O nome do Gre-Nal: Fabiano

29/09/2008 at 11:48 18 comentários

D’Alessandro? Coadjuvante. Roth? Nada poderia fazer. Evandro Rogério Román? Não interferiu. O nome do Gre-Nal dos 4 a 1 foi Uh Fabiano.

Cada um tem sua teoria. O Dante, por exemplo, leitor e cartola do Impedimento, veio me contar na véspera do jogo que na quinta à noite havia entrado no mesmo elevador que Celso Roth. E o Dante, único colorado entre Roth e mais quatro ou cinco gremistas, se sentiu superior, como se a entidade naquele vagão fosse ele.

– Tive a visão de que vamos ganhar o Gre-Nal, disse o Dante.

É uma explicação forte para a goleada, mas eu também tenho a minha e ela está centrada na presença de Fabiano Souza no camarote do Beira-Rio.

Cheguei ao estádio sem a confiança do Dante. Aos poucos, porém, fui sendo tomado pela esperança, na mesma proporção em que a cerveja era tomada por mim. A euforia só seria maior se eu não tivesse que ficar com um olho no jogo e o outro nas confusões da arquibancada.

Mesmo fora do Beira-Rio a humanidade dava provas de sua falência. Num bar da Padre Cacique, eu acabava de devolver ao mundo, via uretra, a cerveja que recém havia bebido, quando me deparo com uma legião de brigadianos em frente ao estabelecimento – e eles não estavam com cara de quem só queria tomar um liso daquela que matou o guarda. Um gremista teria passado de carro em frente ao bar – que idéia – quando um colorado, provavelmente desprovido do cerebelo, teria jogado um rojão para dentro do veículo.

Confusões como essa se repetiriam dentro do estádio, com alto grau de responsabilidade da direção colorada, que embretou a torcida gremista num canto do estádio, sem separação adequada, e bem abaixo da torcida local. Quem já viu Gre-Nal abaixo da torcida adversária e quase foi atingido por uma lata de cerveja na cabeça sabe do risco de acontecer alguma merda. Impressão de quem viu as cenas de longe, bem abaixo do camarote de Fabiano, onde possivelmente não existe lei seca.

Quando o último dos camisa 7 apontou no parapeito, a turba ao redor entrou em transe. Uh, Fabiano, Uh, Fabiano, começamos a gritar, e ali fui ficando mais tranqüilo, confiante na vitória, mas não na repetição da elasticidade do placar protagonizada, há dez anos, por aquele que acenava do camarote.

Fabiano velho. Eu te imitava até no jeito de caminhar depois que pedi pro treinador do Bento me escalar de ponta direita. Tentava o mesmo drible para o lado e inclusive te repeti no apreço pela boemia. Tive pena quando, num Gre-Nal, o Danrlei te engambelou, provocou tua expulsão e tu, acusando a derrota moral, saiu xingando o goleiro de “franga velha”. És um bom sujeito.

O jogo? Bem, tirando a participação fundamental de Fabiano, eu fico com a charge do gremista Kayser, que resume bem o que aconteceu neste domingo.

Mais que uma data para ser lembrada nas próximas décadas, o Gre-Nal de ontem gera a contraditória situação de gremistas secando o próprio time para poderem, ao final do ano, dizer que tudo foi agouro dos colorados que deram o título para o Grêmio no meio da competição.

O taxista que me trouxe para casa ontem – perdi o T5 – está aí, alucinado pelas ruas de Porto Alegre, para não me deixar mentir: para acalmá-lo da euforia, já que gesticulava muito e não olhava para o trânsito, tentei argumentar que o bom da goleada foi que ganhamos um trunfo para ser posto à mesa no caso de o Grêmio ser campeão. Será útil para futuras discussões em mesa de bar. Ainda acho que o Tricolor está com todas as ferramentas para conquistar o título, ainda que o Gre-Nal tenha derrubado três ou quatro soldados tricolores para as próximas – e definitivas – rodadas.
 
E também já tenho minha resposta para o caso de ser cobrado sobre minha perseguição a Tite. O que acontece é que o Internacional voltou ao esquema do primeiro semestre, com o qual, por exemplo, aplicou os oito golos no Juventude. Ou seja, Clemer é o nosso treinador informal e o que Tite faz é apenas contar os coletes e dar entrevistas coletivas.

Sob a supervisão de Fabiano.

Um abraço,
Daniel Cassol

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Chacina numa tarde de primavera No Ano VIII, o Gre-Nal do Milênio

18 Comentários Add your own

  • 1. JO  |  29/09/2008 às 11:56

    estou triste …podiamos ter posto 6,7,8 e não quisemos!fora tite!

  • 2. dante  |  29/09/2008 às 11:58

    tudo verdade.

  • 3. Milton Ribeiro  |  29/09/2008 às 12:10

    Dante, eu também estava super-otimista. Cheguei ao estádio rindo de tudo. Saí igualzinho.

  • 4. Andreas  |  29/09/2008 às 12:16

    Saboroso, o texto.

