Sem pretensões

30/09/2009 at 06:00 17 comentários

Dias desses escrevi um texto pro Impedimento com 16 fotos de mulher pelada. “No mínimo, mil comentários” – pensei com meus botões. Pois pra minha surpresa, o Conselho Editorial barrou as gostosas. “Nós também apreciamos a fruta, seu alagoano tarado, mas não sei se você tá lembrado, este ainda é um site sobre FUTEBOL”.

Desde então venho quebrando os miolos num jogo da velha existencial. Não podendo mais botar uns peitinhomaroto pra animar a rapeizequintasérie e tendo utilizado todas as citações literárias que os cursinhos pré-vestibulares me ensinaram ao longo da vida, resta-me apenas o futebol. Acontece, seusputo, que pelas bandas das Alagoas futebol tá quem nem fiado. Só amanhã.

Mas não chorarei minhas mágoas com esse papinho de que o encanto acabou, as coisas não são mais como dantes e coisa e tal. O que é imortal não morre no final, já dizia Sandy-nunca-dei-o-cú-Junior. E se essa porra já sobreviveu a duas guerras mundiais, João Havelange, Copa do Mundo na Coréia e Afonso na Seleção Brasileira, não deve morrer tão cedo.

E se é Futebol o que vocês querem, futebol é o que terão, nas sábias e ébrias palavras do Velho Cana.

canavieira

Vocês devem estar lembrados de Canavieira, artilheiro rebelde que infernizou a vida dos zagueiros e dirigentes alagoanos no início da década de setenta. Se a cirrose também afetou seus neurônios, dá um túneldotempo aqui.

Pois este neandertal que vos escreve galgou mais um passo na conquista do PRÊMIO CONTIGO da crônica esportiva e adquiriu com o Museu dos Esportes de Alagoas a entrevista inédita e exclusiva que ora segue. Leiam e aprendam.

Quando foi que você começou jogando futebol?

Eu comecei jogando futebol em Canavieiras [Bahia], a cidade justamente a qual hoje eu carrego o nome nas costas. Dali eu saí com o Bonsucesso do Rio. Do Bonsucesso eu segui para o Botafogo. Do Botafogo eu tive no Internacional de Porto Alegre, tive no Cruzeiro de Porto Alegre. Tive no Uruguai, no Cerro do Uruguai. Tive no Esporte Clube Bahia. Tive em Recife, no Ferroviário. Tive nos Estados Unidos também, jogando futebol e trabalhando ao mesmo tempo.

Por que tantos clubes?

Sinceramente, eu até hoje procuro. Interessante que eu joguei em tantos clubes e nada fiz, nada tenho.

Como era o futebol nos EUA naquela época?

A Liga era uma liga pirata. Não existia futebol. Justamente na época que eu vim embora, foi quando o Pelé foi pros EUA e ele formou o time do Cosmos. Nesse ano eu vim embora. Era uma liga pirata, eu trabalhava num restaurante e aos domingos jogava. Cheguei a jogar em dois clubes lá. Jogava de manhã com um nome e de tarde com outro.

Você chegou a passar mais do que dois anos em algum clube?

Não. Eu tive um bocado de tempo no Botafogo. Mas como amador.

Porque você não chegou a passar pro time de cima no Botafogo, que costumava dar chances aos seus juvenis?

Eu cheguei a jogar no time de cima do Botafogo.

E por que você não se firmou?

Eu era muito rebelde. Sinceramente, eu era ignorante, eu tinha uma série de defeitos que hoje eu me responsabilizo, eu mesmo.

Se fosse para começar tudo de novo, você não cometeria?

Talvez pudesse até cometer, porque eles cometem muito com a gente. Porque veja bem, têm momentos que eu fico analisando que o jogador de futebol só vale alguma coisa quando ele está jogando. Ele tomou uma pancada, houve qualquer problema com o atleta, eles esquecem que os atletas existem. Eu tenho visto em muitos clubes e até hoje continuam fazendo. Nós não podemos errar, eles podem errar.

