A força alba que quebrou a monotonia

28/09/2010 at 13:04 17 comentários

Está chegando a hora em que respingam por todos os lados as listas de grandes times do ano e da década e já nos preparamos para a habitual e SALOBRA discussão entre brasileiros, argentinos, gaúchos, paulistas, emos e golpistas. Neste momento, é bom não esquecer que, não tão distante do Boca Juniors, indubitável Rei de Copas, ou de São Paulo e Internacional, os mais salientes em língua portuguesa, surge no NOROESTE do continente a portentosa falange azucena da Liga Deportiva Universitaria.

Ainda que tratada de forma MARGINAL pela opinião pública, o time albo não deixa espaço para réplicas quando abre a carteira e desenrola o vasto cartel de títulos que embolsou nesta década, transmutando-se não apenas em uma das principais agremiações de Sudamerica como no clube mais copeiro da história do futebol equatoriano.

Pode haver grito e esperneio de barcelonistas e outros, mas ninguém pode negar que a Liga consagrou-se como o primeiro elenco do país a levantar um torneio contiental. E o fez por duas vezes consecutivas, na Libertadores de 2008 e na Sul-Americana de 2009, em ambas as ocasiões contra o Fluminense, que não conseguiu evitar o duplo tombo e o consequente beijo no asfalto provocado primeiro por Cevallos, doutor na disciplina de atucanação nas cobranças de pênaltis, que colocou os milhões de metros cúbicos de concreto e toda a mística do Maracanã em seu bolso, e depois por Bieler, aquele atacante fuinha que só soube jogar na Casablanca.


Onde os liguistas realmente sentem-se em casa

Além dos triunfos MAIÚSCULOS, a esquadra liguista ainda levantou cinco campeonatos nacionais – em toda sua história são nove – e pode dar um tapa na mesa e gritar que é bicampeã da Recopa (em 2009 contra o Internacional, em 2010, há poucos dias, contra o Estudiantes), ainda que de fato esse seja um argumento válido apenas para momentos de bebedeira. Também é possível desafiar qualquer pessoa que OUSE afirmar não ter a LDU feito um papel decente no Mundial de clubes de 2008, quando foi derrotada por 1 a 0 para o todo frescalhão Manchester, sendo que MANSO ainda esteve por roubar as joias da Rainha em um punhado de vezes.

Como era de se esperar, os liguistas, fundados em 1930 sobre um EMBRIÃO que datava de 1918, o Universitario, não acordaram assim, numa bela e EQUATORIAL manhã, e decidiram: “ganharemos”. Desde o início do DECÊNIO o clube vinha angariando boas participações nos torneios sul-americanos, mantendo uma espinha dorsal de time – nomes como Urrutia, Vera, Mendez, Palácios, Ambrossi, Bolaños, Reasco e Guerrón mantiveram-se por temporadas -, e ficava claro que BELISCARIA uma bundinha mais gorda com o passar dos anos.

Sempre apostou em um futebol de velocidade, com meias e atacantes habilidosos e chutadores, provando que no futebol o Equador é a Nova Colômbia, e trocava pouco de técnico: começou com Juan Carlos Oblitas, depois ou era Edgardo Bauza, ou Jorge Fossatti (eterno). A Liga só não participou de duas edições da Sul-Americana, em 2002 e 2007.  Além disso, enfileirou seis participações consecutivas na Copa Libertadores, de 2004 a 2009, e mesmo quando caiu nas oitavas-de-fina (em 2004 e 2005, para Santos e River) aprontou um pandemônio antes de ceder a classificação.


Me chama de Delgado

Presidido por Carlos Arroyo, o clube conta com uma infraestrutura de causar inveja a OSCAR NIEMEYER. Além do belíssimo estádio Casablanca, inaugurado em 1997, com capacidade para 55 mil pessoas, conta com centro de treinamento, alojamento para categorias de base, escolinhas em todo o país e até um COLÉGIO de fato – o primeiro de um clube equatoriano. É muita cátedra, literalmente.

Não hesito em considerar o feito dos DOCTORCITOS ainda mais notável que o dos clubes brasileiros e argentinos neste período de dez anos, pois trata-se de uma agremiação ORIUNDA de uma praça historicamente sem representatividade como o Equador.  Mas hoje tornou-se impossível delinear o horizonte no futebol sul-americano sem vislumbrar a cabeça de LA BORDADORA surgindo ALTANEIRA por trás das cordilheiras.

