Impedimento

Remendo feio, mas não furado

A Confederação Sul-Americana de Futebol e Remendos lançou na quarta um confuso comunicado que anunciou o fim do G-4 no campeonato brasileiro, pelo menos enquanto não anulam a Copa Libertadores do Internacional. O remendo no regulamento é uma iniquidade, tão próxima do sorteio de grupos e do início do campeonato, mas a origem desse remendo está na vaga dada ao campeão da Sul-Americana e no maldito homem que inventou a matemática e a necessidade de números pares – e acreditem, a Conmebol tomou uma das opções menos drásticas.

G3 ou “coisas que só acontecem com o Botafogo”
Quem é bem informado sabe, quem só lê o Impedimento vai saber. Quando o campeão da Libertadores é brasileiro, não há a quarta vaga do Brasileiro. Quando o Botafogo ocupa a quarta vaga, menos ainda, embora dessa vez seja apenas coincidência. O Brasileiro deste ano dará apenas três vagas para a Libertadores. Em um contexto bizarro, essa terceira vaga poderá ir para o sexto colocado: se Santos, Inter e o campeão da Sul-Americana ocuparem a terceira, a quarta e a quinta posição, não necessariamente nessa ordem. Com a vaga extra, poderia ser o sétimo.

Considerar que a Conmebol valoriza a mediocridade é correto, mas ela já fez isso quando permitiu ao campeão da Copa Suda ganhar a vaga na América. A ameaça que fez a Conmebol acabar com o G4, porém, tem nome e sobrenome: a forte possibilidade de sete brasileiros jogarem a Libertadores. Os quatro do Brasileiro, o Santos, o Inter e um possível campeão da Sul-Americana.  Sendo assim, a limitação ocorreu em 5, 6 se o sexto for o campeão da Suda.

A ameaça também tem número: 39. Ou a vaga da Sul-Americana sairia de algum lugar, ou a Libertadores do próximo ano teria 39 clubes, o que é um número impossível de lidar: como fazer 7 times jogarem a preliminar por quatro vagas?

Mas então, por que não fazer do jeito certo?
O ‘jeito certo’, no caso, seria tirar a vaga da federação quando o campeão saísse da Copa Sul-Americana, e não da Libertadores. Uma federação não poderia ser “punida” por ter um time campeão da Libertadores, que é o maior dos títulos da Conmebol.

O que impede a Confederação de Remendos de tomar essa atitude é o calendário. O campeão da Sul-Americana sai no início de dezembro, com todos os campeonatos que classificam para a Libertadores definidos ou próximos do seu final. Já está definido, por exemplo, que Peñarol, Nacional e Liverpool jogam a Libertadores do próximo ano representando o Uruguai – imaginem se o Defensor ganha a Copa Suda e elimina o Liverpool.

Pior ainda: imaginem o Botafogo (sempre ele!) garantido em quarto lugar, sem chances de chegar ao terceiro, e o Palmeiras na final da Copa Suda. A vitória do Palmeiras em outra competição eliminaria o Botafogo da Libertadores. Chegaríamos ao absurdo de ver um time pagando mala branca para uma equipe de outro país vencer a competição, por exemplo.

O cenário definido pela Conmebol, apesar disso, também permite este cenário em alguns países. Voltando ao Uruguai, que decide as vagas da Libertadores 2011 em julho de 2010: se o Cerro fosse campeão da Libertadores, o Liverpool também seria eliminado, mesmo já tendo conquistado a vaga. O que também daria margem para uma incrível guerra de liminares, afinal, todos os regulamentos de campeonatos preveem os destinos dados às vagas.

Ferrar com os mexicanos: a solução
Quem acompanha o Impedimento sabe que qualquer tentativa de ferrar com os mexicanos na Liber é geralmente considerada válida. Porém, neste caso, tirar uma das três vagas destinadas ao México poderia ser a melhor solução possível.

Primeiro motivo: o México só define os seus classificados para a Liber na Interliga, que acontece em janeiro. Seria mais simples, assim, dar apenas duas vagas para o país, ambas definidas neste torneio, abrindo novamente a vaga do campeão da Libertadores sem precisar rasgar nenhum regulamento de competição nacional no meio do caminho.

E as possíveis sete vagas para um só país? É simples: o campeão da Sul-Americana vai para a fase preliminar da Libertadores e enfrenta, necessariamente, o representante do seu país naquela fase. Se o Palmeiras fosse campeão, por exemplo, pegaria o quarto colocado do Brasileiro, que já está na pré-liber. Dessa forma, nunca sete times do mesmo país chegam à fase de grupos – no máximo, 6.

Até a vitória,
Luís Felipe dos Santos