o famoso “gol que o Pelé não fez” (do meio do campo, aquele contra a Tchecoslováquia), ele fez jogando pelo Cosmos.

    além de ter feito jogadas animais, o Pelé ainda ganhou título pra dedéu, o que o favorece numa comparação com Maradona. 3 Copas, 2 Mundiais de Clubes, 2 Libertadores, 5 Taças Brasil… E apesar de nos 1.200 e tantos gols dele contarem até gol da seleção do Exército, ele foi artilheiro em dezenas de torneios “pra valer” (Camp. Paulista, Taça Brasil, acho que Libertadores tbm, etc.).

    apesar de toda a genialidade do Maradona, acho que há poucos argumentos “palpáveis” pra defender que ele foi melhor que o Pelé. Aí, só se entrar o lado do mito mesmo.

  • 10. marlon  |  03/11/2010 às 10:43

    isso isso isso.

    bueno, em termos de mito, Maradona realmente é deus. o que ouvi de estórias dele em BsAs… que era puto; que tinha uns 10 filhos com mulheres diferentes; que ficava sempre com o empresário num bar antigo famoso (não lembro mais onde era; numa avenida bem chique, acho que perto de Palermo) e chegavam pibes de 9, 10 anos, que eles arrastavam pra baia; e por aí vai… (pensando bem, não me contaram nenhum mito relacionado a FUTEBOL, hjhjkhkh)

  • 11. Flávio  |  03/11/2010 às 11:16

    Maradona era mais habilidoso, Pelé mais completo – mas Di Stéfano, que jogava de uma intermediária a outra, era mais completo ainda.
    Na minha opinião, o que desempata a discussão a favor do Rei é que ele jogou em altíssimo nível por mais tempo que os dois hermanos. E que Garrincha, Cruyff ou qualquer outro craque dessa estirpe.
    Pelé foi o que único que se manteve como melhor do mundo por mais de uma década. E sendo contemporâneo de Di Stéfano, Puskas, Didi, Garrincha, Sivori, Beckenbauer, George Best, Eusébio, etc.

  • 12. Flávio  |  03/11/2010 às 11:19

    Mas na Europa, hoje, a supremacia de Pelé é cada vez mais questionada, coisa que não ocorria 10 anos atrás.
    Geralmente quem diz isso é gente que só conhece o Rei dos videotapes da Copa de 70. Pelé jogou muito naquele mundial, mas seu auge mesmo foi mesmo no Santos dos anos 60.

  • 13. FERN  |  03/11/2010 às 11:58

    o maior de todos vestiu a 5 na Copa de 1950, olha pro Céu que tu vê a bandera…

  • 14. Godo  |  03/11/2010 às 12:03

    Pelé, sob o ótica dos FATOS, é inquestionável.

    A QUESTÃ é que o futebol não se enquadra na lógica, mas no coração. E o coração pode escolher entre Maradona, Eusébio, Rivelino e até o Toró.

    #9

    Quem interpretou Pelé no gol da Javari do Pelé Eterno foi o próprio, Toró, cabeça-de-área e mito.

  • 15. Marimon  |  03/11/2010 às 12:25

    Garrincha >>> Pelé+Maradona.

    #prontofalei

  • 16. Cunegundes Hernandes  |  03/11/2010 às 12:51

    dois curradores legítimos. O maradona por ter currado os almofadonhos ingleses em 1986. O pelé por ter currado a xuxa.

    fico triste ao ver que o fodebol tem hoje ídolos como kaka e cristiano ronaldo, que batem punheta de luva pra não sujar a mão.

    quack quein

  • 17. eduardo  |  03/11/2010 às 13:09

    se fosse escolher um deles para jogar no meu time seria o Maradona, pq ceeeerto que ele tomaria todas após o jogo, já o pelé iria para casa.

