86 anos e muita história pra contar

01/09/2009 at 21:17 23 comentários

Em 1995, recém-promovido da segunda divisão estadual, o Avaí, clube mais vezes campeão do estado na época, não tinha grana nem pra pagar alimentação dos jogadores. Na final da Copa Santa Catarina em Joinville, a rapaziada do Leão “jantou” sanduíches e foi pra batalha. O time formado praticamente por jogadores das categorias de base precisava vencer o Joinville para ficar com o título, depois de empatar em Florianópolis. Resultado? Movidos a sanduíches, metemos 3×1 nos alemães e demos volta olímpica na casa deles. Essa é apenas uma das histórias que entraram para o folclore de um clube definitivamente fora do comum, que completou 86 anos de fundação nesta terça, 1º de setembro.

Dois anos depois, o Avaí levou 8×1 do Tupi, da segunda divisão mineira, em um jogo da Série C, estabelecendo o recorde de maior goleada do estádio de Juiz de Fora cujo nome não me lembro agora. Em 2003, encarou dois dias de viagem de ônibus para disputar uma partida contra a Anapolina em Goiás pela Série B – não havia grana pro avião. O ônibus quebrou e a delegação chegou ao estádio uma hora depois do horário previsto para início da partida. Como ambos os times já estavam eliminados, a Anapolina concordou em jogar mesmo assim. O Avaí empatou com gol no finalzinho (1×1) e ganhou alguns aplausos dos 300 torcedores presentes.

É por essas e outras que criou-se o slogan “Esse Avaí faz coisa!”, repetido pela torcida toda vez que o alviceleste de Florianópolis apronta das suas. Mas não são só coisas ruins não. Nesses 86 anos há muitas histórias boas, engraçadas e curiosas para contar também.

Em 1998, antes de uma partida contra o Criciúma, o Avaí decidiu soltar um leão dentro do campo. O bichano desceu de helicóptero e andou faceiro pelo gramado da Ressacada. Daí surgiu o grito “Solta o Leão!”, que a torcida canta sempre que faltam poucos minutos para o time entrar em campo. O Leão, porém, não é o único bicho presente na história do Avaí. O primeiro grande ídolo do clube chamava-se Zé Macaco e jogou de 1925 a 1938. Depois vieram jogadores como Beija-Flor, Bem-te-vi, Passarinho, Periquito, Sapinho, Perereca, Mata-Gato, Roberto Cavalo, Douglas Onça, Mão de Onça, Catatau, Beto Mickey e o inolvidável Jacaré, o amigo do Guga, entre outras criaturas. Nomes quase tão bons quanto o de Cudum, atacante que era o terror os locutores de rádio: “lá vem o Avaí pro ataque… bola pra Cudum… chega a zaga, a bola bate no Cudum e sai pela linha de fundo!”.


Solta o leão!

O bicho que mais recentemente entrou para o folclore avaiano foi o Manezinho, um curió que o goleiro Eduardo Martini ganhou de um famoso radialista e corneteiro pelo título estadual conquistado neste ano. Eduardo Martini que fez um golaço chutando de sua própria área contra o Paraná em 2008, aproveitando a força do vento sul, o 13º jogador avaiano (o 12º é a torcida, claro). Ele superou os feitos de Rubão, goleiro batedor de pênaltis, dos anos 1970 e pioneiro entre os arqueiros-artilheiros de Santa Catarina, e César Silva, melhor goleiro da história do Inter segundo Cecconello, que fez gol de pênalti empatando clássico no Scarpelli aos 48 minutos do segundo tempo.

