Você tem fome de quê?

29/01/2010 at 15:55 71 comentários

Nascer pobre não é fácil. Nascer pobre, com um sobrenome cheio de vogais em uma cidade onde o número de consoantes do nome define seu caráter, e morar no bairro mais pobre e violento da cidade é mais complicado ainda. A questão é que nessa realidade as coisas tomam uma dimensão diferente. Os prazeres são mais simples, as frescuras são diminuídas e se aprende a viver feliz.

Eu morava em uma casa de esquina. A minha casa, então, fazia frente para duas ruas diferentes. Em uma das frentes, havia um bar. Nele, se vendia e se consumia todo o tipo de droga. Na outra frente, havia um terreno baldio, transformado em campinho de futebol.

Havia duas opções de lazer, e cada um escolhia a que melhor lhe conviesse. Ou você ia para o bar, fumava unzinho e ficava doidão, ou então se ia para o campinho jogar bola alucinadamente. Eu escolhi a segunda.

Melhor do que jogar futebol era preparar o palco das memoráveis pelejas. A piazada passava as tardes arrancando guanxuma (que nós sempre chamávamos de GUANXUMBA). Fazíamos umas valetas nas laterais para delimitar a saída da bola e as traves eram feitas de paus de eucalipto. Terminada a tarefa, chegava a bola, e aí o pau comia.

Todos os dias, eu ia à escola com a roupa mais chinela que tivesse. Isso para que a dona Odete não me fizesse trocar de roupa para jogar futebol. Pouco antes das 18 horas eu chegava no portão de casa, jogava a mochila por cima, transpunha o arame farpado e jogava até quase 21 horas, no verão. No inverno, a coisa era mais difícil. O terreno era úmido e a gente jogava no barro, naquele frio de renguear cusco.

O campinho, esse era o nome oficial, formou o caráter daquela gurizada. Lá se batia e apanhava na mesma proporção. Valores como não falar mal da mãe alheia eram aprendidos e gravados na memória do vivente com socos. Todas essas balelas de relações humanas eram aprendidas na marra.

Daquele monte de guri, eu pouco sei. Quando chegamos aos 15, 16 anos paramos de jogar. Uns porque começaram a trabalhar de dia e estudar à noite. Outros, porque se mudaram para o bar do outro lado.

No terreno baldio, o dono construiu um grande prédio. Nele, há um mercado e outros comércios. O bairro cresceu, melhorou é verdade. O bar fechou. As pessoas melhoraram de vida. As crianças de agora, dentre elas meus dois sobrinhos, ainda jogam futebol. No PS2. Eles são felizes, eu acho, com seus pés branquinhos, sem aquele encardido que não saía nunca. Eles são felizes, devem ser, com as bochechas rosadas e sua quase obesidade. Devem estar aprendendo relações humanas pela internet.

Dona Odete me disse que acabar com o campinho foi a melhor coisa que aconteceu. “A criançada agora fica em casa o dia inteiro, não andam naquele gritedo que vocês faziam”, disse. Sobre o comércio, a mãe também achou uma boa. “Agora tem tudo aqui perto, e ainda deu emprego para um monte de gente”. Eu não pude deixar de concordar. Mas, lá no fundinho, veio à cabeça aquela música dos Titãs, e eu cantarolei baixinho:

“A gente não quer só dinheiro
A gente quer dinheiro e felicidade
A gente não quer só dinheiro
A gente quer inteiro e não pela metade”

Texto enviado pelo notório leitor Álisson Coelho

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Entry filed under: Colunas, Contribuições.