Você inclusive era tido como rebelde, como indisciplinado, como farrista. Mas como era o seu dia-a-dia no CRB?

Dessas três coisas que você citou, eu era. Eu fazia, mas só que lá dentro era diferente. E era ali que muitos torcedores, muitos dirigentes passavam a mão na minha cabeça. Porque na hora que era pra trabalhar, eu trabalhava. Porque isso sai de dentro de mim. Isso é uma coisa que eu joguei e jogo futebol até hoje, mesmo assim da maneira que estou, porque eu gosto. Sai de dentro de mim.

Você achava que ganhava bem?

Olha, eu sinceramente nem sei. Porque a maioria do meu dinheiro era para táxi, era para boate e outros bichos mais.

E você como goleador, a torcida lhe presenteava muito?

Eu não ia buscar os presentes, porque eu saía pra badernar e não ia buscar. Outros colegas iam lá e pegavam. Eu tinha uns colegas gaiatos que gostavam de ficar todo bonito, iam lá pra rua, pro comércio, chegavam lá e pegavam. “Você não foi pegar, eu peguei.”

Você brincava à noite e quando entrava em campo no outro dia resolvia os jogos. Como era sua preparação física?

Eu era um atleta que eu era o primeiro a chegar em campo e eu era o último a sair. Eu trabalhava com o meu professor e depois eu ia trabalhar eu mesmo, comigo mesmo. E era sempre o último a sair dali de dentro. Eu sempre procurei manter a minha condição física, justamente pra hora que eu mais necessitava dela. Hoje eu tenho um problema da minha perna, mas era uma das coisas que eu mais admirava de mim mesmo era a minha perna, porque naquele momento certo, ela me dava justamente aquilo que eu queria, que era fazer os gols.

Dos treinadores que você teve, principalmente aqui no Regatas, como era o tratamento com você? Eles não queriam te escalar porque você tinha feito uma farra na noite anterior?

Eu tive um que até me esconder na casa dele me escondeu. O Pinguela! Pinguela me pegava e me levava pra casa dele e dizia “vou te esconder pra você não beber porque tem jogo amanhã e eu preciso ganhar aquele jogo”. E eu dizia “Mas pra quê isso, Seu João? O negócio é lá dentro, nós resolvemos lá dentro…” Todos eles me aconselhavam. Eu quando saía, eu não queria colocar o primeiro gole na minha boca, mas quando botava…

Também se parasse de beber, parece que não jogava bem!

Aqui era assim! Se eu não bebesse, eu não jogava. Com toda a sinceridade! Era um troço fora de série. Não sentia nada. Era só tomar um banho, jogar uma água gelada na cabeça e o pau comia no outro dia! Era assim.

Existia doping ou não?

Da minha parte não. Eu era um homem que eu jogava futebol e nem sequer uma injeção eu tomava. Eu nunca tomei nada pra jogar futebol. Nem a tal da água milagrosa que aparece por aí, ela não ia na minha boca. A única coisa que eu bebia era cachaça. O resto…

Você teve alguma contusão grave?

Que eu me lembre não. Eu vim ter um problema na minha perna agora depois de velho. Que a minha perna está esquecida. Mas quando eu jogava futebol era muito difícil eu me machucar.

Valeu a pena essa sua vida como jogador de futebol?

Valeu! Valeu porque na outra encarnação eu não quero ser mais não. Porque é muito bom quando a pessoa tem fama e tem dinheiro. Mas a pessoa que joga futebol, ter fama e às vezes morrer como muitos colegas meus que eu soube que morreu aí, é triste. Muito triste.

__

Canavieira está morando na sua cidade natal, Canavieiras, no sul da Bahia. Cedeu esse depoimento dois anos atrás, quando de passagem por Maceió à procura de emprego.

