Vestir as sandálias aurinegras da humildade

29/01/2009 at 22:02 31 comentários

Reinava grande expectativa na torcida do Peñarol pela volta à Copa Libertadores, fase preliminar, desde a derrota de 2005. O jornal Observador, entretanto, alertava: pela falta de preparação adequada, pela mudança de treinador e pela falta de tempo, o Peñarol temia uma goleada. Dito e feito.

Levaram 4 a 0 de um time colombiano, que por definição não tem respeito por qualquer tipo de tradição futebolística. O DIM, de Restrepo e Bobadilla, tem como melhor resultado na Copa uma semifinal jogada em 2003, derrotados pelo Santos depois de eliminar o Grêmio. O Peñarol tem cinco títulos da Libertadores, mas botou em campo uma equipe que faria corar de vergonha até mesmo o torcedor do Grêmio Bagé.

Quando falaram da vergonha que era o Peñarol levar 4 do Atlético Mineiro, eu falei: esperem a Libertadores, será outro time. Não foi. Na época, a imprensa alertava que Julio Ribas, treinador da equipe na histórica campanha de 1999, teria de ser Harry Potter para conseguir tirar daquela equipe grandes resultados.

Pablo Cavallero; Danilo Asconeguy, Gerardo Alcoba, Darío Rodríguez, Jonathan Píriz; Maximiliano Bajter(Max Lombardi), Julio Mozzo (Nicolás Rotundo), Omar Pérez (JM Franco), Richard Núñez; Antonio Pacheco y Carlos Bueno. Esta foi a formação humilhada no Atanásio Girardot.

Na prática, não é um time tão ruim. Cavallero é um goleiro melhor que todos os outros que atuaram no Peñarol nos últimos anos; Darío Rodríguez teve atuações soberbas no ano passado, apesar da queda no segundo semestre; Mozzo é um acréscimo no meio campo, embora Bajter não seja o mesmo de 2006 e Nuñez seja tecnicamente inferior a Olivera. Pacheco está cansado demais para ser a referência técnica do time e Bueno, bem…é um Christian branco e cabeludo.

Só que a instabilidade econômica do clube, a falta de organização na pré-temporada e a falta de rumo no departamento de futebol formaram uma canja com gosto de chorume. O grupo já estava com a moral abalada pelos maus resultados no Apertura, que tentaram ser encobertos com manobras políticas para interromper o campeonato; sem preparação, tudo é muito pior. O Peñarol que foi ao campo não conseguia trocar dois passes, teve erros por inaptidão técnica e por inexperiência – destaco Alcoba, o zagueiro, perigo em duas áreas – e acima de tudo não conseguiu em nenhum momento honrar a sua própria camiseta.

A torcida preparava a maior entrada em campo do futebol uruguaio no Estádio Centenário; agora, uma perspectiva com mais de 20 mil pessoas é otimista. Juan Pedro Damiani, o presidente que assistiu ao jogo do banco de reservas, reclamou do esforço econômico para manter o plantel e ameaçou: “O crédito está se esgotando, em julho vencem vários contratos”.

O time carbonero que enfrentou a Liguilla e conseguiu a classificação à pré-Libertadores, depois de vencer o Clausura, era melhor que este. Não tinha tanta qualidade técnica, mas tinha foco, objetivo; em seis meses, esse foco se perdeu. A torcida se preparou por meses para jogar essa Libertadores; o departamento de futebol, pelo visto, não o fez. No seu primeiro mandato oficial como presidente, Juan Pedro Damiani provavelmente terá de encarar de frente uma crise financeira drástica – com a eliminação da Libertadores, não haverá torneio lucrativo a ser disputado.

Aliar-se a Paco Casal para conseguir reforços de nome deu certo por um tempo. Agora, ao invés de pedir um empréstimo para comprar filé mignon, talvez seja melhor juntar as moedas e comer um guisado. Bem temperado, pode até tirar o gosto amargo provocado pela derrota de ontem.

Quem te viu, quem te vê, Peñarol.

Luís Felipe dos Santos

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31 Comentários Add your own

  • 1. roda  |  29/01/2009 às 22:46

    bah (consternação)

  • 2. George  |  29/01/2009 às 23:05

    Concordo com texto, Luís Felipe.

