Drama uruguaio com festa tricolor

17/02/2009 at 14:21 14 comentários

nacional

Ato 1:

Torcedores do Peñarol, após a eliminação para o Independiente Medellín, invadem a sede do clube. A pressão tem um motivo muito claro: percam o próximo jogo para o Danubio ou morram.

A mesma torcida quebrou tudo no Centenário após o jogo contra o DIM. Os barras contaram inclusive com a conivência de jogadores. Maxi Arias tapou a lente do fotógrafo da EFE que tirava chapas da baderna, dizendo “depois não te queixa”, supondo que os carboneros iriam espatifar suas objetivas e arrancar suas cuecas.

Uma vitória do Danubio aliada a um desaire do Nacional poderia tirar a taça.

Ato 2:

Nacional vencia o Central Español num protocolar 2-1, com gol anulado e tudo o mais, jogo disputado no Estádio Centenário. A questão toda era o que aconteceria nos Jardins do Hipódromo, onde o duelo dramático se desenhava.

Tudo corria na mais completa normalidade. A esquadra mirasol, com todos os seus titulares, empatava com o Danubio depois de abrir o placar, mesmo sem jogar por coisa alguma além de uma melhor colocação na tabela anual. O Danubio, de Javi Delgado (que marcou o gol) dava a vida. Com o empate, Nacional campeão do Apertura. Até que…

O goleiro saiu muito mal e Diego Ifrán cabeceou completamente sozinho. A torcida do Danubio delirava. A torcida do Peñarol, derrotada, também comemorava. “Viver sob suspeita”, era o título da coluna de opinião do El Observador no dia seguinte.

Ato 3:

Nacional e Danubio, com 29 pontos, foram para a NÊGA numa partida apenas, no estádio Centenário. O Nacional foi campeão após vencer por 2-1, com um jogador a menos.

Se o Peñarol entregou o jogo, não sei. Sei é que não adiantou nada. O Nacional, escoltado pelos jogadores que fizeram boa campanha no Sub-20, demonstra ter um time bem bom para os padrões uruguaios e ainda por cima, com raça suficiente para levantar um caneco em condições adversas.

Nacional agora vai “brincar no uruguaio” (ab$, Renato Portaluppi) e focar numa boa campanha na Libertadores. Está garantido na final e qualquer resultado que fique entre os 6 primeiros dá a oportunidade de tentar vaga na próxima Liber, pela Liguilla.

Ao Peñarol, resta tentar a dignidade de disputar uma final contra seu rival – o que não acontece desde 2003.

Nota: nosso amigo, colaborador e sempre atento Sancho ainda disse que o Danubio teve um pênalti sonegado, o que pode ser visto aqui:

Ele também trouxe outros dois vídeos – um com o compacto da partida:

E ainda outro:

É o teu castigo,

Luís Felipe dos Santos

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14 Comentários Add your own

  • 1. André K.  |  17/02/2009 às 15:13

    Se o Peñarol entregou o jogo, não sei.

    Achei que não existia isso de entregar jogo no futebol moderno

  • 2. Luís Felipe  |  17/02/2009 às 15:17

    eu não acredito.

    mas estamos falando de um lugar onde o jogador tapa a câmera para que ela não fotografe a violência da barra.

    posso acreditar que esse mesmo jogador obedeça o que eles mandam fazer.

  • 3. Francisco Luz  |  17/02/2009 às 15:18

    Se esse time bom do Nacional é o mesmo que jogou contra o Universidad San Martín, acho que perde a vaga pro Nacional Querido na primeira fase. Tomaram um calor dos peruanos em casa que foi brabo, e só venceram por causa da pressão demoníaca no fim.

  • 4. Luís Felipe  |  17/02/2009 às 15:44

    tá, mas além da USMP ser o melhor time do Peru, o Nacional estava no meio de duas decisões…

  • 5. Francisco Luz  |  17/02/2009 às 16:00

    Melhor time do Peru não é parâmetro.

    E o que me dói para entender é como que os bons jogadores das seleções de base uruguaias viram uns ninguéns nos seus clubes.

    Aliás, até sei o motivo. Mas me dói mais ainda saber que nada será mudado para resolver este casal-dilema.

