A quinta-feira de Nacional e Peñarol

12/02/2010 at 09:59 6 comentários

Era uma tardecita de vitória, em Montevideo. Muito havia sido preparado para aquela estreia copera. Inaugurava-se, além do futebol do Bolso na Libertadores, uma nova tribuna no Gran Parque Central – mais do que isso, um time inteiro, do técnico Eduardo Acevedo ao centroavante reserva Sebastián Balsas, forjara uma exibição sonhada no seu teste de fogo. Para vencer o Deportivo Cuenca, do Equador, e causar uma boa impressão em todo o continente, o Nacional até havia ganhado de forma irretocável um torneio Apertura. E, assim mesmo, com todo o planejamento e suor, os tricolores quase ficaram pelo caminho. Devem tudo ao empurrão do zagueiro Coates.

Vestindo um manto que beirava o sacro, de tão branco, o Nacional – que nem fiasquentos patrocínios anunciava em sua camiseta! – não pôde evitar que a palidez do seu uniforme transcendesse alguns níveis e alcançasse o seu futebol. É verdade que não podia contar com Nicolás Lodeiro, nessas horas divertindo-se em alguma esquina de Amsterdan, mas se esperava mais do escrete uruguaio nas primeiras movimentações. Como nas primeiras rodadas do Clausura atual, o time não definia bem as jogadas e foi do Cuenca o primeiro tento que o concreto da mais nova arquibancada do Gran Parque presenciou – José Granda, aos vinte e cinco, definiu que seria 0-1.

Mas havia sinalizadores demais, ilusões engrandecidas e uma diferença futebolística notória. Confiando nos excessos a seu favor no fim de tarde montevideano, o Nacional tratou de empatar no primeiro suspiro aéreo do novo tempo – de cabeça, com um minuto transcorrido na segunda etapa, Mario Regueiro igualou todas as coisas. Regueiro, que se dava tão bem com o “Nico” que se foi, tratava de achar soluções mais solitárias para o ataque tricolor. “La Hiena”, então, tardou só dezenove minutos para sacudir novamente as cordas do arco de Esteban Dreer – quase dentro do gol, o atacante aproveitou um desvio de cabeça para que o esperado triunfo se tornasse mais sólido.

O fato é que, com a proximidade da noite, os equatorianos se soltaram. Nem bem os jogadores do Nacional descansaram da prolongada comemoração, os de laranja (?) partiram em bando para a ofensiva. Na primeira infração assinalada pelo chileno Enrique Osses, John García mandou o esférico na junção das duas traves. Rodrigo Muñoz, arqueiro de reconhecidos voos, jamais alcançaria aquela pelota. Aproveitando-se da vantagem de estar de frente para a bola e amparado pela força que um prelúdio de gol provoca, Escalada foi o mais ligeiro no rebote e empatou em 2-2. E agora restavam pouco mais de vinte minutos. Seria apenas no último escanteio, como na primeira rodada da Libertadores passada, naquele mesmo – porém levemente menor – Parque Central?

As coisas só se resolveram, é bom dizer, porque o Nacional, mesmo desesperado e aflito, não foi covarde como o Newell’s Old Boys – os argentinos não puderam nem beliscar os equatorianos do Emelec: tropeçavam nos próprios pés. O Nacional não. Manejou a pelota em contato com a grama e convenceu-se, outra vez, que jogava mais. Mas não havia fluência, os beques cortavam as iniciativas de “Matute”, de Varela, de Vera e de Blanco. Então Coates, o zagueiro que poderia estar no Beira-Rio segundo as especulações do ano que se foi, empurrou todo o seu time para a área rival na base do entusiasmo. Acabou sofrendo o pênalti que Ángel “Matute” Morales encaçapou; ao fim e ao cabo, aos quarenta do segundo, houve vitória: 3-2.

***

E o Peñarol, que para os torcedores albos deveria estar longe do título do texto, o que fazia na tardecita de quinta? Provavelmente o verdadeiro, dirigido por Diego Aguirre, se preparava para o match deste sábado contra o Tacuarembó, em Montevideo. Mas as representações carboneras correm o mundo e, enquanto o Nacional lutava em sua Copa, um aurinegro, inspirado possivelmente nas cores do clube uruguaio, deslizava na lama da Segundona Gaúcha. Era o Três Passos, o TAC, que enfrentava o Riograndense em Santa Maria. Como se trata de um Peñarol apenas em aura (?), poderíamos imaginar, quiçá, Alberto Spencer e Fernando Morena dividindo as funções de ataque. O TAC, banhando-nos de realidade, mostrava Evandro Britto e Fábio Buda. Sentados no banco de reservas, ainda.

O encontro marcou a primeira vitória (1-0, gol de Fábio Alemão) do Riograndense na competição, que já mostra alguns destaques insólitos, como ocorre ano após ano. Em 2010, temporada em que os grandes clubes de Passo Fundo voltaram ao certame, a maior pontuação até a terceira rodada é a do Juventus, de Santa Rosa, que há tempos se encontrava inativo. O Brasil de Pelotas ainda não decolou e o Bagé ganha de todo mundo na primeira fase, como sempre. Entre os menores, salta o Guarany de Camaquã, que por enquanto não viu derrota – conta dois empates em duas partidas. A definição dos horários após o fim do efeito da liminar volta a ser tarefa da Federação. Para ser lembrado em tempos de Libertadores, só se vestindo de Peñarol.

Saludos,
Iuri Müller.

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6 Comentários Add your own

  • 1. Alexandre N.  |  12/02/2010 às 10:19

    Olha, foi uma virada muito digna essa do Nacional. Em relação ao primeiro gol, foi uma cabeçada tão bonita que a rede merecia ter sido furada tamanha foi a força da cabeçada…

    E o Juan Aurich… Que decepção…

  • 2. Francisco Luz  |  12/02/2010 às 14:31

    Muito bom o jogo do Nacional, o melhor que eu vi até agora. O time do Cuenca não é muito bom, mas é bem abusado.

    O Estudiantes vai causar de novo.

  • 3. Zé Carlos  |  12/02/2010 às 16:14

    Os uruguayos vivem de fantasmas, nao farao porra nenhuma na libertadores

  • 4. rafael botafoguense  |  12/02/2010 às 17:50

    danny morais no botafogo.

  • 5. Luís Felipe  |  13/02/2010 às 17:17

    o Botafogo contratou o 2º zagueiro mais lento da história da humanidade

  • 6. Chico  |  14/02/2010 às 13:58

    Aguante 14 de Julho!!!!!!!!!!

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