A Copa dos centroavantes

26/05/2008 at 20:58 32 comentários

Quando Washington ascendeu ao terraço da zaga são-paulina para marcar o gol da classificação do Fluminense, não estava apenas levando o tricolor a uma semifinal histórica e calando 95,72% da crônica esportiva brasileira – Impedimento inclusive -, que apostava no fracasso precoce dos comandados de Renato Portaluppi. Washington também consolidava o que já é uma marca desta edição da Libertadores. Nunca na história da competição, diria o presidente Lula, os centroavantes foram tão decisivos como nesta de 2008.

É claro, houve outras. No ano passado, por exemplo, Salvador Cabanãs marcou dez gols pelo América, mas teve de dividir os holofotes com colegas que habitam o meio campo, como Riquelme (oito gols pelo Boca) e Zé Roberto (sete, pelo Santos). Neste atípico ano de 2008, a lógica encontrou-se com o futebol – o que é raro – e os artilheiros das equipes são, na maioria, aqueles que aparecem por último na escalação.

Das quatro equipe semifinalistas, Boca, América e Fluminense puderam contar com seus avantes na hora decisiva. Palermo é o artilheiro da equipe argentina, com seis gols, tendo marcado três no passeio de Guadalajara. Cabañas novamente aparece como goleador da competição, com oito gols (ao lado de Marcelo Moreno, do Cruzeiro, que contou com duas saraivadas para cima do Cerro Porteño na repescagem). E Washington, com apenas três em toda a Libertadores e com oito partidas sem marcar, foi fazer seu desjejum justamente quando o tricolor carioca mais necessitava.

Entre os times que ficaram pelo caminho aparecem Sebástian Abreu (sete tentos pelo River), Kléber Pereira (seis, pelo Santos) e Adriano (também seis, pelo São Paulo). A exceção que confirma a regra é a presença do meia-atacante santista Molina, seis gols anotados, único não-centroavante entre os oito maiores artilheiros da atual Libertadores.

Não é exagero dizer que o futebol moderno já excluiu a figura do ponta. Um jogador que só tem como recurso a arrancada em velocidade pelos cantos do campo é algo tão útil para um time de futebol quanto glostora para as melenas. Da mesma forma, nestes tempos de futebol corrido e dinâmico, em que a polivalência é fundamental principalmente no meio do campo, vislumbra-se para daqui a pouco a extinção do volante que não distingue uma bola de uma pedra de obra e do meia-armador “que põe o pé em cima da bola”, como se houvesse tempo e espaço para “pensar o jogo”.

Porém, uma coisa é certa, tão certa quanto o fato de o Bar do Simon possuir a cerveja mais corretamente gelada do Rio Grande do Sul. Por mais que o futebol mude e evolue para o esquema 2-7-1, haverá ainda por muito tempo uma camisa 9 reservada pelo roupeiro, um botão na extremidade da prancheta dos treinadores e um grito preso pela glote dos narradores, esperando por aqueles jogadores que tenham no fazer gols sua tarefa principal.

Um abraço,
Daniel Cassol
Imagem retirada daqui.

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Comportamento exemplar Duelo de extremos no Chile

32 Comentários Add your own

  • 1. Leo Ponso  |  26/05/2008 às 21:14

    Daniel Cassol, o camisa 9 do jornalismo esportivo.

  • 2. tiagón  |  26/05/2008 às 21:54

    na boa – vocês estão cada vez melhores.

  • 3. Antenor  |  26/05/2008 às 23:25

    Excelente epifania.
    Só não entendi o porquê do “Impedimento inclusive”, desconsiderando minhas apostas iniciais no Fluzão.

  • 4. Celão  |  27/05/2008 às 08:20

    Curti o texto, mais ainda a propaganda da Glostora e o site do Loco. Essa foi prá começar bem o dia.

