Nascia o país do futebol

29/06/2008 at 06:10 5 comentários

Há exatos 50 anos, ou seja, no distante 29 de Junho de 1958, o Brasil vencia a Suécia por 5 a 2 e conquistava sua primeira Copa do Mundo. Foi assim que nasceu o afamado País do Futebol. Depois veio o João Havelange e estragou tudo.

Em maio deste ano, o jornal Gazeta do Povo, do Paraná publicou um caderno especial* sobre a conquista brasileira na Suécia. Em uma das reportagens, pesquisadores consultados sustentam que foi em 1958 que os brasileiros conseguiram superar o “complexo de vira-latas” inaugurado com oa derrota na Copa de 1950.

Diz um trecho da reportagem:

Atualmente, há consenso entre os estudiosos dos aspectos histórico-culturais do esporte sobre a relevância deste fato: em 1958, o Brasil aceitava sua identidade “multiétnica” e sua vocação democrática – ao menos no futebol. “É importante ressaltar que o timaço de 1958 era resultado do processo de popularização e democratização do futebol entre nós, da inclusão das camadas mais pobres e mestiças do país, cujo auge foi exatamente a partir das décadas de 40 e 50. Por isso, costumo dizer que a história do futebol no Brasil é um capítulo da história de nossas lutas sociais – fundamentalmente, a luta pela inclusão social”, resume Maurício Murad, doutor em sociologia do desporto e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Para a professora Simoni Lahud Guedes, da Universidade Federal Fluminense, “a idéia da ‘miscigenação’ que deu certo, encarnada, muitas vezes, nas avaliações nacionais e internacionais acerca da seleção brasileira, tem sido responsável pela admiração que o time provoca em vários lugares do mundo, em especial nas regiões mais pobres do planeta”.

Fora de campo, no entanto, persiste um certo sentimento derrotista, e pior: como diz o jargão futebolístico, o brasileiro não mostra o mesmo “amor à camisa” na vida em geral. Conforme sintetizou o jornalista Roberto Pompeu de Toledo no belo ensaio “Ninguém É Bom Como o Brasil”, publicado quando a Seleção finalmente voltou a triunfar, em 1994, depois de longo jejum desde 1970: “Por que somos tão ruins em outras coisas e tão bons dentro das quatro linhas do gramado, como dizem os cronistas esportivos?”. Ou ainda: por que o brasileiro é uma espécie de “povo eleito” do futebol, mas não consegue transferir essa dádiva para outros setores da vida?

De fato – e agora para muito além da simples miscigenação – a arena futebolística está entre os espaços mais democráticos já inventados no país. “Está aí um campo em que o Brasil conseguiu uma originalidade, em primeiro lugar. Conseguiu dar uma contribuição à cultura universal ao forjar um estilo próprio. E isso porque (…), apesar das tensões, das marchas e contramarchas, se trata de um domínio em que o Brasil abriu as porteiras ao Brasil”, completa Pompeu de Toledo.

“No plano social, a ‘primeira Copa do Mundo’ é vista como um marco, uma experiência inicial de pertencimento a algo maior, que ultrapassa a família e a escola, quando, num momento mágico, deixamos de ser botafoguenses, palmeirenses ou atleticanos para sermos, simplesmente, brasileiros”, ilustra a pesquisadora Fátima Antunes, cuja “primeira Copa”, aos 7 anos, ela lembra, foi a catártica vitória de 1970. Se ao menos a vida imitasse o campo…

Abaixo, dois vídeos sobre a conquista de 58.

Primeiro, imagens sensacionais com os melhores lances da partida final, entre Brasil e Suécia.

Em seguida, o trailer do filme “1958, o ano em que o mundo descobriu o Brasil”, que já deve andar em cartaz por aí.

Um abraço,
Daniel Cassol
* um exemplar do caderno me foi enviado pelo leitor Júlio Barbosa, de Curitiba, meu tio.

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O Segundo Tempo Tente outra vez

5 Comentários Add your own

  • 1. Paulo Daisson Gregório Casa Nova  |  29/06/2008 às 08:51

    Escaneia.

  • 2. Cassol  |  29/06/2008 às 10:58

    Paulo, eu não tenho scanner, mas ali naquele link dá para ler todo o conteúdo do caderno.

    Abraço.

  • 3. Paulo Torres  |  29/06/2008 às 21:16

    A série de reportagens que passou no Globo Esporte essa semana foi muito boa tb. Genial a entrevista com o Gustavssson, hoje um velhinho simpaticíssimo, que foi o zagueiro que levou aquele chepéu do Pelé na final.

  • 4. Prestes  |  29/06/2008 às 22:30

    Reza a lenda que os galo véio tipo Nilton Santos cansaram de tomar baile nos treinos e exigiram a entrada do negão e do bugre.

  • 5. Felipe Reck  |  29/06/2008 às 23:27

    E aqui tem o jogo completo entre Brasil e Suécia em 58, pra download…

    http://bicudafc.blogspot.com/2008/05/brasil-5-x-2-sucia-copa-de-1958.html

    Abraços!

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