    (desculpe, não achei nenhum adjetivo mais PRECISO do que esse)

  • 5. Milton Ribeiro  |  29/09/2008 às 12:26

    Neste fim de semana, meu outro time também venceu o clássico da cidade: Benfica 2 x 0 Sporting, com um gol maravilhoso de Reyes e outro do ex-colorado Sidnei.

    O blog Tertúlia Benfiquista (os portugas são insuperáveis nos títulos ridículos) provoca:

    – O resultado é um bom sinal, porque é exactamente contra estas equipas pequenas que se decidem campeonatos.

    Mas porque comento isso? Sei lá! Estou tão feliz que não consigo trabalhar.

  • 6. Luís Felipe  |  29/09/2008 às 12:46

    Sidnei fez gol em clássico?

    bah. Agora ninguém segura o Prestes.

    o espírito de Fabiano estava em campo.

  • 7. Milton Ribeiro  |  29/09/2008 às 13:17

    Um belo gol, de cabeça.

  • 8. Leo Ponso  |  29/09/2008 às 13:25

    Espero que Polegar Vermelho não seja nenhuma das pessoas que gosto e respeito neste espaço. Coisa mais escrota.

  • 9. Prestes  |  29/09/2008 às 14:59

    Ah, pára, Luis. Tu é do time dos que preferem meia-boca evangélico a excelente boêmio??

  • 10. Tiago Medina  |  29/09/2008 às 15:03

    Atacantes boêmios fazem falta a esse futebol disputado hoje.

  • 11. Titi  |  29/09/2008 às 15:22

    “Confusões como essa se repetiriam dentro do estádio, com alto grau de responsabilidade da direção colorada, que embretou a torcida gremista num canto do estádio, sem separação adequada, e bem abaixo da torcida local. Quem já viu Gre-Nal abaixo da torcida adversária e quase foi atingido por uma lata de cerveja na cabeça sabe do risco de acontecer alguma merda.”

    Isso eh verdade. Mas a Brigada eh totalmente despreparada.

    Fora os desprovidos de cerebelo que deveriam ser linchados … a policia se mostra totalmente despreparada. Essa cena se repetiu e sempre se repete la no Olimpico. Ontem passou um carro com uma familia e os caras fizeram dele uma “lata de ceva amassadinha”.

    A confusao entre as torcidas, ao final do jogo, se deu pq a policia se retiruou da divisoria. Dai foi a pedida … nao quero entrar no merito de quem comecou … mas foi foda. Eu tava com a mina mais 2 amigas … mesmo nao querendo o cara tem que fazer a frente pra defender seu “patrimonio”.

    Vi, no minimo, uns 7 bonecos que sairam “todofiadaputa” de pedrada e de bala de borracha. 3 no melao.

    Escolta LOST mais uma vez.

  • 12. Christian  |  29/09/2008 às 15:50

    Fabiano estava no beira rio ontem?

    O cara foi contatado pela Chapecoense (adversario do inter na copa do brasil deste ano), chegou na quarta, na quinta e na sexta ja tava num bar da cidade.

    Q repita as atuações dos grenais!

  • 13. Prestes  |  29/09/2008 às 15:51

    Cara, eu odeio polícia, mas sei que eles não saem dando cacetada em boyzinho sem agüentar muito antes.

    Eu tinha um colega de trabalho que era da Juventude Hitleris… digo, Geral, e ficava assistindo vídeos no Youtube de barras argentinas batendo em policiais o dia inteiro.

  • 14. Junior  |  29/09/2008 às 17:09

    Cassol, uma dúvida: o último dos camisas 7 se refere ao fato do Fabiano ser o último dos ponteiros ou o último camisa 7 a fazer sucesso? No caso da 2ª hipótese, considero Tinga o último camisa 7 a envergar decentemente a mais nobre das camisetas vermelhas. Essa camisa é a mais nobre das camisetas vermelhas porque foi usada no Rolo Compressor por Tesourinha, por Valdomiro nos anos 70, por Maurício nos anos 80, pelo próprio Fabiano nos anos 90 e por Tinga na primeira década do século 21. Nenhuma outra camiseta foi tão marcante na história colorada.
    *Parece que Bodinho foi camisa 7 no Rolinho, mas nunca obtive a confirmação.

  • 15. Francisco Luz  |  29/09/2008 às 17:16

    Na época do Tesourinha, as camisas não tinham número.

  • 16. Cassol  |  29/09/2008 às 17:28

    Junior, “o último dos camisa 7” é apenas uma referência saudosista ao ponta direita, sem maior rigidez histórica.

  • 17. Vinicius  |  29/09/2008 às 18:42

    “Eu te imitava até no jeito de caminhar depois que pedi pro treinador do Bento me escalar de ponta direita. Tentava o mesmo drible para o lado e inclusive te repeti no apreço pela boemia. Tive pena quando, num Gre-Nal, o Danrlei te engambelou, provocou tua expulsão e tu, acusando a derrota moral, saiu xingando o goleiro de “franga velha”.”

    Trocando o time de várzea, revi minha adolescência.

  • 18. Luís Felipe  |  29/09/2008 às 22:34

    prestes, eu até gostava do sidnei. Só que não via como ele poderia valer mais do que aquilo que o Benfica pagou. Estava se perdendo na carreira, entende?

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