  • 5. Rudi  |  27/05/2008 às 08:59

    E Molina só tem esses gols todos pq fez 4 num jogo só, acho que nos 7×0- contra o San José

  • 6. Gustavo  |  27/05/2008 às 09:01

    Acho que o Loco não jogou bem no Grêmio porque tinha raspado o coco. Talvez nem ele sabia que tinha algo de Sansão…

  • 7. João  |  27/05/2008 às 09:58

    Gustavo, acho que o Loco não deu certo pelo mesmo motivo que muitos jogadores se queimam no Gremio e depois fazem sucesso em outros clubes que é uma certa pressa e falta de paciência da torcida. Não sei se nos outros clubes também é assim, e se é a realidade dos dias de hoje, mas antigamente o Gremio contratava um time e ele tinha de jogar. Aí o jogador tinha tempo pra mostrar seu potencial. Pega o Julio dos Santos, por exemplo. É evidente que ele tem futebol, mas os caras põe ele meio tempo, não tem como ele se recuperar e voltar à velha forma. Aí o Roth põe no lugar dele um armário. Armário não tem erro, joga sempre do mesmo jeito. No domingo o Pereirão espirrou uma bola que quase resultou em empate. Mas a trocida adora ele. Eu preferia que colocassem mais técnica no time. Enchi tanto o saco de ver este futebol tosco que chego a preferir parder mas ver o time jogar mais bonito (exagerei agora).

  • 8. Paul  |  27/05/2008 às 10:01

    “Um jogador que só tem como recurso a arrancada em velocidade pelos cantos do campo é algo tão útil para um time de futebol quanto glostora para as melenas”

    Báh, que saudade do NASARILDO correndo pela ponta direita da baixada!

  • 9. Luís Felipe  |  27/05/2008 às 10:29

    Loco Abreu veio para o Grêmio no momento errado. Tinha brigado com meio mundo lá na Espanha e chegou no Olímpico numa fase bem negativa – muitos jogos sem vencer, disputando posições baixas da tabela, etc.

    Agora ele é pai de família, é diferente. Eu vi o último jogo dele no La Coruña antes de vir para o Olímpico. O Deportivo tinha um meia esquerda chamado FRAN, que era ídolo do time. Ele entrou no jogo e cada vez que o Fran corria, ele partia para dentro da área pedindo a bola, mas o meia nunca cruzava para ele.

    Na quinta vez que isso ocorreu, Abreu tirou a chuteira e chutou-a na arquibancada. Não é a toa que recebeu esse apelido.

  • 10. FERN  |  27/05/2008 às 11:10

    CORRETO LF, VEIO EM PÉSSIMA FASE, EL MINUANO.

  • 11. Gustavo  |  27/05/2008 às 11:13

    Bah, mas na boa, o Loco jogou MUITO MAL no Grêmio. Chegava a ser ridículo. Acho que não foi pegação no pé da torcida nem má escalação do treinador (nem lembro quem era – o Roth?). Ele é que estava numa péssima fase, como bem disse o Luis Felipe.

  • 12. Cassol  |  27/05/2008 às 11:20

    Valeu, gurizada.

    E atenção: onde está “Impedimento inclusive”, acrescentem um “exceto Antenor”.

  • 13. dante  |  27/05/2008 às 11:22

    “Báh, que saudade do NASARILDO correndo pela ponta direita da baixada!”

    do FABIANO CACHAÇA, aqui.

  • 14. Flávio  |  27/05/2008 às 11:41

    “O Deportivo tinha um meia esquerda chamado FRAN, que era ídolo do time”.

    Bah, esse maleta também boicotou o Djalminha…
    Pior que Loco Abreu chegou aqui como ídolo instantâneo em 98 (o técnico era Roth? ou o Edinho?). Não que muita gente lembrasse dele no San Lorenzo e no Deportivo, mas porque jogava com a gola levantada à la Cantona.
    Mas era uma fase complicada do Grêmio. Ronaldinho e Tinga eram banco. O “craque” do time era Itaqui. E ainda pegaram no pé de El Loco por causa do salário (80.000 por mês, na época em que o real era pau a pau com o dólar).

  • 15. Sanchotene  |  27/05/2008 às 11:50

    Ele foi treinar pênaltis e quebrou o pé. Isso não o ajudou muito por aqui…

  • 16. Juliano  |  27/05/2008 às 13:02

    E a imprensa brasileira insistindo em chamar o Cabañas de gordo, de lento e de não-sei-mais-o-quê e aí está, vai ser pelo segundo ano consecutivo artilheiro da COPA.

  • 17. Boçal  |  27/05/2008 às 13:02

    Nem fala em esquema 2-7-1. Vai que o Sexy Hot tá lendo o Impedimento e me vem com essa loucura?

