Notas do Ascenso (2)

04/08/2010 at 12:00 12 comentários

Após resgatarmos os feitos do Ferro Carril Oeste, mais Ascenso por aqui. Agora é a vez do Chacarita Juniors, outro dos times ditos menores de Buenos Aires que já esteve, em algum momento da sua existência, no mais alto escalão futebolístico da Argentina. A pesquisa, que trata dos cinco clubes da Grande Buenos Aires na Nacional B, teve grande colaboração de Pablo Picotto, redator do flamante blog portenho La Redó.Antes do Chaca, vale um parágrafo de Picotto. Pedi para que ele organizasse em um ranking a grandeza dos cinco clubes abordados – Ferro, Chacarita, Defensa y Justicia, Deportivo Merlo e Almirante Brown – e o que cada quadro representa para Buenos Aires. A ordem, segundo Picotto, seria: 1) Ferro; 2) Chacarita; 3) Almirante Brown; 4) Defensa y Justicia e 5) Deportivo Merlo.

¿Explicación? Ferro y Chacarita tienen mucha historia en la “A” (con dos y un título respectivamente), mientras que Brown es un histórico de la segunda división y hasta ahora nunca pudo jugar en primera categoría. Por su parte, Defensa empezó a competir recién en 1978 -en cuarta división-, aunque siendo un club de pocos recursos e hinchada, de los últimos 25 años pasó 21 jugando en el Nacional B. Por último, Merlo es un club muy pequeño comparado con los otros cuatro, y si bien jugó durante 2009/10 en segunda división -y jugará también la próxima-, es un histórico de la tercera y cuarta categoría de la Argentina.

Club Atlético Chacarita Juniors

Nos arredores do Cemitério da Chacarita, o maior da capital, onde deitados estão personalidades portenhas do naipe de Carlos Gardel, Alfredo Le Pera, Osvaldo Soriano e Adolfo Pedernera, nasceu um clube que desde o primeiro suspiro mostrou-se descontente com o mundo. A começar porque foi fundado por jovens socialistas em um primeiro de maio, o de 1906. O Chacarita Juniors, o tricolor, o funebrero, é um dos quadros que ostentam no escudo uma estrela de primeira divisão – e pode ser visto como, metaforicamente, uma alternativa de esquerda para as tradicionais paixões futebolísticas do país.

História

Após fundarem o Chaca, coube aos militantes encontrar uma camiseta que representasse o sentimento da época e do meio – para tanto, optou-se pela simbologia das cores. Conta a lenda que o Chacarita veste preto em função da proximidade do grande cemitério, vermelho pela tendência socialista dos seus primeiros sócios e branco pela pureza (?) dos seus idealizadores. Por mais que o último item soe como falso, são valores de uma época que, por agora, faz pouco sentido aos que a acessam.

Para os que acompanham o funebrero há poucos anos, o oscilar entre as divisões pode dar uma ideia de time que jamais se firmou na elite futebolística. A verdade é que desde o amadorismo o Chacarita foi um clube de primeira divisão – e se manteve na máxima categoria quando da transformação ao profissionalismo, ocorrida em 1931. Do início da década de trinta até 1979 – período de quarenta e tantas temporadas – o tricolor só esteve na segunda divisão em quatro delas. Em 79, houve a queda que dificultou todo um futuro, mas os anos passados entre os grandes foram de histórias, peleias e títulos, como o maior de todos, logrado em 1969.

No Metropolitano daquele ano, o regulamento previa, no início, uma divisão dos vinte e dois clubes em duas chaves de onze. Da primeira, empatados em pontos, saíram Boca Juniors  e Chacarita para as semi-finais, em que enfrentariam respectivamente River e Racing. O 0-0 naquele superclásico levou o River para a final, já que os de Nuñez haviam marcados mais gols na fase classificatória. O Chacarita, sempre menos formal, desprezou por completo o regulamento e mandou aquele brilhante Racing embora com um 1-0.