Vídeos

Libertadores 2008
Primeiro jogo, em Quito
Segundo Jogo, no Rio de Janeiro
Penais fatais

Sul-Americana 2009
Primeiro jogo, em Quito
Segundo jogo, no Rio de Janeiro

Saudações,
Douglas Ceconello.

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Entry filed under: Clubes, Pela América.

Quando deuses andavam sobre a Terra Por una cabeza

17 Comentários Add your own

  • 1. Francisco Luz  |  28/09/2010 às 13:18

    Bah, Cecco, o melhor vídeo do título da América vai ser sempre esse aqui:

    Narração sensacional demais.

  • 2. Ernesto  |  28/09/2010 às 13:28

    HAhahahahhahaha. Os textos linkados são sensacionais.

    Beijo no asfalto: ” Aqueles bastões em forma de PALITO que a torcida do Fluminense empunhava só podiam ser um mau presságio. A confirmação da noite dos agouros veio logo aos 5 minutos, quando Guerrón chamou no cambalacho e cruzou na medida para um loko entrar fuzilando. Mas o time de Renato Gaúcho não se mixou e logo empatou em belo golo de Thiago Branca de Neves.”

  • 3. arbo  |  28/09/2010 às 13:54

    os próximos serão LaU de chile e sua torcida apassionada

  • 4. Junior  |  28/09/2010 às 13:59

    Que legenda, heinhô Batista.

  • 5. rafael botafoguense  |  28/09/2010 às 14:08

    TIME GAUCHE, ETERNO AGRADECIMENTO!

    RB TE APLAUDE

  • 6. matheus  |  28/09/2010 às 14:33

    finalmente…

  • 7. Sancho  |  28/09/2010 às 14:37

    E Recopa 2010, hein, ô, Bastista?!

  • 8. Sancho  |  28/09/2010 às 14:38

    Nenhum vídeo?!

  • 9. Junior  |  28/09/2010 às 15:19

    Sancho, não é “hein, ô, Batista. O filósofo pós-moderno Paulo Brito fala tudo junto: “heinhô Batista”, rfghhjghj.

  • 10. dunga  |  28/09/2010 às 21:07

    ldu é mais copeira q muito time grande por aí…mais respeito. E q morena, cruzes

  • 11. LDU>>>>>corintians  |  28/09/2010 às 23:49

    LDU, tem liberta, tem sula, e o corintians nunca viu……

    LDUmuito>>>>>>corintians

  • 12. Albo (gaúcho, não equatoriano)  |  29/09/2010 às 01:19

    Os “LDUanos”, de fato, têm a camisa branca mais vencedora da história da América do Sul.

    Depois do São Paulo, Santos, Nacional e River Plate.

  • 13. Felipe (o catarina)  |  29/09/2010 às 08:10

    talvez possamos dizer que a Liga é o maior clube da parte Norte (Bolívia pra cima) da América do Sul.

  • 14. Rafael  |  29/09/2010 às 11:23

    Nacional de Medellín e América de Cali são mais tradicionais que a Liga…..mas aqui voltaremos ao velho debate “o que seria mais importante? apenas títulos recentes ou história e tradição?”….o Once Caldas e a Liga não são maiores que os grandes brasileiros e argentinos que nunca ganharam a Libertadores, na minha opinião….

  • 15. albo  |  30/09/2010 às 10:45

    Mas o único grande brasileiro que não ganhou a copa é o Corinthians. Botafogo, Fluminense, Atlético/MG não estão no mesmo patamar dos campeões da América + Corinthians… talvez o Galo tenha mais tradição, mas isso não se traduz em títulos. Botafogo é tradicional, Fluminense, for all I care, é como Libertad, Once Caldas ou Liga – clubes de tamanho médio em nível internacional com certo aporte financeiro ou influência política extraordinária.

  • 16. Júnior Martins  |  30/09/2010 às 12:18

    Da série “Comentários Proféticos”:

    Gabriel | 03/07/2008 at 08:53

    A melhor parte do jogo foi o guerron metendo o gol e mandando a torcida calar a boca…

    Agora ele vai pra espanha, passa meio ano, ninguem utiliza o cara direito e ele volta pra cá…

    ..
    Sábias palavras…

  • 17. Pedro Correia  |  27/10/2010 às 18:21

    Brutal: http://www.youtube.com/watch?v=bkujiKPPoTI

    😀

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