  • 18. Sexy Hot  |  27/05/2008 às 13:38

    Idéia aprovada! Assim tiro o Roger do time, o cara parece que tá com dois sacos de cimento.

  • 19. Titi  |  27/05/2008 às 14:02

    Momento …. esses dias – Sabado passado no campo – eu ainda comentei isso com O Serramalte Extra. Varios caras se destacaram depois de passar pelo Gremio ou Inter, e aqui todos queriam eles bem longe!

    Maturidade para jogador de futebol eh ESSENCIAL!

  • 20. André K.  |  27/05/2008 às 14:31

    “haverá ainda por muito tempo uma camisa 9 reservada pelo roupeiro”

    tem gente que preve o fim do centro-avante. A Roma atual seria um exemplo disso (perdão pela referencia europeia)

    mais sobre isso em:
    http://www.papodebola.com.br/internacionalemdosedupla/20060904.htm

  • 21. Carlos  |  27/05/2008 às 14:45

    O inverso também acontece….

    Célio Silva no inter (era uma baita naba no vasco)

    Paulo Nunes, Jardel….e por ae vai…

    Acho q depende muito do estilo do cara pra dar certo aqui, ou vários fatores…ou rabo mesmo…

    Eu achava o loco abreu uma figura ridícula, não jogava nada, mas era aquele cara estilo folclórico q se tem de vez em qdo em inter e gremio (nando lambada, rentería, etc…)

    Hj em dia eu não acho ele grande coisa, mas enfim…

  • 22. Carlos  |  27/05/2008 às 14:46

    Essa carinha ae…não fui eu!

  • 23. m  |  27/05/2008 às 15:20

    cruzeiro anunciou hoje que o marcelo moreno vai levar a comemoração da metralhadora pros campos UCRANIANOS. menos um bom centroavante por aqui.

  • 24. Paulo Sanchotene, RS  |  27/05/2008 às 15:33

    Os pontas ainda não acabaram. O Chivas Guadalajara joga com dois ponteiros abertos e na Holanda ter três atacantes é o mais comum.

    Quanto ao centro-avante, ele não morrerá nunca. Pode ser relegado a mais uma “arma” de ataque, a uma opção de jogo, mas não desaparecerá.

  • 25. Paulo Sanchotene, RS  |  27/05/2008 às 15:34

    Dois timaços do Grêmio – 1996 e 2001 – não tinham centro-avante.

  • 26. Paulo Sanchotene, RS  |  27/05/2008 às 15:36

    Finalmente, não confundir centro-avante com “atacante-artilheiro”. Um dos maiores centro-avantes que vi jogar, Evair, não fazia muitos gols comparativamente aos passes que dava para outros jogadores marcarem…

  • 27. Tiago Medina  |  27/05/2008 às 15:47

    Um bom 9 é um patrimônio!

  • 28. Flávio  |  27/05/2008 às 15:57

    O centroavante de ofício não foi extinto, mas várias equipes bem-sucedidas jogam sem ele. Aqui no RS mesmo, os últimos times que conquistaram títulos de verdade (Grêmio 96-97, Grêmio-01 e Inter-06) não tinham um 9 tradicional.

  • 29. Leandro Demori  |  27/05/2008 às 16:27

    Só não entendi o porquê do “Impedimento inclusive”, desconsiderando minhas apostas iniciais no Fluzão. [2]

  • 30. Leandro Demori  |  27/05/2008 às 16:31

    “Finalmente, não confundir centro-avante com “atacante-artilheiro”. Um dos maiores centro-avantes que vi jogar, Evair, não fazia muitos gols comparativamente aos passes que dava para outros jogadores marcarem…”

    História do Brasileirão – Maiores artilheiros
    7.º Evair: 100 gols

  • 31. Paulo Sanchotene, RS  |  28/05/2008 às 09:19

    Falei sobre impressão, Demori. Ainda bem que escrevi o tal “comparativamente”. Diluiu meu comentário! Mas, de fato, posso ter me enganado, mesmo. Eu lembro dele muito mais jogando de pivô, abrindo espaço e tocando para quem vem de trás do que fazendo gols.

  • 32. Leandro Demori  |  28/05/2008 às 15:13

    Paulo, não é nem uma crítica ao seu comentário, é só um comparativo mesmo. Se ele fez metade das assistências em relação a gols já é fantástico.

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