  • 18. rafael botafoguense  |  03/11/2010 às 13:23

    3. Eduardo | 03/11/2010 at 07:50
    Belo texto.
    estive recentemente no chile e o taxista que me levou do aeroporto ao hotel suspirava ao falar de Pelé. Comentou que assistiu partidas daquela copa com toda a familia e que ficavam por dias relembrando os lances do Pelé.
    ________________

    pô,o pelé quase nem jogou aquela copa hahahuhau,machucou no 2º jogo e ficou fora o resto.

    pelé deve ter sido foda demais,mais colocam ele de uma forma como se o futebol brasileiro fosse o que é só por causa dele. tivemos mtos tantos outros craques tão míticos,importantes ou até melhores.

  • 19. Paul  |  03/11/2010 às 13:28

    #17: Olha Eduardo, eu acho que o Pelé tem ALGUNS bastardinhos espalhados por aí que contrariam essa tua idéia…

  • 20. Felipe Z.  |  03/11/2010 às 13:41

    17#

    O Pelé não era fraco não… já rolou vi um documentário com vídeos de festas na casa/fazenda dele.

    Cerva/churrasco/futebol/Samba à torto e direito. Atualmente qualquer reportagem parecida soaria escandalozo.

  • 21. arbo  |  03/11/2010 às 13:43

    no documentário do kusturica sobre o maradona, chega a parte do manu chao tocando em sua homenagem e EMOCIONA.

    pelé eterno dispensa comentários.

  • 22. dante  |  03/11/2010 às 14:17

    ó, arbo:

  • 23. matheus  |  03/11/2010 às 14:25

    pelé é referência de craque no chavo del ocho, não sei se algo pode ser maior que isso

  • 24. gilson  |  03/11/2010 às 14:32

    diz que num jogo do campeonato paulista o Pelé cobrou uma falta de fora do campo pois tinha sacado que o time adversário e a arbitragem se distraíram com o ponta do Santos que tava puxando o contra-ataque. Se for verdade é demais, mas se for mentira, melhor ainda 🙂

  • 25. Álisson  |  03/11/2010 às 14:32

    Ducaralho esse vídeo, ainda não tinha visto.

  • 26. Guilherme  |  03/11/2010 às 14:37

    Não sei se alguém lembra, mas depois do jogo da seleção contra o Irã eu xinguei o Galvão por dizer que 4-1-4-1 era “linha de ônibus”. Tem muita ignorância no futebol e o Mano Menezes ta aí pra ajudar a evitar que acéfalos como o Silas se dêem no futebol.

    Mano Menezes:
    “No intervalo disse que estávamos tendo um pouco de dificuldade. E realmente estávamos, pois eles fizeram uma linha de quatro, colocaram um líbero na frente, outra linha de quatro e mais um no ataque. Falei sobre isso, que estavam jogando no 4-1-4-1, e algum famoso disse que 4-1-4-1 era linha de ônibus. Isso temos que parar de omitir para o torcedor, explicar pra ele o que é o 4-1-4-1, quem faz determinadas funções, esse é o papel do analista para que o torcedor tenha mais entendimento pelo futebol. “Não, esse não pode fazer essa função. O treinador não estava inventando”, poderiam dizer. O Irã reconheceu essa capacidade no Brasil e dificultou. Temos sempre que encontrar soluções.”

    http://globoesporte.globo.com/futebol/selecao-brasileira/noticia/2010/11/mano-menezes-compara-ronaldinho-renato-gaucho-em-fim-de-carreira.html

  • 27. Cunegundes Hernandes  |  03/11/2010 às 14:58

    dizem por aí que o pelé tava com a xuxa numa festa, quando a xuxa se destraiu com uma gostosa que passava e o pelé gozou dentro do nariz dela. Se for verdade é demais, mas se for mentira, melhor ainda

  • 28. Y  |  03/11/2010 às 15:22

    depois de 3 meses, volto, apenas para demonstrar uma atitude nojenta:

    ************************

    depois quando eu falo dos italianos….

    reparem nos sobrenomes… o povo, viu… absurdo… mas vindo dos carcamanos espero tudo.

    antes que me condenem… não falei nada, só deixei indicado… se a carapuça servir, problema dos carcamanos.

