Ode ao masoquismo

26/05/2009 at 11:38 39 comentários

Os incréus aí do Sul da Alemanha e de outras céticas localidades que fazem fronteira com Santa Catarina podem até duvidar, mas na verdade, na verdade (cacoete muito usado por Jesus e por advogados quando vão começar a mentir), eu vos informo: já houve, sim, um tempo em que a crônica esportiva baiana não era composta apenas de radialistas analfabetos e escrotos (desculpe-me por tais redundâncias).

E afirmo isso não por nostalgia barata, pois não sou palhaço das perdidas ilusões. O fato é que, realmente, existiam pessoas que entendiam de bola para além do sentido pejorativo e corrupto da palavra. (Futebol nas quatro linhas, manemolente, bem jogado e bem analisado.) E o principal expoente dessa escola, que não deixou sucessores, era Armaaando Oliveeeeira. (E digo isso aqui não porque eu tenha sido um dos organizadores do LIVRO com as crônicas do referido. Isto nécaras – até porque esta impoluta emissora não aceita jabaculês.)

Mas, derivo.

O fato é que, no último sábado à noite, ao assistir àquela INDECÊNCIA no Mineirão, lembrei-me da seguinte indagação feita pelo velho e bom Oliveira logo após a conquista do título nacional de 88 pelo itinga futebol clube: “Como um povo tão vibrátil, com tamanho ritmo nos pés e na cintura, bom de samba, melhor ainda de capoeira, pôde permanecer tanto tempo no subúrbio do futebol brasileiro, morrendo sempre na praia?”.

E ele mesmo respondia: “Tão humilhante condição provavelmente se devia à nossa postura colonizada, valorização desmedida dos estímulos impostos pelo Sul Maravilha, carência de confiança na prata da casa”.

Pois muito bem.

Já se passaram mais de duas décadas que tais palavras da salvação foram proferidas e os diretores do Vitória não aprenderam. (Os da outra equipe, aquela de Itinga, também não, mas tenho nada a haver com eles. E, ademais, é melhor não mexer com os mortos.)

Mas, eu dizia que se passaram duas décadas – e nada. Nem mesmo os exemplos históricos parecem servir. E a história, esta menina traquina, nos prova que os melhores desempenhos do Rubro-Negro aconteceram exatamente quando se privilegiou os santos da casa e os técnicos que não agiam sob o comando desta visão colonizada.

Aos dados.

Em 93, com os Meninos da Toca e um treinador neófito, Fito, chegamos à gloriosa 2ª colocação do Brasileirão. Só não ficamos com um título porque na ocasião era humanamente impossível vencer o Palmeiras de Cesarotti. Já em 97, com o desconhecido Agnaldo Liz no comando, deixamos escapar a vaga na final da Copa do Brasil apenas por conta do mão de quiabo do Juninho, que deus o tenha. Dois anos depois, encantamos a Bahia e uma banda de Sergipe com o time dirigido pelo novato (como técnico) Toninho Cerezo, que nos levou às semifinais do campeonato brasileiro.

Pois bem. Mesmo com todos estes exemplos, a diretoria inventa de demitir Ricardo Silva, que estava com 100% de aproveitamento, e contrata Paulo César Experimentalgiani, que dormia em berço esplêndido deus sabe onde.

E o velho complexo de vira-latas retornou com força total.

O EX-BRIOSO agora já entra em campo contra as agremiações do Sul Maravilha completamente derrotado, pois o referido acha que o Vitória é time pequeno e tem que somente se defender. Resultado. Nos últimos quatro confrontos contra as (mal) ditas equipes grandes do ludopédio de Pindorama, o Leão se transformou num gatinho de pensão, levando 10 gols e marcando apenas 1.

É por tudo isso que a Bahia, que levou a alma nacional nas batalhas do 2 de Julho, está novamente de armas em punho lutando por sua nova independência. E a população do Norte e Nordeste de Amaralina também entrou na jogada. E, exatamente neste momento, realiza uma tremenda passeata, gritando em uníssono as seguintes palavras que salvam e libertam:

CHEGA DE ODE AO MASOQUISMO!
É HORA DE MANDAR OS MALTIDOS EMBORA!

Franciel Cruz

Entry filed under: Clubes, Colunas, Contribuições.

A euforia veste a camisa granate O melhor adversário até agora

39 Comentários Add your own

  • 1. Serramalte Extra  |  26/05/2009 às 11:54

    Só não inventem de mudar isso agora, que o Grêmio tá indo jogar aí…

  • 2. almilano  |  26/05/2009 às 12:05

    Franciel,

    Não acho que seja isso, acho mesmo que o time é bem inferior ao do ano passado.

