Méritos ao vencedor

02/08/2010 at 14:22 24 comentários

Corriam os 43 minutos da segunda etapa e o placar mostrava um invencível 0x0. De repente, o ataque rubro-negro é parado com falta pela retaguarda lusa-sancristovense naquele espaço entre o meio do campo e a grande área, chamado por uns de intermediária e por outros de MEIO DA RUA. Petkovic, o camisa dez da Gávea, se prontificou para a cobrança – e nesse instante quase todos os torcedores de Vasco e Flamengo e mais alguns jogadores em campo, incluindo-se o próprio sérvio, devem ter sentido um déja-vu.

27 de maio de 2001, segundo jogo da decisão do Cariocão, 43 do segundo tempo. O Flamengo vencia o jogo, não o campeonato. Faltava um gol, porque 2×1 provocava uma disputa de pênaltis contra o Vasco. Houve uma falta naquele naquele espaço entre o meio do campo e a grande área para o Urubu. Petkovic bateu no único canto onde Élton, o fantástico arqueiro cruzmaltino jamais conseguiu defender e virou mito. Esse título AINDA é a maior conquista que eu efetivamente vivi enquanto torcedor, a despeito do Brasileiro de 2009.

Mas estamos divagando, retomemos o foco.

O gringo ouviu o apito do juiz e bateu. A bola quase repetiu aquela curva impossível de 2001. E o QUASE não era suficiente para bater um inspiradíssimo Fernando Prass naquele domingo de Maracanã. Por vias tortas e que só os torcedores de ambas as agremiações puderam sentir – e jamais serão capazes de verbalizar – aquela defesa foi como se após anos de jejum e musiquinhas o lado vascaíno batesse na mesa e desse um basta. Prass não defendeu apenas a cobrança da falta, mas retomou para o Vasco da Gama o direito de cuspir sem pudores no chão e tomar satisfações na próxima vez que o Flamengo vier de troça.

Porque foi inegável – e a aparência dos jogadores ao deixar o gramado não me dizia outra coisa – que, de algum modo, o Vasco venceu o Flamengo ontem. Fernando Prass liquidou com o ataque rival sozinho sob as traves e não garantiu o empate, tão somente, o que ele fez merecia louros de vencedor.

Além da falta de Petkovic, minutos antes houve uma ofensiva que para o time da Gávea teria que soar definitiva: Juan arrancou pela esquerda e lançou Vinícius Pacheco que concluiu bem do PREPÚCIO da grande área. Prass defendeu. Teve o rebote e BORJA tirou o zagueiro Fernando de sua frente e bateu inapelavelmente no canto, para se consagrar. Prass defendeu. A bola sobrou ainda diante de Juan, que saltou feito um ARÍETE na bola de maneira febril, desesperado pelo gol. Prass defendeu. A bola sobrou ainda uma derradeira vez, entre o goleiro batido no chão, a linha do gol e o bico da chuteira de Juan, mas Prass, mesmo mortalmente ferido, ainda teve a presença de tirar a pelota dali e colocá-la para escanteio.

Se o placar eletrônico e a tabela do campeonato não concordam comigo, que vão para o inferno e se percam nas labaredas do senso comum e da razão. O goleiro do Vasco venceu solitário os 11 jogadores do Flamengo. Méritos ao vencedor.

Leandro Godinho

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24 Comentários Add your own

  • 1. Tiago Medina  |  02/08/2010 às 14:29

    Definitivo: O goleiro do Vasco venceu solitário os 11 jogadores do Flamengo. Méritos ao vencedor.

  • 2. savastano  |  02/08/2010 às 14:36

    Foi um bom jogo. Apesar de ter sido péssimo.

    Meu coração rubronegro me fez ver a bola entrando.

  • 3. Eduardo  |  02/08/2010 às 14:40

    Mano Menezes estava lá e viu tudo isso. Está na hora de se tocar que Jefferson é uma indignidade.

  • 4. Cunegundes, o mulato frajola  |  02/08/2010 às 16:19

    pintudo esse FERNANDO PRAXXXXX

  • 5. Alexandre N.  |  02/08/2010 às 16:38

    Por tudo o que fez ontem, Fernando, o Prass, agora tem todo o direito de mandar qualquer rubro-negro ir pro quinto dos infernos até o final dos tempos.

    CA-GA-LHOS!

  • 6. rafael botafoguense  |  02/08/2010 às 17:18

    mentira, DIEGO GODÍN, foi aos 48 da etapa complementar. EU VI!

  • 7. rafael botafoguense  |  02/08/2010 às 17:20

    mas se entrasse estaria certo dizer 43. só pela mística.