Santos investe em medalha de ouro inédita Três goles de marafo

71 Comentários Add your own

  • 1. Anônimo  |  29/01/2010 às 16:14

    APERTA TRIÂNGULO QUE EU SAIO CORRENDO

  • 2. Cunegundes, o mulato frajola  |  29/01/2010 às 16:26

    minha infância foi cheia de lembranças coloridas e molhadas também, eu tinha uns 12 anos quando meu primo Rosivaldo (que na época tinha uns 13 anos) me ensinou a técnica apurada da punheta mariquinha maricota – com a direita e com a canhota, passei anos a fio praticando, e na época não era como hoje que existe telex, internet e game gear, que é só jogar no Cadê a palavra “esfiha” e você já tem um monte de opções macias e molhadas a um clique do seu mouse, naquela época punheta tinha que ter arte, tinha que ter imaginação e invenção, era tudo uma grande fantasia, revista de mulher pelada era artigo de luxo, você tinha que se inspirar vendo a vizinha lavando o quintal num dia de sol, ou com a saia daquela sua coleguinha do grupo escolar que já usava sutiã, mas era um tempo muito bom, alternava uma punheta com um lanchinho mirabel, minha família tinha ficado abonada graças ao Plano Cruzado, mas tudo caiu em ruína quando painho se viciou em bingo, e pra piorar o Fernando Colla de Mello foi eleito e colocou aquela velha dentuça da Zelda Cagoso de Melda, aquela mulher confiscou todo o dinheiro e fodeu com o esquema, tivemos que devolver a Elba que tinhamos pego no financiamento do Banerj, e perdi todo o dinheiro suado e molhado que ganhei como contínuo da Mesbla e que tava investido em TCs do Bamerindus, fiquei liso e pobre, e o lanchinho mirabel acabou, mas continei me masturbando deliciosamente por anos a fio e sempre serei um amante desta arte, ensinarei meus filhos e netos a não perder tempo jogando bola e ficar em casa assistindo aos filmetes da Emmanuelle. Quack!

  • 3. Edu  |  29/01/2010 às 16:32

    E o terceiro grupo: passava no bar, fumava unzito e jogava bola até as 21h? não tem ninguem não?

  • 4. Cassol  |  29/01/2010 às 16:45

    Muito bom o texto.

    Na minha infância querida que os anos não trazem mais, participei da construção de exatos cinco templos do nosso futebol de rua. Levava uma tarde inteira pra baixar a grama, tirar as bostas de vaca, fazer as linhas, buscar taquaras e fazer as goleiras. Quando o campo ficava pronto ainda tinha um fio de luz pra estrear o estádio. Tempo bom.

    Hoje só um dos lugares onde jogavamos bola não foi tomado por uma rua ou uma construção. Aos 9 anos, o afilhado dos meus pais que mora do lado de casa acaba de ganhar um Play Station.

  • 5. Diogo  |  29/01/2010 às 16:46

    Eu chamava era de GUAXUMBA.

    Muito bom o texto, lembro de como era jogar descalço nas ROSETAS do verão e no inverno, com a bola de plástico ENCALACRADA: deixando a quase em carne viva.

  • 6. Francisco Luz  |  29/01/2010 às 16:47

    Se eu morasse na Canudeira, ia pro bar, certo =/

    Alisson tem uma mansão perto do Mundo Novo, não levem a sério o que diz o guri.

    (Sacanagem, chapa, belo texto)

  • 7. Diogo  |  29/01/2010 às 16:47

    *deixando as CANELAS

  • 8. izabel  |  29/01/2010 às 16:48

    que massa, alisson!
    mais um cronista pra impedcorp.
    dominarão o mundo, certo.

  • 9. rômulo arbo  |  29/01/2010 às 16:48

    meus pais compraram uma casa com duas salas, mas não tínhamos móveis para tanto. uma sala de parquê virou zona de futebol de meia. bons tempos.

    belo texto, álisson. nem precisava dos titãs.
    aparece numa impednua, ora.

  • 10. Milton Ribeiro  |  29/01/2010 às 16:49

    Se eu disser para vocês qual era o MEU terreno baldio, vocês vão cagar de rir da minha idade.

    Tá bom, eu passei toda a minha infância jogando bola no local onde é hoje o Shopping João Pessoa…

  • 11. rafael botafoguense  |  29/01/2010 às 16:53

    como a minha rua é tipo uma ladeira e passa carro pacarai num dava pra jogar,daí eu jogava na garagem da casa da minha vó que é mó grande.altos gols,dedos estourados,sujeira e lembranças…

    futebol é foda.

  • 12. alemao  |  29/01/2010 às 16:54

    bah, maravilha…e se aprende sobre a vida nesses lugares.

    relatou BUNITU, bruxo!