    VIVA PORTUGAL, POVO FIXE E GENTE BOA, QUE ESCRAVIZOU E COLONIZOU COM PARCIMÔNIA E HOMBRIDADE.. escravizou sendo legal, não igual Holanda, que deixou acontecer apartheid… PORTUGAL É FODA.

  • 29. Y  |  03/11/2010 às 15:26

    até porque, foi esse mesmo pessoal da elite paulista que tentou me matar há meses… já tinham matado um nordestino e um cara por ser gay… mas não me pegaram, acabei sobrevivendo.

    Precisei de uma semanita em AMARELEJA para relaxar… Serra do Gerês, Miranda de I Douro … ah… coisa boa…

  • 30. Y  |  03/11/2010 às 15:36

    NORDESTE, OU nor-este, como prefiro:

    Stado de l Maranhon i Estado de l Brasil (1621-1755)

    De las mudanças admenistratibas durante l domínio spanhol, la más amportante sucediu an 1621, cula dibison de la quelónia an dous Stados andependientes: l Stado de l Brasil, que abrangie de Pernambuco a la atual Santa Catarina, i l Stado de l Maranhon, de l atual Ceará a la Amazónia. La rezon se baseaba ne l çtacado papel assumido pul Maranhon cumo punto de apoio i de partida para la colonizaçon de l norte i nordeste. L Maranhon tenie por capital San Lhuís, i l Stado de l Brasil sue capital an Salbador.

    Nestes dous stados, ls súditos éran cidadanos pertueses (chamados de “pertueses de l Brasil”) i sujeitos als mesmos dreitos i deberes, i las mesmas lheis las quales stában submetidos ls residentes an Pertual, antre eilhas, las Ourdenaçones manuelinas i las Ourdenaçones filipinas.

    Quando l rei Filipe III (IV de la Espanha) separou l Brasil i l Maranhon, passórun a eisistir trés capitanias reales: Maranhon, Ceará i Gran-Pará, i seis capitanias heireditárias. An 1737, cun sue sede transferida para Belén, l Maranhon passou a ser chamado de Gran-Pará i Maranhon. Tal anstalaçon era eifeito de l isolamiento de l stremo norte de l Stado de l Brasil, pus l regime de bentos ampedie durante meses las quemunicaçones antre San Lhuís i la Bahia.

    Ne l seclo XVII, l Stado de l Brasil se stendia de l atual Pará até l Riu Grande de l Norte i deste até Santa Catarina, i ne l seclo XVIII yá starien ancorporados l Riu Grande de San Pedro, atual Riu Grande de l Sul i las regiones mineiras i parte de la Amazónia. L Stado de l Maranhon fui zaparecido na época de Marqués de Palumbar.

    La eiquenomie de la quelónia, ampeçada cul puro stratibismo de palo-brasil i l scambo antre ls quelonos i ls índios, als poucos passou a la porduçon lhocal, cun ls cultibos de la canha-de-açucre i de l cacau. L angeinho de açucre (manufatura de l ciclo de porduçon açucareiro) custituiu la peça percipal de l mercantilismo pertués, ourganizadas an grandes propiadades. Estas, cumo se chamou más tarde, éran latifúndios, caratelizados por tierras stensas, abundante mano-de-obra scraba, técnicas cumplexas i baixa produtibidade.
    Fexeiro:Nabio negreiro – Rugendas.jpg
    Nabio negreiro eilustrando l lhibro Boyage pittoresque danes le Brésil, 1835, de Rugendas

    Para aguantar la porduçon de canha-de-açucre, ls pertueses ampeçórun, a partir de meados de l seclo XVI, a amportar africanos cumo scrabos. Eilhes éran pessonas caturadas antre tribos de las feitorias ouropéias na África (a las bezes cula conibéncia de xefes lhocales de tribos ribales) i atrabessados ne l Atlántico ne ls nabios negreiros, an péssimas cundiçones de asseio i salude. Al chegáren a la América, essas pessonas éran comercializadas cumo mercadoria i oubrigados a trabalhar nas plantaçones i casas de l colonizadores. Drento de las fazendas, bibian aprisionados an galpones rústicos chamados de senzalas, i sous filhos tamien éran scrabizados, perpetuando la situaçon pulas geraçones seguintes.

