O ‘big stick’ da grana

02/11/2010 at 10:27 19 comentários

De olho nas efígies de George Washington pintadas de verde e com a inscrição “100 dólares” ao lado, Nicolás Leóz declarou ao site da Major League Soccer que as portas da Conmebol estão abertas para a inclusão dos times norte-americanos na Copa Libertadores. Sabemos que as fronteiras da Conmebol são mais flexíveis que a Avenida Sarandí, como mostram o Japão na Copa América, a Suruga Bank e os mexicanos azucrinando as competições todo ano. O movimento de Leóz é mais um em direção à grana estadunidense, ação que já havia fracassado em 1998 e que desconsidera o fato de que antes da América do Norte existe uma série de países onde também se pratica futebol.

Antecedentes
Era uma vez uma Copa Pan-Americana, que teve uma edição peculiar na qual o Vasco enfrentou e perdeu para o DC United. Era o campeão da Libertadores contra o campeão de futebol dos EUA. Deveria antecipar a Copa Sul-Americana, mas não ocorreu:  os americanos prometeram em 1999 que entrariam, mas caíram fora e a Copa Mercosul acabou sendo mantida até 2001.

Desde então, são muitos os flertes da Conmebol para que a MLS repense a sua alternativa, mas os convites sempre diziam respeito à Sul-Americana, cujas cotas de TV nunca atraíram os dolarizados americanos – até por que encarar viagens de 15 horas de avião para enfrentar os reservas do Atlético-MG não deve ser lá muito edificante. Agora, parece que Leóz dá um passo adiante, ao abrir as portas da Libertadores.

Ampliando a confusão
Para variar, Leóz esquece do essencial: nunca a grana vai ser completa e irrestrita enquanto as confederações forem diferentes.  A Federação Mexicana, com a crise da gripe suína, já mostrou irritação com o fato dos clubes mexicanos jogarem uma competição na qual a FMF não tem representatividade, ou seja: cabe aos times da terra de Speedy González aceitarem os termos escritos pelos 10 países sul-americanos, e só.

Com a inclusão dos times dos EUA, essa confusão tende a aumentar. Os mexicanos devem se unir aos americanos nas demandas e elas devem ir além da parte financeira. Dificilmente a Conmebol sustentará a posição de não considerar o poder de voto dessas confederações, causando um mal-estar entre os seus filiados.

Ao invés de construir gambiarras, o certo seria uma ampla negociação com a Fifa para uma Confederação Americana de Futebol, unindo tudo que está sob o guarda-chuva do continente e abrindo a Libertadores também para o Saprissa da Costa Rica, o Motagua de Honduras e o Police Force de Trinidad e Tobago. Mas para isso, não poderia ser a Confederação de Futebol e Remendos de Nick Leóz.

O que deve acontecer
Não me surpreenderia se a inclusão dos times da MLS na Libertadores ocorresse já em 2011, como forma de evitar a provável confusão que ocorrerá com a inclusão do campeão da Sul-Americana. Provavelmente a Conmebol arranjaria alguma justificativa para ampliar a Interliga – que já é disputada nos EUA – e acrescentar uma ou duas equipes ianques que levariam vagas na Pré-Libertadores.

Essa seria a decisão mais estúpida, mas sabemos que a Conmebol adora esse tipo de coisa. Uma decisão um pouco mais razoável seria acrescentar os americanos em um torneio paralelo próprio, como é no México – os campeões vão para a Concachampions, os outros melhores vão para a Libertadores. Seriam mais equipes subvalorizando o torneio mais importante da América do Sul.

Enquanto a unificação total não é encontrada, devido aos interesses das próprias federações da Concacaf (que não querem arriscar perder vagas garantidas na Copa do Mundo), as gambiarras continuarão sendo feitas e ninguém terá coragem de adotar a prática do ‘dá ou desce’. Segue o grande porrete da grana espancando a racionalidade nos torneios sul-americanos.

Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos

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19 Comentários Add your own

  • 1. Felipe (o catarina)  |  02/11/2010 às 10:54

    “O movimento de Leóz é mais um em direção à grana estadunidense, ação que já havia fracassado em 1998 e que desconsidera o fato de que antes da América do Norte existe uma série de países onde também se pratica futebol.”

    chamem-me de louco, mas eu sempre quis que Guiana e Suriname (a Guiana Francesa também, se existir futebol lá) entrassem na Conmebol.

    “Era uma vez uma Copa Pan-Americana, que teve uma edição peculiar na qual o Vasco enfrentou e perdeu para o DC United. Era o campeão da Libertadores contra o campeão de futebol dos EUA”

    uma pequena correção: era a Copa Interamericana, disputada desde a década de 1960 (com algumas interrupções) entre os campeões dos dois continentes. http://es.wikipedia.org/wiki/Copa_Interamericana

    “Ao invés de construir gambiarras, o certo seria uma ampla negociação com a Fifa para uma Confederação Americana de Futebol, unindo tudo que está sob o guarda-chuva do continente e abrindo a Libertadores também para o Saprissa da Costa Rica, o Motagua de Honduras e o Police Force de Trinidad e Tobago. Mas para isso, não poderia ser a Confederação de Futebol e Remendos de Nick Leóz.”

    concordo. O problema, claro, seriam as enormes distâncias. Imaginem o Rampla Juniors tendo que fazer rifa pra pagar viagem de Montevidéu pra Vancouver… O lance seria regionalizar as disputas nos torneios interclubes, mas aí nós sairíamos perdendo. Me agrada a ideia de uma confederação única, mas tem esses probleminhas aí.

    acho que seria interessante ter uma Copa América com 16 seleções, sistemas de Eliminatórias como a Europa (desculpem escrever palavrão) e tal. Daria mais competitividade. Hoje, para ingressar na Copa América, basta existir na Sudamérica ou ser de outro continente mas com grana suficiente para convencer a Conmebol.