  • 8. Kleiton  |  02/08/2010 às 17:35

    Jogou PRASS caralho.

    [modo trocadilho infame OFF]

  • 9. Alexandre N.  |  02/08/2010 às 17:36

    #6 e #7

    Porra, RB, dá uma aliviada. O que conta é a Mística do lance…

  • 10. izabel  |  02/08/2010 às 18:01

    massa o texto!

  • 11. Carlos  |  02/08/2010 às 18:21

    Goleiro formado no gRêmio, se não estou enganado.

  • 12. Rudi  |  02/08/2010 às 18:22

    Não sei se foi formado, mas passou pelo grêmio sim

  • 13. Luís Felipe  |  02/08/2010 às 21:21

    formado pelo Grêmio sim. Foi um dos 450 reservas do Danrlei, comunidade do Orkut onde também estão Eduardo Heuser, Murilo, Sílvio e Eduardo Martini.

  • 14. Luís Felipe  |  02/08/2010 às 21:22

    mas cara, eu não consigo olhar para CRISTIAN BORJA em um time onde um dia esteve ADRIANO e levar a sério.

    me perdoem, Godo e Lila.

  • 15. Henrique  |  02/08/2010 às 22:36

    Pra mim aquele gol do Petkovic é superestimado!!!
    Nada que foi feito no campeonato carioca de uns 15 anos pra cá, vale a pena ser ressaltado, pela mediocridade da competição.

  • 16. Victor  |  02/08/2010 às 23:54

    Só corrigindo, Godo, mas se aquela final do Cariocão (sim, no aumentativo, porque foi o último estadual do Rio que mereceu ser chamado dessa forma. Depois vieram os “caixões” e campeonatos de três meses e meio) terminasse 2×1 para o Mengão, o Vasco levaria o caneco por critério de desempate (melhor campanha).

    De resto, baita texto!

  • 17. Godo  |  03/08/2010 às 12:52

    #14

    O Borja não tem a menor condição de jogar no ataque de um time profissional de futebol. Ele tem IMPOSIÇÃO física, só isso, mas nenhum talento pra receber uma bola entre 2 zagueiros e se virar nos 30 – fez falta sempre que recebia nessas condições.

    O tal do Val Baiano, então, dentro de 3 rodadas não será nem banco. Pior contratação do ano.

    #15

    Henrique, a Batalha dos Aflitos é superestimada?

    Porque você pode – e terá toda a razão – de pensar que foi um jogo da segundona onde um time GRANDE se valeu de um juiz CAGÃO pra fazer um resultado sobre um time de menor expressão (me perdoem os torcedores do Náutico, mas o Grêmio está em outro patamar).

    Eu prefiro não pensar assim e ver toda a poesia da coisa. Acho que foi realmente um feito, uma coisa rara, digna de nota. Um daqueles jogos que fazem a gente gostar ainda mais do futebol.

    #16

    Victor, bela lembrança! Grato pela informação correta!

  • 18. Henrique  |  03/08/2010 às 19:35

    # 17
    A batalha dos Aflitos é um dos maiores jogos da última década no sistema solar!!!

  • 19. Henrique  |  03/08/2010 às 19:36

    “é” pois é eterno!!!

  • 20. Henrique  |  03/08/2010 às 19:41

    tão bom quanto, mas não é valorizado como o lance do Pet, já que o Corinthians teve mais uma duzia de momentos de emoção/glória/sofrimento na última década!!!

  • 21. izabel.  |  03/08/2010 às 21:23

    golaaaaaaaaço, henrique.
    e essa imprensa bambi tinha a pachorra de tentar inverter o papel da freguesia…

  • 22. Topolski  |  04/08/2010 às 02:46

    o jogo foi horrivel, valeu só pelas duas defesas do Prass, que tava inspirado, pq toma uns gols inexplicaveis as vezes.

    Mas que diabos Borja faz na série A? Ele não merecia ser titular nem no caxias.

    E quem é o anão que faz a base da barreira do SP? O Rogério só faz o gol por causa deste.

  • 23. Henrique  |  04/08/2010 às 14:58

    O melhor é o Wright e sua cegueira/parcialidade, dizendo que a tentativa de assassinato não tinha sido falta, e o Galvão contestando ele uhashuauhsh

  • 24. izabel  |  04/08/2010 às 16:00

    sobre o wright, nem acho que seja “imparcialidade”. é uma mistura de cegueira com burrice mesmo.
    já vi várias vezes o narrador (cleber machado ou galvão) repetindo “tem certeza, wright?” e ele insistindo na burrice.

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