    Tem que melhorar o elenco, senão nem JÉSUS salva.

  • 4. Fernando Cesarotti  |  26/05/2009 às 12:24

    Acho que o elenco até piorou, mas que o Carpegiani é especialista em afundar barcos, isso eu vejo daqui de perto desde 99, com ele afundando o SPFW.

  • 5. Tim Maia da Coréia  |  26/05/2009 às 12:34

    É incrível mesmo… a Bahia sendo uma fábrica de jogadores e os caras trazendo uma cacetada de jogadores fracos sabe-se lá da onde…

    Concordo com tudo, caro Franciel.

    Como sempre, baita texto!

  • 6. Anderson Ugiette  |  26/05/2009 às 12:44

    devo dizer o seguinte:
    como Pernambucano ESCROTO que sou (redundancia???), digo e repito, Franciel é o cara!!!
    abraços!!
    FORZA PALESTRA E PST!

  • 7. guihoch  |  26/05/2009 às 13:24

    tche perdi( e literalmente perdi uns dois quilos) rindo do comnt 17. | 26/05/2009 at 00:53,dois posts atras, QUEM FOI, FABULOSO, seria comparado ao LUSIADAS do impedimento.

    FOSTE TU NÃO DANTE, seu matreiro hein, te encerou em um hotel, bebeu sexualizo e depois teve o transe do page e escreveu este MONOLOGO DO IMPEDIMENTO, gostei cara, lerei uma vez por dia durante a proxima semana, juro.

    abraço

    hoch

    PERDI

  • 8. arbo  |  26/05/2009 às 13:26

    “a vida é foda” – guihoch
    vai demorar pra eu me recuperar do comment 17

  • 9. Lourenço  |  26/05/2009 às 13:27

    Não entendi a parte do sul da Alemanha…

  • 10. Rudi  |  26/05/2009 às 13:39

    lourenço, chamou os sulistas todos de ALIMÕES… e “sul” seria por estarmos ao sul da teutônia

  • 11. Tim Maia da Coréia  |  26/05/2009 às 13:40

    Pô… ainda mais agora que fiquei sabendo que o Vitória tá com o MAGAL no time…

    Aí não dá pra ser feliz mesmo…

  • 12. Lourenço  |  26/05/2009 às 13:46

    #10 O interessante é que comentários assim costumam ser tolerados apenas unilateralmente.

  • 13. Franciel  |  26/05/2009 às 13:46

    Almilano e Cesarotti,
    já rebati com provas cientificas, e kamasutrianamente, esta falsa argumentação de Pardalgiani sobre a falta de jogadores no Rubro-Negro neste texto aqui intitulado Habemus Elenchus.

    http://victoriaquaeseratamen.wordpress.com/2009/04/04/habemus-elenchus/

    E olhe que Leandrinho aind anem havia chegado para compor minha lateral esquerda.

  • 14. Franciel  |  26/05/2009 às 13:50

    Lourenço,
    pelamordejehovadecarvalho,
    não vamos criar mais problemas pra PIndorama.

    Cizânia, não.

    Já temos problemas demais.

    Eu sou de um tempo em que ainda não era proibido fazer piadas com o Piauí nem com a Bahia, este terra de sacana.

    Aliás, contra o politicamente correto, guio-me pelas sábias palavras do bandido da luz vermelha: “Quando a gente não pdoe fazer nada, a gente avacalha”.

  • 15. Rudi  |  26/05/2009 às 13:55

    Lourenço, na boa, não vi pejoratividade ou termos ofensivos…
    e não, não sou alimão

  • 16. Lourenço  |  26/05/2009 às 13:55

    Franciel, pelo estilo dos teus textos, já entendi que não estás querendo desmerecer ninguém com rótulos ou generalizações. Sei que tentas fazer um estilo de texto mais leve, informal, atípico e, assim, divertido. Também não quero virar paladino do politicamente correto, que por vezes amarra demais nossas manifestações (até as que nem deveriam ser levadas tão a sério)
    Mas não acho de bom tom começar um texto com “os africanos do nordeste” ou algo assim…

  • 17. Franciel  |  26/05/2009 às 13:59

    Pois eu nem me incomodaria.

    Mas, vamos falar do que importa. A qualidade do elenco do Rubro-Negro baiano que está sendo esculhambada por um… gaúcho.