    “Enquanto a unificação total não é encontrada, devido aos interesses das próprias federações da Concacaf (que não querem arriscar perder vagas garantidas na Copa do Mundo)”

    aí é que tá. Se esses caras da Concacaf pensassem só no ganho técnico pra eles (que, obviamente, é a última coisa que eles pensam), viriam correndo se juntar à Conmebol. Eles têm vaga garantida na Copa, OK, mas e…?

    O México disputa todas as Copas e nunca deixou de ser uma seleção fraca, frangote e inútil, que vai lá só pra participar. Jogando Eliminatórias mais “porrada”, contra Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Colômbia, etc., poderia, como dizem, “evoluir”, nem que isso custasse deixar de ir a uma Copa de vez em quando.

  • 2. FERN  |  02/11/2010 às 11:00

    uma PREGUNTA que sempre me fiz, foi pq diabos o gr~emio nunca tentou??? a oficialização de sua PANCUP 1983… certo que a COMEBOLA nos daria de pronto tal referendo, que de fato merecemos!!!

  • 3. Luís Felipe  |  02/11/2010 às 11:01

    Felipe, para mim, a confederação é quem deveria pagar as viagens.

  • 4. Mano  |  02/11/2010 às 11:45

    Benjamin Franklin, LF.

  • 5. Logan  |  02/11/2010 às 11:50

    Rapaz, se for lucrativo, eles colocam até o MADRE DE DEUS (sim, existe um time com esse nome) pra disputar a Libertadores com direito até a entrar já na semifinal, ou, sei lá, o KAISER CHIEFS.

  • 6. col  |  02/11/2010 às 11:53

    Inter e Gremio perderiam, no minimo, 20 horas entre a porta do vestiario em Porto Alegre e a chegada em algum hotel em LA caso o jogo fosse contra o Galaxy. Mais 20 horas na volta para Poa…

    Acho bem complicado.

  • 7. Rafael  |  02/11/2010 às 14:19

    Poderam existir eliminatórias para a copa do mundo, com grupos. Queria ver o Mexico apanhar do Uruguai e ver os sacodes de Brasil e Argentina em Jamaica, Trinidad, Haiti…

  • 8. Luís Felipe  |  02/11/2010 às 15:42

    Mano, eu só queria demonstrar que nunca vi uma nota de cem dólares, shshs

  • 9. rafael corinthiano  |  02/11/2010 às 21:38

    também acho complicado essa questão da distância.
    como o col falou, são 20 hora de POA para LA, imagina se aparece um time de seattle ou vancouver, fica impraticável.

    acho que tem outra coisa também, emissoras americanas que comprassem os direitos de transmissão também poderiam alterar os horário das partidas, como faz a globo?

  • 10. douglasceconello  |  02/11/2010 às 21:57

    Sou a favor de o campeão da Concacaf no máximo ganhar uma vaga na fase preliminar do campeonato ACREANO.

    Mas sério. Como a distância parece ser um obstáculo instransponível, entre outros, sou a favor de retroceder e correr essa PANGAREZADA da Libertadores.

  • 11. Álisson  |  03/11/2010 às 09:44

    A solução simples é: SEM estadunidenses, SEM mexicanos.

  • 12. Sancho  |  03/11/2010 às 11:03

    Sou a favor de entrar todo mundo, mas ou entra todo mundo ou não entra ninguém. O Cunegundes pode explicar melhor essa ânsia de querer colocar só a cabecinha…

  • 13. Sancho  |  03/11/2010 às 11:16

    Re 6

    Col,

    Depois que os 49ers mandaram um jogo oficial em LONDRES, tudo é possível…

  • 14. Cunegundes Hernandes  |  03/11/2010 às 12:47

    não pode entrar só a cabecinha, sancho, lembrando sempre que pinto não tem ombro, quack

  • 15. Guto  |  03/11/2010 às 12:58

    Viajar para os EUA é mto mais fácil do que jogar contra times na Bolívia, por exemplo. O desgaste de uma viagem para Bolívia, incluindo longas viagens de ônibus, é mto maior do que uma viagem de 20h pra os EUA. Isso não seria tão problemático assim não…

    A questão é fazer um calendário decente para um campeonato desse porte.

    Eu, sinceramente, não sou a favor. Queria é que tirassem esses infiltrados do México, não encher mais de times endinherados com nível de tititica.

  • 16. Caco  |  03/11/2010 às 13:33

    O grande problema é que o pentágono não iria liberar o visto para 20 bolivianos ou venezuelanos entrarem de uma vez na terra do Titiu Sam.
    Acho que o Lula devia intervir para promover a integração do Mercosul com o Nafta, a Alca e tudo mais promovendo uma suruba socioeconômica-futebolística. Só assim teremos um mundo globalizado e melhor prasseviver.

  • 17. Cunegundes Hernandes  |  03/11/2010 às 14:59

    a copa libertadores tinha que ter 16 clubes só, mata mata desde o inicio, aí ia ser o filé, todos os países da comebola representados. quack

  • 18. arbo  |  03/11/2010 às 15:42

    maldito futebol clube. vi ontem e gostei.

  • 19. Sancho  |  03/11/2010 às 17:33

    Re 16

    Venezuelano não precisa de visto. Sai de Caracas e entra nos EE.UU. sem ninguém perguntar nada…

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