O Scarpelli, todos sabem, é a casa do Figueirense, nosso irmão dois anos mais velho e muito xarope. Já aprontamos várias juntos. Em 1971, um clássico amistoso que comemorava os sete anos da “revolução” dos militares terminou com 22 expulsos depois que um avaiano deu uma entrada forte num alvinegro e começou a pancadaria. Em 1979, as duas torcidas sumiram com as traves do campo numa manhã de domingo para que não tivesse jogo, por algum motivo até hoje não muito claro. Isso tudo foi no antigo Estádio Adolfo Konder, onde hoje existe um shopping, que ficou conhecido como Pasto do Bode pela qualidade do seu gramado e porque os empregados da Federação Catarinense de Futebol soltavam cabras e bodes no gramado para manter a grama sempre aparada. Foi nesse mesmo Adolfo Konder que o Avaí aplicou a maior goleada em uma final de Campeonato Catarinense, 14×3 no Caxias de Joinville, sendo 7×3 no tempo normal e 7×0 (7×0!) na prorrogação, a maior da história dos clássicos com o Figueirense, 11×2 em 1938, e a maior da história do futebol catarinense, 21×3 no Paula Ramos em 1945.

torcida_avai
Triste do time que não tem uma torcida para segui-lo onde ele estiver.

O Avaí tem tantas histórias fantásticas que às vezes é difícil saber onde termina a realidade começa a fantasia. Mas, como diz o colombiano García Márquez, “a vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la”.

Só tenho mais uma duas coisas pra dizer: te amo demais, meu Avaí, e obrigado por existires.

Saudações avaianas a todos.

Felipe “Catarina” Silva
Foto: Site oficial do Avaí

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23 Comentários Add your own

  • 1. Camilo  |  01/09/2009 às 21:22

    Estadio de juiz de fora = RADIALISTA MARIO HELENO

    ô leaozinho hein? 😀

  • 2. Daniel Cassol  |  01/09/2009 às 21:27

    Antes tarde do que depois da meia noite!

    Parabéns, Avaí.

  • 3. Felipe (o catarina)  |  01/09/2009 às 21:33

    foi mal a demora aí, mas ainda estamos em 1º de setembro. hehehe

    #1
    Camilo, aquilo foi uma provocação (mais uma, tadinho) para Rafael Botafoguense se coçar e vir defender o futebol de Juiz de Fora, dizendo que é um absurdo eu não saber o nome do estádio da cidade dele. Mas tu te antecipasse.

  • 4. joão carlos  |  01/09/2009 às 22:01

    AVAÍ QUERIDO.. enfim

    eu tenho uma hAVAÍana

  • 5. rafael botafoguense  |  01/09/2009 às 22:28

    ahh porra… vim seco

  • 6. Yuri  |  01/09/2009 às 22:28

    Parabéns ao Avaí, que assim como Corinthians, Santo André, XV de Jaú e outros clubes já defendidos por mim nesta joça, é um grande clube do futebol brasileiro e com reconhecimento internacional de alto nível.

    22 jogadores expulsos em amistoso = DIGNIDADE

    Homenagem à Guerra do Paraguai = DIGNIDADE

    Jogar uma partida inútil com 1 hora de atraso = DIGNIDADE

    Gostei do VHS de 1998 contra o Criciúma. Estamos tão acostumados a imagens de computador que já não temos a HOMBRIDADE de ver chuviscos.

  • 7. rafael botafoguense  |  01/09/2009 às 22:35

    8x18x18x18x18x1 8×1 8×1 8x18x18x1 8×1
    8×1 8×1 8×1 8×1 8×1 8×1
    8×1 8×1 8×1 8×1 8×1 8×1
    8×1 8×1 8×1 8x18x18x1 8×1
    8×1 8×1 8×1 8×1 8×1
    8×1 8x18x18x18x1 8×1 8×1

  • 8. rafael botafoguense  |  01/09/2009 às 22:36

    HAHAHAHAHAH 8A1 cara me explica isso por favor

  • 9. Caetano  |  01/09/2009 às 22:46

    GOSTO TANTO DE VOCÊ LEÃOZINHO

  • 10. zobaran  |  02/09/2009 às 00:12

    Parabéns, Catarina!

    O Avaí merece um espaço vitalício na Série A (afinal, assistir a jogos contra o Avaí é a mais engolível desculpa para meter o pé para Floripa e dar um tchequerau nas catarinenses).

  • 11. fino  |  02/09/2009 às 00:23

    Vidarte, sempre ele.