Thalles Gomes

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17 Comentários Add your own

  • 1. arbo  |  30/09/2009 às 09:10

    futebol e álcool. pra q sangue?
    aparentemente se chamarem ele joga. afudê. e triste, como nunca deixa de ser…

  • 2. guihoch  |  30/09/2009 às 09:55

    futebol e álcool. pra q sangue? eespalharei aos quatro ventos esta frase.

    olhem estes desenhos, me lembrei do HUMOR NA AREA.

    ESTA DOS VEREADORES DA PRA MUDAR O VELHINHO FALANDO MAL DO INTER

    BADANBADANBADANBADAN

  • 3. guihoch  |  30/09/2009 às 09:56

    PEGA NO MEU FRUTO PROIBIDO

    (OU PREFERE A COBRA?)

    P-A-R-E-I

    abraço

  • 4. catarina cristo  |  30/09/2009 às 09:57

    qual a idade dele, thalles?

    Abs!

  • 5. Jader Anderson  |  30/09/2009 às 10:12

    Afude

  • 6. Prestes  |  30/09/2009 às 10:29

    “Olha, eu sinceramente nem sei. Porque a maioria do meu dinheiro era para táxi, era para boate e outros bichos mais.”

    uhasdasuhdasuhduhduhhuhasduhsduhsh

  • 7. Frank  |  30/09/2009 às 10:40

    “Se eu não bebesse, eu não jogava”… GÊNIO!

    Eu sigo esse exemplo nas peladas em que jogo…

  • 8. izabel.  |  30/09/2009 às 11:39

    sensacional thalles!

    a cidade é ‘canavieiras’ mesmo, catarina. fica no sul da bahia, litoral.

  • 9. Frank  |  30/09/2009 às 12:38

    Porra ombudsman da ImpedCorp, libera o post das gostosas aí vai… baita sacanagem, a censura acabou na década de 70!

    ahahfdaihaoho =D

  • 10. arbo  |  30/09/2009 às 13:18

    kfajkdshhkshda
    izabel, é A CATARINA, e ela deve saber a cidade, pois é nordestina; ela não sabe é a IDADE…
    favor manter-se atualizada. a moça já escreveu belos posts…

  • 11. Yuri-cavaleiro em chamas  |  30/09/2009 às 13:29

    Quando?

  • 12. izabel.  |  30/09/2009 às 13:31

    ô seu, arbo, eu sei que é “a” catarina, já li posts dela e já comentei.
    o problema foi a dislexia na leitura mesmo, li qual é a ‘cidade’ dele.

    e ela pode ser nordestina, mas entre canavieiras e pernambuco cabem um rio grande do sul e uma santa catarina inteiros. se duvidar, ainda cabe o paraná também.

  • 13. col  |  30/09/2009 às 13:39

    Que perola.

  • 14. arbo  |  30/09/2009 às 14:28

    ô iza, falei q ela é nordestina pq não sei direito daonde (PE?). mas imganei (olha só) q tu tinha imaginado q O catarina tinha imaginado (acompanhando?) q tratava-se de canaSvieiras, (pior) praia da bela ilha de santa CATARINA.
    ô mente de foguete/ ô cometa bêbado

  • 15. arbo  |  30/09/2009 às 14:28

    *imaginei

  • 16. thalles gomes  |  30/09/2009 às 17:22

    #4
    Canavieira tá agora com 67 anos, Catarina.

    Ainda bato por aquelas bandas para conhecer em carne e osso este sábio.

    Aguardem.

  • 17. Silvio Lamb  |  09/10/2009 às 15:38

    Moro em Porto Alegre, em frente a um cemitério onde ficava localizado o Estadio da Montanha, reduto do EC Cruzeiro e onde o Canavieira jogou e muito. Depois ele foi para o Internacional mas, numa noite de muita festa, atirou várias cadeiras das sociais dos Eucaliptos (antigo estádio do Inter) para dentro do campo. Foi mandado embora. Era uma grande figura humana e estou tentando localiza-lo a muito tempo. Sei que tinha uma noiva chamada Urânia que morava em Canavieiras na Bahia. Se alguém souber seu endereço ou telefone, faça contato pelo meu email.
    Silvio Lamb – Porto Alegre

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