  • 13. GG  |  29/01/2010 às 16:55

    puta saudade de jogar bola na rua
    eu era mulato: branco da cintura pra cima, e preto do joelho pra baixo

  • 14. Luciano  |  29/01/2010 às 17:01

    Quando eu era piá o embate era no paralelepípedo da rua, mesmo. Goleira de tijolo. Travessão imaginário (nunca resolvemos a questão da subjetividade atinente). Meia-lua se valendo do cordão da calçada. Hoje, esse “bando de garotinho juvenil”, nas palavras do grande Gil Brother, “fica no carpete comendo leitinho com pêra e ovomaltino”.

  • 15. Logan  |  29/01/2010 às 17:19

    Aqui era na rua mesmo, arrancado o tampo do dedão chutando o chão (o “asfalto” é na verdade aquele cimento com brita então imaginem) e depois gritando de dor, mas valia a pena. Lembro uma vez jogando no meio da chuva com agua até as canelas, bons tempos…

    E ainda fazendo as traves com lata de leite ninho e cimento e um cabo de vassoura, ou então de madeira com saco daqueles de feira.

  • 16. rômulo arbo  |  29/01/2010 às 17:45

    na frente da minha casa, era chão batido. chinelos mesmo eram as traves. algumas vezes joguei com os guris da vila do fim da rua. o futebol une, e é verdade.
    e esse negócio do travessão invisível é um troço engraçado mesmo.

  • 17. bah  |  29/01/2010 às 17:54

    milton ribeiro é velho pa caralho

  • 18. Carlos  |  29/01/2010 às 19:22

    off
    Alguem conhece/lembra desse zagueiro?

    http://www.ole.clarin.com/notas/2010/01/29/futbollocal/02129693.html

  • 19. Zé Carlos  |  29/01/2010 às 19:26

    quando eu for o melhor em campo, eu fico com a moto e o radio eu vou dar pra minha mãe

  • 20. Frank  |  29/01/2010 às 19:38

    #10

    BAH mesmo… quando foi isso?

    Putz, todo mundo tendo suas reminiscências… eu também joguei muita bola na rua e nos quintais da vida… mas o que eu mais me lembro era do POTREIRO do sítio do meu tio, onde a molecada jogava até tarde e depois ia roubar bergamota na terra do vizinho… BONS TEMPOS…

  • 21. wnsk  |  29/01/2010 às 20:09

    O terreno baldio perto de onde eu morava era conhecido como CAMPINHO JAPONÊS. Nenhum motivo pra ter esse nome. Nunca conseguimos construir a goleira perfeita. Teve uma vez que a trave caiu em cima da da minha cabeça. Não durava nada, aí chamávamos nas pedras e latas.

  • 22. Macedus  |  29/01/2010 às 20:32

    Cara, quando guri aqui no RJ jogava bola em um terreno baldio chamado, carinhosamente, de “campo da macumba”.

    Bons tempos aqueles quando o uniforme da escola municipal era um blusão branco com um bolso e usavamos kichute (é assim que se escreve ?)

    Chegava da escola e mais que rapidamente ia para a rua jogar bola no campinho da macumba, ou bola de gude ou ainda empinar uma pipa.

    Da mulecada só tenho contato com um mesmo,

    Saudades cara, confesso que este post ta sentimental demais ..

  • 23. Macedus  |  29/01/2010 às 20:35

    e ainda dizem que a mulecada de hj se diverte mais com seus Play Stations da vida, atrás de seus computadores e tal.

    Tenho pena deles ..

  • 24. Flávio  |  29/01/2010 às 21:01

    Lá na Vila Santo Agostinho, o campinho onde jogávamos, atrás da fábrica da Memphis, era chamado de PEÑAROL.

  • 25. Jean Mello  |  29/01/2010 às 21:02

    no meu caso a praça (doBoa) que fica perto da minha casa a galera usa pra fuma um e ficar locão e depois rolar a moranga.

  • 26. Prestes  |  29/01/2010 às 21:48

    Belo texto.