    “dá a mão aqui rapaiz!”

    http://www.vidartereporter.com.br/

  • 12. fino  |  02/09/2009 às 00:25

    bahhhhhhhhhh

    que paga pau imbecil esse loco

    vou dormir.

  • 13. gerson  |  02/09/2009 às 03:06

    Não falei lá no teu blog: essa dos 22 expulsos foi absolutamente sensacional. Isso sim é futebol que dá gosto de ver, sem churumelas.
    Parabéns Avaí!

  • 14. Rafael Jeffman  |  02/09/2009 às 10:21

    “lá vem o Avaí pro ataque… bola pra Cudum… chega a zaga, a bola bate no Cudum e sai pela linha de fundo!”.

    Ficaria melhor assim:

    “lá vem o Avaí pro ataque… bola pra Cudum… chega a zaga, a bola bate no Cudum e sai pelo fundo!”.

  • 15. dante  |  02/09/2009 às 10:26

    bá, rafael jeffman HACKER, simplesmente mudou a fonte dos comentários.

    gênio.

  • 16. vicente  |  02/09/2009 às 10:30

    rafael botafoguense < 5° série

  • 17. rafael botafoguense  |  02/09/2009 às 10:52

    http://carlosferreirajf.blogspot.com/2008/10/estdio-radialista-mrio-helnio.html

    destaco estes trechos:

    ”partidas do Botafogo, que tem em Juiz de Fora um reduto de torcedores fiéis”

    ”o confronto fosse realizado em Juiz de Fora, conhecido reduto alvinegro”

    ”Querendo contar com o apoio de sua grande torcida em Juiz de Fora ”

  • 18. rafael botafoguense  |  02/09/2009 às 11:13

    #16 pro inferno vei

  • 19. Felipe (o catarina)  |  02/09/2009 às 13:39

    # 17

    no teu link:

    Tupi 8 x 1 Avaí, 12/10/1997
    A maior goleada em um jogo oficial do Mário Helênio, por capricho do destino, foi aplicada justamente por um time local. Em um dos jogos mais lembrados pela torcida carijó, no ano em que o time construiu sua melhor campanha na Série C do Brasileiro, o Tupi não tomou conhecimento do então campeão catarinense. Comandado pelo meia-atacante Pael, o time de Jair Bala não teve piedade do adversário e balançou a rede por oito vezes. O resultado deu ao Carijó uma vantagem folgada para a partida de volta em Santa Catarina e praticamente classificou o Tupi para a seqüência da Terceirona.

    Tupi: Zé Luís; Edson, Laerte, Léo Devanir e Rubens (Wandão); Welinton (Clayton), Dário, Sérgio Bigode e Adalto; Mauricinho (Wesley) e Pael. Técnico: Jair Bala
    Avaí: Dagoberto; Cedenir, Evandro (Júlio), Jorge e Itá; Dirlei, Diego, Zé Carlos (Arthur) e Dão; Índio e Paulo Roberto (Frantik). Técnico: Abel Ribeiro
    Gols: Mauricinho (2), Sérgio Bigode, Laerte, Pael (2), Rubens e Wandão (Tupi); Júlio (Avaí)
    Público pagante: 1.690 torcedores.

  • 20. Felipe (o catarina)  |  02/09/2009 às 13:42

    ah, esqueci dizer. Cada vez mais sinto pena do Tupi. 2 mil torcedores foram ver o time empatar com o Macaé no mata-mata pela Série D. Imagina se fosse o Botafogo/Flamengo/Vasco/Fluminense, quantos seriam.

    Tupi or not Tupi. That’s the question.

  • 21. rafael botafoguense  |  02/09/2009 às 15:31

    a cidade tem 500 mil ja eh bastante rsrs,mas na semi do mineiro contra o cruzeiro vai mta gente

  • 22. arbo  |  02/09/2009 às 19:17

    parabéns, avaí.
    e catarina. bela homenagem.

  • 23. Felipe (o catarina)  |  02/09/2009 às 21:57

    “cidade tem 500 mil ja eh bastante”

    Florianópolis tem 400 mil. E fomos em 3 mil pra Curitiba. Quase 1% da população da cidade.

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