    Nas feitorias, ls mercadores pertueses bendian principalmente armas de fuogo, tecidos, ferramientas de fierro, augardiente i tabaco, adquirindo scrabos, pumienta, marfin i outros perdutos.

    Até meados de l seclo XVI, ls pertueses possuían l monopólio de l tráfico de scrabos. Depuis desso, mercadores franceses, houlandeses i angleses tamien entrórun ne l negócio, anfraquecendo la partecipaçon pertuesa.

    Gilberto Freyre comenta:

    «L Brasil naciu i creciu eiconómica i socialmente cul açucre, antre ls dies binturosos de l palo-de-tinta i antes de las minas i l café l tenéren ultrapassado. Efetibamente, l açucre fui base na formaçon de la sociadade i na forma de família. La casa de angeinho fui modelo de la fazenda de cacau, de la fazenda de café, de la stáncia. Fui base dun cumplexo sociocultural de bida».

    Houbo angeinhos inda nas capitanias de San Bicente i de l Riu de Janeiro, que cobrian cien lhéguas i coubírun ambas la Martin Afonso de Sousa. Este recebirie l apoio de Juan Ramalho i de sou sogro Tibiriçá. Ne l Riu, funcionaba l angeinho de Rodrigo de Freitas, nas bordas de la lagona que hoije lheba sou nome. Al antrar l seclo XVII, l açucre brasileiro era perduto de amportaçon ne ls portos de Lhisboua, Antuérpia, Amsterdana, Roterdana, Hamburgo. Sue porduçon, mui superior a la de las ilhas pertuesas ne l Atlántico, supria quaije to la Ouropa. Gabriel Soares de Sousa, an 1548, comentaba l lhuxo reinante na Bahia i l padre Fernon Cardin saltaba sues capielhas magníficas, ls oubjetos de prata, las lhautas refeiçones an louça de la Índia, que serbia de lhastro ne ls nabios: «Parécen uns cundes i gastan muito», reclamaba l padre.

    An meados de l seclo XVII, l açucre produzido nas Antilhas Houlandesas ampeçou a cuncorrer fuortemente na Ouropa cul açucre de l Brasil. Ls houlandeses tenien aperfeiçoado la técnica, cula speriéncia adquirida ne l Brasil, i cuntában cun un zambolbido squema de transporte i çtribuiçon de l açucre an to la Ouropa. Pertual fui oubrigado a recorrer a la Anglaterra i assinar dibersos tratados que afetarian la eiquenomie de la quelónia. An 1642, Pertual cuncediu a la Anglaterra la posiçon de “nacion más faborecida” i ls comerciantes angleses passórun a tener maior acesso al comércio quelonial. An 1654 Pertual oumientou ls dreitos angleses; mas poderien negociar diretamente bários perdutos de l Brasil cun Pertual i al alrobés, scetuando-se alguns perdutos cumo bacalhau, bino, palo-brasil). An 1661 la Anglaterra se cumprometiu a defender Pertual i sues quelónias an troca de dous milhones de cruzados, oubtendo inda las possessones de Tánger i Bombain. An 1703 Pertual se cumprometiu a admitir ne l reino ls panhos de l lhanifícios angleses, i la Anglaterra, an troca, a cumprar binos pertueses. Data de la época l famosíssimo Tratado de Methuen, de l nome de sou negociador anglés, ó tratado de l Panhos i Binos. Na época, sastifazie ls antresses de l grupos dominantes mas tenerie cumo cunsequéncia la paralisaçon de la andustrializaçon an Pertual, canalizando para la Anglaterra l ouro que acababa de ser çcubierto ne l Brasil.

    Formaçon de l stado brasileiro (an berde scuro) i de l países sul-amaricanos zde 1700.