  • 27. Lucas Cavalheiro  |  29/01/2010 às 22:29

    Baita texto. Lendo eu fico pensando o que os meus guris vão viver na capital, ou qualquer outro lugar só de prédios, sem ficar “até escurecer” (nunca o horário de verão foi tão bom!) jogando bola ou TACO.

    Nos anos 90, Santa Maria já era uma cidade grandinha até, mas eu fui privilegiado: morava num condomínio militar que tinha uma quadra de futsal nos fundos, uma praça gigante na frente com pista de bicicleta (meus joelhos mandaram abraço!) e um campinho com umas CATORZE árvores de AMORA em volta. Pra completar a diversão nas noites de brincar de “se esconder”, tinha uma ponte num lado da praça e do outro uma casa abandonada do outro, além de um taquaral no fundo dos prédios. Paraíso!

  • 28. J Petry  |  29/01/2010 às 23:08

    Eu jogava na calçada: minha rua era calma, mas nossas mães não iam concordar em jogarmos no meio da rua. As marcas das goleiras eram riscadas a pedra, e o jogo durava até um vizinho reclamar do risco de uma bolada na janela.

    Bons tempos. [37438]

  • 29. douglasceconello  |  30/01/2010 às 02:07

    Certa vez vi que CASAS invadiram o campo de BARRO VERMELHO onde eu jogava e desde então tenho vontade de escrever um conto em que minha alma PENADA de boleiro azucrina os INQUILINOS.

    Mas que grande texto, Alisson. Como dizíamos quando eu tinha 15 anos, um texto FODIDO NA LANÇA de tão massa.

  • 30. Carlos  |  30/01/2010 às 09:28

    Jogava no estádio praça bonita, na esquina da guaporé com joão caetano…pichamos lá ESTADIO…e sempre quem vinha jogar de fora nao entendia o amor por aquele quadradinho de pedra horrivel…até hoje tá lá, moro perto da praça de novo e nunca mais quis colocar os pés lá…

    FODA.

  • 31. Chico  |  30/01/2010 às 09:43

    “Valores como não falar mal da mãe alheia eram aprendidos e gravados na memória do vivente com socos”

    BAH, perfeita descrição da formação do moral dos peladeiros de rua

  • 32. Chico  |  30/01/2010 às 09:53

    Eu e meus amigos de rua gostávamos de jogar 3 dentro 3 fora no portão da garagem da casa de um deles, e sempre jogávamos na paralelepípedo.
    Dae lembro que na frente da casa dele , tinha o Armazém do Beto e do lado o Beto era dono também de um terreno, mas que era cheio de entulho e lixo.
    Um dia conversamos com ele e negociamos que se a gente limpasse uma parte do terreno ele deixava a gente jogar bola lá.
    Então conseguimos limpar um espaço equivalente a uma grande área de futebol 7.Para jogar 3 dentro 3 fora tava mais do que bom.
    Para completar construímos uma goleira de madeira e me lembro que existia um serralheria umas 2 quadras para baixo, e decidimos ENTUPIR de PÓ DE SERRA o nosso “campinho”.

    Foi os melhores 3 dentro 3 fora que joguei na minha vida, tu podia tentar voleio, bicicleta, pexinho , voa na bola e que quando tu caía não sentia nada, era amortecido pelo tapete de serra.

    Tempos bons

  • 33. Logan  |  30/01/2010 às 10:08

    A de fora é minha!

  • 34. Atilio  |  30/01/2010 às 13:23

    Bah, o texto me deixou saudoso. Achei bonito pra caralho. Vou acrescentar meu depoimento, já que todos estamos fazendo isso. Eu jogava no terreno de uma fábrica abandonada, numa rua sem saída lá de Bento. Era um lugarzinho legal, porque o chão da fábrica ainda estava lá. Era um chão lisinho e a gente jogava de pé no chão. Depois, uma construtora fez terraplanagem e cobriu o campinho. Por algum motivo desistiram de construir o que iam construir, então continuamos jogando. A galera pegava junto pra capinar o campo, cercar com pedras pra bola não descer até o esgoto a céu aberto lá adiante etc. Há um tempo atrás passei pela rua. Ela está toda calçada. As casas ainda são as mesmas, mas apareceu um prédio que parece não ter nada a ver com o lugar. No terreno baldio só tem mato, mato antigo. Aparentemente, ninguém mais joga futebol nele. Ou a rua não tem mais crianças ou as crianças já não conseguem mais imaginar que podem ter a rua.