Quando da decisão, marcada para a cancha do Racing, sessenta e cinco mil pessoas lotaram o Cilindro de Avellaneda. Era a grande oportunidade para o River voltar a erguer uma taça, coisa que não acontecia há doze anos. Mas, engrandecido pelo apoio de todos os fantasmas do bairro, o Chacharita decretou que todos os onze jogadores do River seriam enterrados na vala comum: o funebrero venceu por 4-1 e adiou as ganas do River até 1975 – destaques para o segundo e o terceiro gol, que podem ser vistos aqui.

Dez anos depois do título, veio a queda para a segunda divisão e, uma temporada mais tarde, para a terceira. De 1979 a 1999, foram apenas quatro temporadas na Primera, sempre entre acessos e descensos que mais de uma vez alcançaram a “C”. Não havia mais resquício do Chacarita campeão que goleou o River Plate na decisão. No entanto, permaneceu na elite de 99 até 2004, mesmo que sem brilho. Houve outro acesso em 2009, mas novo rebaixamento na última temporada. E lá vem o Chacarita querendo movimentar as divisões do futebol profissional argentino.

Canchas e rivalidade

Curiosamente, o maior derby do Chacarita está justamente ligado a um estádio. Pela proximidade entre os bairros Chacarita e Villa Crespo, a maior rivalidade se dá com o Atlata, que hoje padece na terceira divisão. A coisa enfeiou quando, em 1945, o Atlanta pagou uma dívida dos tricolores relativa ao terreno do seu estádio e fincou a bandeira no lugar. A empreitada mafiosa dos de Villa Crespo transformou o que era um clássico das redondezas em uma questão de inimigos que dura até hoje. Sem casa ou terra, o Chacarita teve de se mudar a San Martín, localidade dez quilômetros distante do centro da capital.

Por lá, construiu um estádio de madeira que, reforma após reforma, durou até 2005 – quando veio abaixo para dar lugar a construção da nova cancha. A demorada obra só terá fim em janeiro de 2011 e a nova cancha irá abrigar vinte e cinco mil torcedores – até lá, o Chacarita age como uma alma errante. Às vezes se faz local no estádio do Almagro, outras no do Estudiantes de Caseros. Para a Nacional B ainda não há lugar definido para mandar as partidas na luta por mais um acesso.

Saludos,
Iuri Müller
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12 Comentários Add your own

  • 1. 13  |  04/08/2010 às 13:56

    Só notas mesmo…

  • 2. Francisco Luz  |  04/08/2010 às 16:00

    Chacaritas, se não estou muito enganado, é o time para o qual torce JAVIER CASTRILLI, adorado pelos torcedores da Portuguesa.

  • 3. TWINTER  |  04/08/2010 às 16:47

    Bomba: Tinga sofre crise aguda de cálculo renal e desfalca o Inter no jogo de 5a feira.

  • 4. J Petry  |  04/08/2010 às 16:59

    Se não for o Arbo, é um COPYCAT.

  • 5. Luís Felipe  |  04/08/2010 às 17:21

    grande trabalho, Iuri.

  • 6. douglasceconello  |  04/08/2010 às 17:22

    Cara, estes textos do Iuri sobre o acesso estão sensacionais.

    Muita vontade de ROTEIRIZAR cada um deles.

  • 7. Luís Felipe  |  04/08/2010 às 17:38

    sim, cara.

    a cena dos BOHEMIOS ensandecidos fincando a sua bandeira e jogando notas promissórias para o ar para desalojar um rival é fantástica.

  • 8. rafael botafoguense  |  04/08/2010 às 19:06

    torcida porradeira,time simpático.

  • 9. arbo  |  04/08/2010 às 19:13

    masssssa.
    queria um desses sobre o almagro. se bem q acho q já rolou algo por aqui…

  • 10. FERN  |  04/08/2010 às 19:33

    MEODEOOOOSSS, GARDELITO ES DE TACUAREMBÓ!!!

    VEC DESTITUA O BLOG, JÁ!!!

  • 11. Matias Pinto  |  05/08/2010 às 16:04

    Le Pera nació en la Republica da Mooca…

    Aguante el 6to Grande! Vamos Chaca, carajo

  • 12. Kilo  |  10/08/2010 às 18:08

    Sensacional essas histórias sobres os “times B” da Argentina.

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