  • 6. Luís Felipe  |  17/02/2009 às 16:01

    não é parâmetro para o Brasil, para o Uruguai é.

    Paco Casal tem muita culpa no cartório, mas não só ele. É complicado manter uma boa estrutura para treinamento com a situação econômica do país, p.ex.

  • 7. Sanchotene  |  17/02/2009 às 16:19

    Bah!, por favor, estamos falando do “Grupo da Morte 3”! Esses quatro times – Nacional oriental, Nacional guarani, Universitario e River – vão pelear até a última rodada pelas vagas. O River pode muito bem sobrar…

    O Grupo da Morte 1, por óbvio, é Liga, Sport, Colo Colo e Palmeiras; o 2, São Paulo, Defensor, América e DIM.

  • 8. Juliano R. da Silva  |  17/02/2009 às 16:24

    Esse GARCIA tem potencial.

  • 9. Junior  |  17/02/2009 às 17:27

    Mas o Equador também é um país pobre e tem feito boas campanhas internacionais, sem falar na LDU.

  • 10. Prestes  |  17/02/2009 às 17:40

    Complicado isso. Parece que a situação do futebol uruguaio hoje é muito pior que a do equatoriano.

    Senão me engano, os salários mais altos no Uruguai são tipo 20, 30 mil reais. A LDU deve pagar mais a alguns jogadores, tipo o Manso. Mas não muito mais também. Agora, tu vê pelos estádios, pelo preparo físico, que o futebol do Equador anda bem melhor.

    Acho que o futebol uruguaio, hoje, em termos de grana, só ganha da Venezuela e da Bolívia – e olhe lá.

  • 11. Luís Felipe  |  17/02/2009 às 17:50

    o Equador, atualmente, é um país com menos complicações econômicas que o Uruguai.

    mas também, não é um “jogo de soma zero”. O Brasil produziu o melhor tenista do mundo com uma confederação totalmente ultrapassada e nenhum investimento no esporte. Ele acabou e o tênis também.

  • 12. Prestes  |  17/02/2009 às 18:26

    Na real isso que tu disse, Luis, é a única coisa que podemos precisar: que não há como precisar exatamente causas nem dá pra saber se o futebol equatoriano, por exemplo, vai manter seu crescimento.

    Agora, o que parece é que enquanto vários países sul-americanos tiveram alguma industrialização, ou têm recursos naturais abundantes, o Uruguai, por sua vez, está cada vez mais decadente. O Uruguai tem vizinhos gigantes, capazes de produzir as mesmas coisa que ele, suprimindo o país completamente.

    Antes, quando a indústria ainda era algo muito voltado para os alimentos – lá pelo início do século XX – o Uruguai ainda se dava bem. E ainda era paraíso fiscal. Hoje, o país tá num beco sem saída. Quase não tem população, que dirá uma classe média urbana que sustente um campeonato profissional decente. Latifúndios, hoje, não sustentam futebol. Quando o esporte ainda era mais bancado por interesses políticos que por econômicos, aí talvez a oligarquia conseguisse manter grandes clubes.

  • 13. Francisco Luz  |  17/02/2009 às 18:26

    Não lembro se foi aqui que eu li isso, mas Nacional e Peñarol só ganham 300 mil reais por temporada da tv (ou algo em torno disso). É menos do que o NH recebe da FGF.

    Aí, realmente, não há como ter futebol forte sem dinheiro. Mesmo que ainda exista talento.

  • 14. Junior  |  17/02/2009 às 18:34

    Luís, tens razão, só a comparação com o tênis é indevida. Antes do Guga, o Brasil nunca teve um tenista masculino de ponta, mas sempre teve ao menos um de nível médio, seja o Thomas Koch, o Luís Mattar, Jaime Oncins, o Fernando Meligeni. No entanto, com o dinheiro que o Guga gerou para o tênis, o então presidente da CBT “cresceu o olho” e aniquilou o tênis brasileiro, assim como o Eurico Miranda fez com o Vasco. Hoje, com uma nova direção, voltou a ter um tenista médio, que ainda pode evoluir, o Thomas Bellucci.

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