  • 35. Felipe (o catarina)  |  30/01/2010 às 14:42

    massa o texto. Impossível não lembrar dos tempos de guri. Eu sempre morei perto da UFSC, então ia lá jogar ou nas quadras de cimento que são abertas ao público (menos) ou num campinho de grama que tem perto do RU (mais). A gente jogava contra uns caras da favela, uma turma de maconheiros, rapaziada da capoeira, enfim, quem aparecesse.

    Também jogava num campinho de areia de um prédio perto de casa, que ficava num morro. A gente tinha que subir uma ladeira de uns 300 metros, passar por um terreno baldio cheio de mato e espinheiros, pular a cerca do prédio e ver se não tinha nenhum morador ou o zelador por perto pra poder jogar. Foda era chegar no campo todo lanhado por causa dos espinheiros, mas valia a pena.

    teve uma fase também que começaram a aterrar o mar aqui na frente de casa. A obra ficou parada uns anos e a galera botou trave de madeira e tudo. Ganhamos um campinho de areia.

    o que acho mais foda daqueles tempos e que muitos guris de hoje não conhecem é jogar descalço. Velho, futebol foi feito pra jogar descalço. Jamais consegui repetir com tênis ou chuteira as atuações que tinha jogando descalço. Nunca me adaptei. É sério.

    e outra coisa massa é lembrar dos tempos em que a gente saía de manhã pra praia de ônibus, ficava lá tomando banho, pegando jacaré e azarando as gatinhas da nossa idade (14, 15 anos), voltava umas cinco da tarde, ia jogar bola lá pelas sete e ficava até dez, onze horas jogando. Isso todo dia, com vento, chuva, granizo, ou tudo isso junto. Hoje se conseguir jogar meia hora seguida duas vezes por semana já é muito. Sem contar que não é recomendável hoje em dia ficar depois das dez na rua.

    pqp, que tempo bom, que não volta nunca mais… Melhor coisa é começar a lembrar e ver que o cara aproveitou a infância e adolescência. Vou parar antes que comece a CHORAR. ahahahjha

    mais uma vez, textaço. Impedimento é foda.

  • 36. Logan  |  30/01/2010 às 14:57

    taí, sempre joguei melhor calçado, descalço só fazia perder o tampo do dedo ou fuder com a unha ahuehaueh

  • 37. Serramalte Extra  |  30/01/2010 às 16:29

    Felipe, lá em 94, 95 eu achei uma chuteira de couro de canguru da Umbro, com ela parecia que eu tava de pé no chão do jeito que ela se “moldou” no meu pé. Fiquei anos procurando outra parecida, os vendedores me olhavam com cara de “wtf?” quando eu perguntava se tinha chuteira como aquela.

    Heje em dia o couro de canguru virou padrão, e jogar de pés descalços deixou de ser o ideal…

  • 38. y  |  30/01/2010 às 16:49

    não há NENHUM terreno que eu não tenha jogado.

    joguei em campo gramado, barro, asfalto, cimento, ladeira, quadra da escola, dentro de casa, no quintal, com chuva, tempestade… joguei bola até em rua sem asfalto (asfalto é LUXO).

    só não joguei em SOCIETY, que é coisa neoliberal e de viado.

  • 39. y  |  30/01/2010 às 16:52

    FC PORTO ANUNCIA KLÉBER

    É OU NÃO É O MAIOR CLUBE DESSA PORRA DE MUNDO?????

    FC PORTO – DIZ À GENTE O QUE É SER NOBRE E LEAL

  • 40. y  |  30/01/2010 às 16:58

    Nascer pobre não é fácil. Nascer pobre, com um sobrenome cheio de vogais em uma cidade onde o número de consoantes do nome define seu caráter

    NAO CHORE ALISSON

    QUALQUER COISA, DIGA: ITALIA ESCROTA, PORTUGAL RULES

    Sobrenome cheio de vogais = DIGNIDADE

    PORTUGAL RULES, NÃO PERDEU DUAS GUERRAS!!!!!!!!!!!!!!!!