    Ne l nordeste brasileiro se ancontraba la pecuária, tan amportante pa l domínio de l anterior, yá que éran proibidos ganados de ganado nas fazendas lhitoráneas, cuja tierra de massapé era eideal pa l açucre. Studa-se bien l açucre ne l iten dedicado a la ambason houlandesa.

    La cunquista de l serton, poboado por dibersos grupos andígenas fui lhenta i se debiu muito a la pecuária (l ganado abançou al lhongo de l bales de l rius) i, mui más tarde, a las spediçones de l Bandeirantes que benien prear índios para lhebar para San Paulo.

  • 31. Y  |  03/11/2010 às 15:37

    chau, hasta la pruóxima, pobo!!!!!!

  • 32. Observador  |  03/11/2010 às 16:55

    Um detalhe é que o sobrenome pode ser italiano, mas ela é paulista, a garota. E a maioria dali é paulista.

    Necessário observar que a Dilma perdeu por um ponto percentual aqui no RS, ou seja, é uma falácia essa do “o sul é meu país”.

    E por uma simples coincidência tu, que fala em preconceito, é o que mais propalava preconceito, inclusive contra os daqui do sul.

    Acho que agora tá explicado quem era o PT RS que apareceu por aqui, há uns dias atrás, com papo de Dilma gaúcha, colorada, etc

  • 33. Y  |  03/11/2010 às 17:02

    nunca falei NADA da Dilma aqui, se falaram, foi com meu nome… sério mesmo, nunca falei nada aqui sobre política.

    como disse, há MESES não comentava aqui… se foi, alguém usou meu nome de uma letra.

    rafael botafoguense tá de prova, eu SUMI da Internet por um tempo.

  • 34. Y  |  03/11/2010 às 17:05

    hahahaha… eu até pensei em vir aqui na época de eleição, mas já tava perturbando em outro lugar, num blog com mais views… hehehehe.

    não tenho mais tempo pro Impedimento, tô numa missão moralizadora em outro blog.

  • 35. Felipe (o catarina)  |  03/11/2010 às 17:41

    “fico triste ao ver que o fodebol tem hoje ídolos como kaka e cristiano ronaldo, que batem punheta de luva pra não sujar a mão.”

    huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!ahuahuahksankjandknsknmdclamolcm!

    e digo mais: ahahahaahahjsahjhshajkhdhsjkdhjkshdfkjshdkhskh!

  • 36. Eduardo  |  03/11/2010 às 20:41

    #18 RB, tens toda a razão… agora imagina se ele tivesse feito alguma coisa naquela copa hehehe .
    aliás, se não me engano ele fez gol na primeira partida…
    talvez seja isso 🙂

    ps. o outro “eduardo” aí não sou eu…

  • 37. Adam Haas  |  03/11/2010 às 20:51

    Vamos e venhamos, aquele futebol dos anos 60 e 70 não permite qualquer comparação com os anos 80 em diante. Assistam algum video da copa de 70, os beques parecem um bando de zumbi olhando a bola, e o número 5 na camisa nao representava nada mais do que um algarismo arábico. Tinha lateral com camisa 5, o que é inadmissível. Isso quando nao davam uma baforida num cigarrinho no vestiário (oi Gérson).
    Queria ver o Pelé (que o maior sim de seu tempo) encarar o que o Maradona encarou, aquela zaga e meio campo germânico da copa de 86.

  • 38. col  |  03/11/2010 às 21:41

    #37,

    Se minha voh tivesse rodinhas seria uma cadeira de rodas.

  • 39. rafael botafoguense  |  03/11/2010 às 21:45

    36. pode crer,fez gol sim.

    37. acho o contrário. nessa época antiga os zagueiros me parecem ser mto mais carniceiros huahauahua… pelo menos na libertadores o período mais obscuro é cheio de história sinistra.

  • 40. Junior II  |  04/11/2010 às 23:20

    Maradona é meu maior ídolo no futebol !!!!

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