    Só uma correção aqui:
    ”O Peñarol tem cinco títulos da Libertadores, mas botou em campo uma equipe que faria corar de vergonha até mesmo o torcedor do Grêmio Bagé.”

    http://purofutebol.blogspot.com/2007/10/das-nomenclaturas.html

    Saudações jalde-negras!

  • 3. Cassol  |  30/01/2009 às 08:08

    E o Palmeiras meteu cinco ontem no Real Potosí, com direito a bucha do Cleiton Xavier. Impressionante como o mundo gira.

  • 4. Álisson  |  30/01/2009 às 08:13

    Bah dentro de pouco tempo o Palmeiras vende esse lacaio por 10 milhões.

  • 5. Ernesto  |  30/01/2009 às 09:04

    E o Estoyanoff e o Olivera, foram jogar aonde ?

    E o filho do Aguirregaray, não era um bom jogador tb ? Abandonou a barca e foi pra europa ?

    Abraço.

  • 6. André K  |  30/01/2009 às 09:08

    Bueno, bem…é um Christian branco e cabeludo

    Pobre do Christian. Comparar ele ao Bosman uruguaio é muita sacanagem.

    A diferença entre os jogadores do Palmeiras e do Potosi era literalmente visivel.

    Aliás o Potosi merecia a goleada só por entrar em campo com uma camisa daquelas

  • 7. joão carlos  |  30/01/2009 às 12:10

    AGUANTE PEÑAROL YO CREO EN LAS BRUJAS PERO NO LAS HAY NACIONAL = PUTOS VAN A SER ELIMINADOS TAMBIÉN AGUANTE DALE CINCUENTA AÑOS CINCO TÍTULOS 2005 CINCO ESTRELLAS CINCO MUCHO CINCOCERA COCINERA LELEÔ BEINTICINCO CARNAVAL

  • 8. Arbo  |  30/01/2009 às 12:20

    achei afudê a camisa do time colombiano.

    tem estrela esse keirrison.

  • 9. joão carlos  |  30/01/2009 às 12:27

    ¿ESTRELLA? AGUANTE BIRIRI….

  • 10. Coimbra  |  30/01/2009 às 13:19

    “E o filho do Aguirregaray, não era um bom jogador tb ? Abandonou a barca e foi pra europa ?”

    Tá jogando o Sudamericano Sub-20, se não me engano é o capitão da Celeste.

  • 11. Luís Felipe  |  30/01/2009 às 13:22

    o filho do Aguirregaray, que é gaúcho de Porto Alegre, foi vendido para a Udinese. Ruben Olivera está no Genoa (passe é da Juventus) e Estoyanoff no poderoso Panionios, da Grécia, fazendo dupla com Recoba.

  • 12. Luís Felipe  |  30/01/2009 às 13:25

    e os três jogadores do Peñarol que estão na sub-20 não foram inscritos na pré-Liber, por motivos óbvios (Hernández, que meteu dois no Brasil; Aguirregaray, que teoricamente vai para Udine em julho; Diego Rodríguez, que a princípio permanece)

  • 13. Prestes  |  30/01/2009 às 13:35

    Cara, o Dario Rodriguez é um lutador de sumô.

    E o Pacheco tá com físico de quem estava até domingo em LA PALOMA, tomando Zillertal.

  • 14. Prestes  |  30/01/2009 às 13:36

    E se ano passado o time não tinha tanta qualidade técnica, meu deus, era um show de horror então.

  • 15. Prestes  |  30/01/2009 às 13:37

    Ah, e como é oportunista esse Jackson Martinez, hein?? Daqui um pouco tá desfilando em pagos brasileiros, ou mexicanos, ou quiçá, no Getafe, sauhdsauhdasuhuashuh

  • 16. Luís Felipe  |  30/01/2009 às 13:48

    o time do meio do ano passado era melhor em qualidade técnica que esse, pois Estoyanoff e Olivera eram meias bem melhores que Bajter e Mozzo. Só não tinha assim, TANTA qualidade, não era um timaço.

  • 17. Prestes  |  30/01/2009 às 13:53

    Ah, bom. Achei que tinha menos qualidade que esse.