  • 41. Frank  |  30/01/2010 às 17:05

    O primeiro parágrafo é a mais pura verdade… do caralho…

  • 42. y  |  30/01/2010 às 17:06

    realmente essa garotada de hoje vive ENFURNADA (MÃE, minha – 1978) em casa e nao aproveita o que há-de (portugal sempre) mais DIGNO.

    ACTUALMENTE (ortografia brasileira meu pau) rotundam os playstations os quais confesso que fizeram e fazem parte de minha realidade devido ao meu amor incondicional pelo futebol, de modo que eu sinto-me obrigado a SORVÊ-LO de todas as formas possíveis, seja no campo ou no sofá.

    mas como eu já havia dito aqui: NÃO EXISTE INFÂNCIA SEM POBREZA

  • 43. y  |  30/01/2010 às 17:09

    imaginem agora os CACHOPOS que estão a nascer actualmente, em que parâmetro estarão, nesse mundo NEOLIBERAL IMUNDO onde tudo faz mal.

    tudo isso é culpa do neoliberalismo nefasto que transpassa eras e atinge desde os CACHOPOS mais HODIERNOS até os GAJOS mais MALICIOSOS.

  • 44. y  |  30/01/2010 às 17:13

    faltou dizer que também joguei em AREIA. mas não só no litoral (litoral = falta de dignidade) como naquelas onde pega-se 767 doenças, de PEDREIRO mesmo, afinal nunca um fui um gajo LITORÂNEO.

  • 45. y  |  30/01/2010 às 17:33

    4 posts seguidos em final 3

    a chance disso acontecer é de 1 em 10000

    legal

    fiz sem querer, gentalha.

    agora sim, despeço-me

  • 46. Serramalte Extra  |  30/01/2010 às 19:27

    39, em no máximo onze meses ele volta pro Brasil…

  • 47. Chico  |  30/01/2010 às 22:48

    Fui jogar com meu time um amistoso em Farroupilha hoje a tarde e acho que influenciado pelo meu depoimento de hoje de manhã acabei me fudendo.

    Perdíamos de 3 a 0 e tínhamos um escanteio a favor. Subi para a área para tentar um gol. No primeiro cruzamento a bola foi afastada, no segundo ela veio a meia a altura e eu só podia estar pensando que estava jogando no campinho de pó de serra, porque fui inventar de dar um voleio, e cai em cima do meu ombro.
    Resultado: clávicula deslocada e ligamento rompido

    Perdi

  • 48. Logan  |  31/01/2010 às 08:05

    #1 APERTA TRIÂNGULO QUE EU SAIO CORRENDO [2]

    asheauehuehuaeh so vi esse comment agora.

    E chico, o voador do campo de serragem, fail.

  • 49. Frank  |  31/01/2010 às 11:32

    O primeiro parágrafo é DUCA…

    Ainda mais nessas eras de Playstations e Xbox da vida, quando eu vejo um piá descalço correndo atrás de uma bola de meia, é que eu percebo o verdadeiro espírito do futebol na infância…

  • 50. Frank  |  31/01/2010 às 13:42

    O primeiro parágrafo é DUCA…

    Quanto mais eu vejo essa piazada de hoje em dia, com seus Playstations e Xbox da vida, mais eu tenho certeza que minha infância foi melhor vivenciada, com as peladas em campinhos de terra e tapetes de capim…

  • 51. Tiago  |  31/01/2010 às 20:40

    Campeonato sensacional! Todos os times da chave 2 venceram huahuahua. A Ulbra, último colocado, seria terceiro na chave 1.

  • 52. Lucian Chaussard  |  31/01/2010 às 20:52

    GRÊMIO FREGUÊS DEMAIS.
    ANOS 2000 É INTER, PORRA.

  • 53. Frank  |  31/01/2010 às 20:56

    Reconheço a freguesia…
    O Inter é mais time, e pronto…
    Tá foda acompanhar grenal nos últimos anos…

  • 54. rafael botafoguense  |  31/01/2010 às 21:16

    clássico foi o fla-flu pqp,que jogo foda!!!!!!!!!!!!!!

    futebol do rio>>>>>>>>>universo

  • 55. Francisco Luz  |  31/01/2010 às 21:35

    Oi.