    Putaquepariu a mulher do padre.

    Estes gaúchos são uns sacanas mesmo.

  • 18. Gustavo  |  26/05/2009 às 14:04

    Sêo Françuel, nem inventa que tu tava babando o ovo do Carpegiani até umas 2 semanas atrás.

  • 19. alemao  |  26/05/2009 às 14:12

    É…eu lembro disso, Gustavo…achei q viajava.

    FRANCIEL MENTE! Certamente picharei no viaduto da protásio.

  • 20. Alaípio  |  26/05/2009 às 14:22

    Qual a novidade? desde Bobo que não tem mais futebol na Bahia, se é que teve antes…

  • 21. Ronald Golias  |  26/05/2009 às 14:24

    Oi Dante, tu namora uma gremista né?

    Sim, claro.

    Mas tu é Colorado?

    Sim, dos 4 costados.

    Mas e como fica quando tem clássico, Dante?

    Ah… quando tem clássico e o Inter ganha eu sempre mexo com ela.

    E quando o grêmio ganha Dante, o que tu faz?

    Pô meu velho, não sei ainda, a gente só namora há dois anos.

    _

    O Post? Nem li.

  • 22. Franciel  |  26/05/2009 às 14:50

    Alô, alô, Douglas, Cassol, Luís e outros velhacos do Conselho Editorial do Impedimento.

    Seguinte é este.

    Como escrevi este texto agora de manhã, complementante sóbrio, sem qualquer ajuda de substãncias não recomendadas pela CF, acabei me esquecendo de colocar o seguinte no final.

    Este samba protesto regionalista vai para a menina Izabel, que a foi a primeira a me alertar sobre as carpegianices do Professor Pardal ou seria vice-versa?

    Consertem aí.

  • 23. Tim Maia da Coréia  |  26/05/2009 às 15:16

    Continuo trocando a bicha Tite pelo Carpegiani.

    Topas Franciel?

  • 24. guihoch  |  26/05/2009 às 15:18

    estamos todos atordoados pelo fato de algo tão grande surgir tão anonimamente e belo no impedimento que talvez, e quando digo talves quero sempre dizer certamente, nunca mais poderemos dizer que futebol não é a arte perfeita da vida.
    tal qual um hitchook, perfeito e misterioso, apareceu aquelaobra de arte sem titulo nem dono, simplesmente conhecida como
    “17. | 26/05/2009 at 00:53”, nossoa vidas não serão as mesmas, como um dossie do DOI-COD, este comnt mostrou conhecer-nos de tal forma como mulher depois de 10 anos de casado, ESTOU COM MEDO, mas não aquele medo conhecido, o medo do alem, não falo só na libertadores e no brasileirão, falo de minha falta de criatividade que quando submetida a um codnome “17. | 26/05/2009 at 00:53”, me faz desesperar em criar algo novo, mas “BOLA PRA FRENTE ,QUE JOGADOR BOM TEM O TIME DA JENTE”. “a vida é bola”

    hoch

  • 25. George  |  26/05/2009 às 15:21

    Discordando apenas do narrador Oliveira, nesta frase:
    “Tão humilhante condição provavelmente se devia à nossa postura colonizada, valorização desmedida dos estímulos impostos pelo Sul Maravilha, carência de confiança na prata da casa”.”

    Possivelmente ele estaja usando “Sul” como tudo que fica “para o sul da Bahia”, mas o que queria acrecentar é que o Rio Grande do Sul (os clubes grandes daqui), tinha tudo para ter pior desempenho que a Bahia e Minas Gerais nas grandes competições. E falo de exposição nas TV’s de alcance nacional, jornais, tamanho da população do estado, patrocinadores e até cota de TV. O RS não fazia (faz) parte deste “Sul Maravilha”, tanto na hora de enfrentar os times do sudeste, tanto na hora de receber os lucros.

  • 26. guihoch  |  26/05/2009 às 15:24

    admito # 24 (NS)

    perdi
    PERDI

    000 000 000 000 0
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    000 000 000 0 0 0
    0 0 0 0 0 0 0
    0 000 0 0 000 0 .

  • 27. Felipe catarina  |  26/05/2009 às 16:46

    “lourenço, chamou os sulistas todos de ALIMÕES”

    primeiro, apesar de ser sulista “da gema” e não ter nada que lembre um alemão, não considero que isso seja preconceito do lado do Franciel. Nada a ver.