  • 18. Luís Felipe  |  30/01/2009 às 16:03

    PEÑAROL. LA GOLEADA ANTE INDEPENDIENTE MEDELLÍN SUMÓ OTRO FRACASO INTERNACIONAL

    El calvario del hincha

    Los carboneros se habían ilusionado por la vuelta a la Libertadores, pero recibieron el enésimo cachetazo

    POR IGNACIO CHANS DE LA REDACCIÓN DE EL OBSERVADOR

    Hoy tengo necesidad de hablar. De manifestar mis sentimientos. De contarte a vos, botija, lo que tus padres y abuelos te han dicho de mí. Nací hace casi un siglo, pero sigo sintiéndome tan joven como vos… Hoy me han llevado de viaje. Dicen que a Chile me voy… 11 leones conmigo mañana van a salir. La ilusión se hace esperanza. La necesidad, deseo. Pero quedate tranquilo pibe, yo no te voy a fallar. Si quéres dormí conmigo, apretame en tu pecho, al lado del corazón, porque te lo dice tu amiga: la camiseta de Peñarol”.

    El botija escuchó por enésima vez el casete viejo y gastado de Peñarol campeón de América 1987, de radio Carve. La arenga el día anterior a la hazañosa final contra América de Cali lo emocionó, como hace mucho tiempo no lo hacía. Besó la camiseta y allá se fue, a juntarse con los amigos, a ver a Peñarol otra vez en la Copa.

    Porque la Libertadores tiene un aura única. Serán las historias épicas contadas por padres y abuelos, será el orgullo de sentirse, al menos en el historial de copas, en la flor y nata del continente, será el entendible recurso a creer que en la vida todo es posible.

    Es que no importaban las humillaciones, los cuatro años afuera. No importaban los líos de la pretemporada, los rumores de jugadores de juerga. No importaba el “armisticio” con Casal, la renuncia de Saralegui ni la última derrota clásica. Porque era la Copa Santander Libertadores. Dos palabras mágicas, que suenan en el aire y que a cada hincha de Peñarol le mueve el piso.

    Dos palabras que para los más grandes significan Spencer o Joya, para los treintañeros Morena o el Indio Olivera, para los de 20 y pico la Fiera Aguirre, que hasta para los más chicos, que a gatas se acuerdan del quinquenio, significa ver en la TV internacional a la camiseta. Esa sensación única cada vez que hay un partido de Copa.

    Copa Libertadores. Es increíble que dos palabras puedan generar tanta ilusión. Y que 90 minutos después, puedan causar tanto dolor.

    Porque el hincha de Peñarol quedó muerto. A medida que pasaban los minutos veía destruirse ilusiones acuñadas por meses. Con cada uno de los cuatro goles, con cada mal pase, con cada pelota sin correr, con cada muestra de desgano, sentía cómo se derrumbaba algo peor que la ilusión: la confianza en que sus jugadores sientan la misma vergüenza que el hincha al ser goleados.

    Pero la mayoría se quedó mirando. ¿Masoquismo? Quizás, o más bien era la necesidad de verificar en carne propia en qué se ha convertido el club de sus amores.

    Y de la mano de eso, el profundo deseo de que la pesadilla termine de una vez. ¿Qué se vayan todos? Quizás. ¿Renuncias del presidente o DT? Puede ser. ¿Apostar a la cantera? También. El hincha no sabe cómo, pero quiere ver la luz al final del túnel. Porque van demasiadas ilusiones rotas. Y porque la camiseta, la que un día le habló de historia al chiquilín, ya está demasiado bastardeada.

  • 19. Prestes  |  30/01/2009 às 16:09

    Cara, toda crônica em espanhol é um TANGO.

  • 20. Junior  |  30/01/2009 às 16:25

    Prestes, os argentinos e uruguaios tem essa aura melancólica e isso está presente em tudo que eles fazem, nas músicas, nos filmes, nos textos, etc.
    Os nossos patrícios portugueses também são assim, não é por nada que o ritmo musical símbolo de Portugal é o fado.

  • 21. Sanchotene  |  30/01/2009 às 16:26

    Hay que no se lo pueden escribirlas en portugués.

    Nosso idioma é alegre demais para retratar sofrimento.

  • 22. Sanchotene  |  30/01/2009 às 16:26

    Hay cosas que no se lo pueden escribirlas en portugués.

    Nosso idioma é alegre demais para retratar sofrimento.