  • 56. Gabriel  |  31/01/2010 às 21:38

    O Grêmio está diminuindo de tamanho como instituição, assim como aconteceu com o Inter nos anos 90. Acho que a superioridade recente colorada em GreNais demonstra isso.

  • 57. Camilo  |  31/01/2010 às 21:44

    Quando troca a direção do gremio?

  • 58. Lucian Chaussard  |  31/01/2010 às 21:55

    FICA DUDA!!!

  • 59. Serramalte Extra  |  31/01/2010 às 22:32

    A culpa foi do Tcheco.

  • 60. Ernesto  |  31/01/2010 às 22:42

    Bah, o bom de 2010 é que alguns paradigmas estão caindo.

    O mando de Erechim era do Inter, e o Inter ganhou. Essa desculpa de trasnferencia de mando, portanto, que aconteceu em 2009, não cola.

    Segundo que com certeza esse ano nao ouviremos o velho papinho do tipo “presidente da federação é colorado, salvou o centenário”.

    Isso porque, basta olhar o grupo do Gremio. Alta vantagem. MEsmo que agora jogue com os da outra chave, estes nao sao tao bons. Mas o segundo turno o gremio se classificará em tres quatro rodadas.

    Na verdade o gremio ja esta classificado para as quartas de final.

    E isso que o presidente da FGF é colorado

  • 61. Luís Felipe  |  31/01/2010 às 23:11

    antes era culpa do Simon.

    depois, do Gaciba.

    depois, do árbitro de fora.

    agora, a culpa é do Vuaden.

  • 62. Luís Felipe  |  31/01/2010 às 23:12

    ah, já entendi: a culpa é da federação, que prejudicou o Inter colocando o grenal em campo neutro.

  • 63. Serramalte Extra  |  31/01/2010 às 23:29

    A reclamação ano passado não foi o gre-nal ser em campo neutro, foi o Grêmio ter 6 jogos em casa e o inter 8.

    Agora os dois têm 7 jogos em casa e 7 fora.

  • 64. Alecsandro  |  31/01/2010 às 23:42

    Vim aqui agradecer ao Cassol, que assim como o Fossati sempre me apoiou.

    Valeu, bagual. Tu manja muito de futebol.

  • 65. Anônimo  |  01/02/2010 às 05:27

    Valeu Castor Alecsandro!!!!!!!

  • 66. Álisson  |  01/02/2010 às 08:34

    Galera estive fora dessa coisa de TENÉTI ao longo do final de semana. Valeu a todos pelos elogios referentes ao texto.

    Quanto ao Castor, segue sendo ruim.

  • 67. col  |  01/02/2010 às 11:51

    Bela cronica. Os campos que eu jogava na minha infancia ainda existem. E melhoraram!

  • 68. Álisson  |  01/02/2010 às 12:25

    Bah, mas isso é uma raridade. Parece que todo campinho de futebol acaba virando “ótimo ponto comercial”.

  • 69. y  |  01/02/2010 às 14:21

    a culpa da derrota gremista é da FEDERAÇÃO, que colocou o Grenal num campo NEUTRO sabendo que o grêmio é freguês do Inter.

    injustiça total.

  • 70. Marimas  |  01/02/2010 às 21:51

    Muito bom.

    Nossa arena se chamava MARACALOMBO, e tinha uma calçada no meio, o calombo.

    Boas lembranças.

  • 71. aparecida marcia silva  |  02/03/2010 às 18:06

    achei saudoso seu comentario, eu meu irmão,primos e amiguinhos brincavamos muito nas proximidades de casa brincadeiras como pega-pega,pique-escode roda passa anel . por ai vai. mais o que me fez te escrever foi vasoura guanxumba,voce lembra como ela é ,seria capaz de identifica-la gostaria muito de saber onde encotrar ela fez parte da minha infancia, minha tia e minha avó colhia para fazer vasoura mesmo e com ela variamos quintal que na minha lembença era enorme. se voce puder me ajudar agradeço muito senão obrigada pela lembrança.

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