    Em SC existem tanto ou mais caboclos que “alemães”, mas acredito que as propagandas que rolam fora das nossas divisas só devem mostrar gente branquinha, loirinha e de olhos azuis, por isso essa impressão. A maioria que vem do Norte-Nordeste quando chega aqui se espanta: “não sabia que tinha tanto negro aqui!”, é o que muitos dizem.

    na real os alemães, polacos e assemelhados de origem mesmo – que falam alemão, têm costumes de alemães, etc. – ficam mais nas cidades pequenas. Mesmo essas cidades “vendidas” como de alemão, como Blumenau e Joinville, já são bem misturadas, apesar de ainda conservar alguns prédios típicos e tal. Outras cidades grandes, como Florianópolis, São José, Criciúma e Lages não têm absolutamente nada de alemãs.

    Felizmente, apesar de muitas iniciativas de todos os lados tentando acabar com essa harmonia, o Brasil (SC incluída) ainda é um país onde todo mundo SE REGOZIJA freneticamente sem pensar na coloração alheia. Alemão casa com negra, negro casa com japonesa, japonês casa com alemoa e todo mundo vive feliz. Que continue sempre assim.

  • 28. Rudi  |  26/05/2009 às 17:00

    felipe… leia o que escrevi mais abaixo

    15. Rudi | 26/05/2009 at 13:55
    Lourenço, na boa, não vi pejoratividade ou termos ofensivos…
    e não, não sou alimão

    e sim, conheço pessoas que me disseram ao conhecer porto alegre “não sabia que tinha negro no RS”

    e sim, essa palavra foi dita por um negro também, que mora aqui em brasília

    e não, também não sou negro, nem alimão, nem polaco nem nenhum estereótipo

  • 29. Godo  |  26/05/2009 às 17:56

    França, talvez o problema seja a CABECINHA DE MELDA do Carpeggianni, não a sua origem.

  • 30. Franciel  |  26/05/2009 às 18:12

    Sim, claro, Gogo, é só onda.

    Geografia nunca foi destino.

  • 31. Branco  |  26/05/2009 às 20:52

    Na verdade, a origem dele tem influência sim. Caso contrário haveria pelo menos 1 técnico gaúcho que não adore recuar o time quando joga fora de casa ou quando sai na frente.

  • 32. Ernesto  |  26/05/2009 às 23:49

    Branco falou tudo.

    Se bem que o Felipão nunca foi retranqueiro.

    E não posso discordar de um cara que tá vendo o carpegiani de perto. Minha predileção por ele em relação ao Tite se baseia, acima de tudo, em questão clubistica. Para treinar o inter, um homem identificado com o colorado.

    Mas achava que ele nao era retranqueiro, principalmente pela passagem no Flamengo, em 1981.

  • 33. Serramalte Extra  |  27/05/2009 às 07:12

    Felipão tirava o Paulo Nunes e botava o o Gélson aos 65-70 minutos sempre que o time tava ganhando…

  • 34. Gustavo Zanuz  |  27/05/2009 às 08:16

    “Felipão nunca foi retranqueiro”
    se vê que o Felipão nunca treinou o time do Ernesto.

  • 35. fino  |  27/05/2009 às 08:28

    sudiofsdiuisfdgydgsfdsfdgyasfdsdhusudahhusda

    GELSON

    morri

  • 36. Prestes  |  27/05/2009 às 10:38

    “Mas achava que ele nao era retranqueiro, principalmente pela passagem no Flamengo, em 1981.”

    Treinador naquele time era só pra atrapalhar.

  • 37. Aurelius  |  27/05/2009 às 11:16

    Em 1981, não tinha pq retrancar, se aquele timaço não conseguisse resolver na bola (quase sempre conseguia) então tudo se resolvia no apito (o Galo que o diga).

  • 38. izabel  |  27/05/2009 às 12:41

    massa o texto.
    nem precisava da citação ao final, franciel. e o chilavert também já tinha lembrado disso (acho que foi o chila quem escreveu o #17 do post passado).

    carpegiani é dono de um time pra revelar craques, devia se ater a esse único negócio. a capacidade dele de desmontar um time é impressionante.

    e brilhante a resposta aqui: Sim, claro, Gogo, é só onda.
    Geografia nunca foi destino

  • 39. Ernesto  |  27/05/2009 às 12:44

    Um treinador que joga com um meio de campo composto por dinho, goiano, Carlos Miguel e Arilson, tendo ainda o Arce na lateral, que sempre ia pro fundo cruzar a pelota, não me parece retranqueiro.

    Mas pode ser, afinal eu só secava o gremio, não analisava friamente.

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