  • 23. Junior  |  30/01/2009 às 16:35

    Sanchotene, como escrevi acima, os portugueses também escrevem muito bem sobre a melancolia. Nós, brasileiros, não somos muito bons nisso.

  • 24. Alex Alvarez  |  30/01/2009 às 16:42

    Cara, eu acho que o problema do Peñarol é a direção, não os jogadores em si. A defesa foi um desastre, o meio-campo não existiu, no ataque, Carlos Bueno não recebeu uma boa bola. De duas, uma: a equipe inteira (todos os jogadores) é ruim, ou falta alguém que saiba fazer onze caras jogar como um time de futebol.

    O que vi foi um amontoado de jogadores que não sabiam o que raios fazer com a bola. Isso pra mim é problema da cabeça da equipe. O trabalho de técnico exige MUITA inteligência, QI, raciocínio, capacidade mental para identificar e resolver problemas, além de anos vivendo o futebol. Sinceramente, tenho minhas dúvidas sobre Julio Ribas. E antes que você me fale sobre a campanha de 1999, te digo que há muito tempo que ganhar um campeonato uruguaio não é algo tão difícil ou prestigioso, levando em conta o nível do futebol daqui.

    Nos últimos tempos, o Nacional tem ido mais longe que o arqui-rival porque usa a cabeça, tanto os diregentes, como o técnico e os jogadores. Já no Peñarol, todo mundo prefere a força física (que confundem com a garra charrúa) e os nomes de velhas conquistas (que não significam futuros títulos). E assim são os resultados obtidos. Planejamento inteligente é tudo, é o caminho.

    Duvido que o Peñarol consiga reverter a série, porque é provável que leve um gol (ao menos) do DIM no Centenário, e então precisaria vencer por cinco gols de diferença para não ser eliminado.

  • 25. joão carlos  |  30/01/2009 às 16:52

    AGUANTE MANYA MI VIDA

  • 26. Luís Felipe  |  30/01/2009 às 17:10

    discordo quando fala do Peñarol preferir a força física. O time do Clausura passado tinha jogadores que fisicamente nunca foram grande coisa, como Estoyanoff e Oliveira, e teve um desempenho bem satisfatório. Sobre Julio Ribas, estou ouvindo algumas críticas a ele – especialmente pelo esquema com um só atacante – mas acho injustas, são dez dias de trabalho.

    Começo a concordar com a questão diretiva. Damiani jogou demais para a torcida, devido à sua impopularidade, nos últimos tempos. Inaugurou um CT incompleto, aliou-se com Casal para contratar jogadores de nome, mas nunca demonstrou ter um projeto muito sério. Alguns outros candidatos à presidência levaram ferro pq disseram que preferiam ganhar o campeonato uruguaio à Libertadores. Puxa, tudo bem que a Copa é parte do imaginário do torcedor, mas o campeonato ajuda a solidificar um projeto de clube. Os seis meses entre o projeto consistente do Clausura e a estréia na pré-Liber foram muito nocivos ao clube: os melhores do time foram embora, Saralegui perdeu o controle do grupo, a preparação física demonstrou claras deficiências para organizar uma pré-temporada.

    na quarta-feira, já havia uma diferença clara entre os dois times – o DIM recém saiu de uma final de campeonato, o Peñarol estava parado desde o início de dezembro com um time muito inferior àquele do meio do ano passado. Parece que a direção do clube pensou muito na camiseta e poucos na sua inferioridade diante das circunstâncias. O Peñarol não perdeu as chances de conquistar o título quatro rodadas antes do fim por acaso.

  • 27. Camilo  |  30/01/2009 às 18:01

    sim. é uma boiolice isso de segundo time, mas o peñarol é meu segundo time. comprei até camiseta esse ano

  • 28. LÓGICA  |  30/01/2009 às 18:09

    CAMILO VIADO!

  • 29. Hugo Pegoraro Serelo  |  30/01/2009 às 18:57

    Time que perde de 4×1 pra Atlético Mineiro não pode almejar nada.

  • 30. FERN  |  30/01/2009 às 21:20

    CHUUUUUUUUUUUUPA!!! PEÑAROL

    NO MANYA NO CRY…

  • 31. joão carlos  |  31/01/2009 às 00:58

    e EL TANQUE, como está?

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