Que bomba é o River Plate

25/03/2008 at 17:11 16 comentários

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Henry Giménez tem oito gols em seis rodadas. O River Plate, seu time, tem 25 gols em 6 rodadas. A média é de 4,16 gols por jogo. A vítima desse fim de semana foi o Tacuarembó, que traz no peito um sorriso de Gardel, o mesmo sorriso que se via no Federico Saroldi no domingo pela manhã entre as hostes darseneras.

O time do River, melhor e mais entrosado, conseguiu 1-0 ainda no primeiro tempo com Urretaviscaya. Entretanto, o Tacua não estava disposto a perder por una cabeza: foi pra cima e criou algumas chances claras de gol. As três mil pessoas que assistiam à partida começaram alguns resmungos. Será que a equipe darsenera já começou a fraquejar? Chegou o intervalo, e JR Carrasco foi duro. “Um a zero não é o suficiente! Estão com sono?! Quero mais gols!”. O pobre Tacua já pensava em bailar à meia luz quando começou a ser patrolado. Bruno Montelongo abriu uma avenida Corrientes pelo lado direito, para servir Souza e Giménez, que marcou o segundo. No terceiro gol, Souza passou por três marcadores e serviu novamente Giménez. Faltando cinco minutos, o goleador poderia fazer o terceiro, mas serviu Robert Flores. 5 a 0. Mais um baile, mais uma chuva de aplausos das arquibancadas do Saroldi.

O El Observador lembrou, na segunda-feira, que Giménez pode ser mais um goleador do time que revelou Fernando Morena e Carlos ‘Pato’ Aguilera, entre outros grandes craques uruguaios. Talvez ainda não seja para tanto, pois se Giménez é um grande definidor, ele é muito beneficiado pelo jogo esfuziante dos jogadores menores e mais rápidos, como Souza, Montelongo e Urreta. Sabe-se, entretanto, que nenhum outro time demonstra um futebol tão empolgante. O desempenho é comparado ao Peñarol espetacular de Julio Ribas, em 99 – este, porém, venceu os 6 primeiros jogos e anotou 27 gols. JR Carrasco voltou com tudo – será que dessa vez, vai?

Nos outros resultados, o Peñarol venceu o Miramar Misiones, que está seguindo o seu destino inevitável após a maldição do post anterior. No Centenário, o time carbonero começou o jogo empolgante, com muitos toques bonitos, passes de futevôlei, um-dois e firulas do gênero. Só que não marcou nenhum gol e ainda deu espaços para o adversário atacar. Mario Saralegui, que nas horas vagas joga no time dos carecas-cabeludos, cobrou do time mais atitude e menos alegria no segundo tempo. Jogando de forma pragmática, o Peñarol marcou um gol e começou a sair nos contra-ataques. Terminou com 2-0, com Bueno marcando o segundo gol. Simples e direto, sem se afastar dos líderes. Nesta quarta, o Peñarol viaja a Belo Horizonte para enfrentar o Atlético Mineiro, na comemoração do centenário do clube.

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Cabelo combinando com o uniforme

Também no Centenário, mas no dia seguinte (domingo), o Nacional tentou a recuperação das últimas derrotas contra o Juventud de Las Piedras. O Juventud apresenta um esquema interessante contra os grandes clubes: sai perdendo, se faz de morto, marca um ou dois gols e sai enlouquecidamente para o ataque, deixando as defesas de fraldas cheias. O Nacional vencia por 2-0, levou um gol e foi acossado até o final da partida. No fim das contas, venceu a partida, assim como o Peñarol venceu anteriormente – mas tomou um suador do time da equipe pedregosa.

Num bom jogo, o Defensor Sporting venceu a cumpridora equipe do Liverpool por 3 a 2, com o gol da vitória nos acréscimos. Entretanto, parece que o Defensor escalou um juvenil que não tinha contrato profissional – Mariano Rubbo – e pode perder os pontos por isso. O Danubio segue em queda livre: levou duas sapatadas do Central Español em Palermo e vai jogar a vida na Libertadores com uma bigorna na cabeça. Enfrenta o Deportivo Cuenca do Equador às 18h30 de quinta, no Parque Central.

O Progreso venceu de novo, o que é sempre uma surpresa. Na segunda divisão, o Racing perdia por um a zero para os anarquistas do Basañez e finalmente estava perdendo o cabaço na temporada. Só que Santiago Ostolaza conseguiu preservar a virgindade da Academia. O Cerrito conseguiu uma importante vitória sobre o Cerro Largo, vice-líder, e se candidata a disputar um quadrangular contra o Cerro e o Cerro Porteño para ver quem pode ficar definitivamente com o nome.

A frase do título é o primeiro verso do hino do River Plate. As fotos são do El País.

Resultados da sexta rodada

Wanderers 1 Cerro 0
Miramar Misiones 0 Peñarol 2
Fénix 2 Rampla Juniors 0
River Plate 5 Tacuarembó 0
Juventud 1 Nacional 2
Defensor Sporting 3 Liverpool 2
Bella Vista 1 Progreso 3
Central Español 2 Danubio 0

Classificação do Clausura

1 – River Plate – 16pts.
2 – Nacional – 15
3 – Peñarol – 13
4 – Defensor – 12
5 – Progreso – 12
6 – Liverpool – 10
7 – Wanderers – 10
8 – Juventud – 7
9 – Danubio – 7
10 – Tacuarembó – 7
11 – Miramar Misiones – 6
12 – Central Español – 6
13 – Fenix – 5
14 – Cerro – 4
15 – Bella Vista – 4
16 – Rampla Juniors – 4

Gols da rodada aqui

Tarda mas não falha,
Luís Felipe dos Santos

Entry filed under: Nacionais.

Palmas para o aniversariante Choque de culturas

16 Comentários Add your own

  • 1. Gralha  |  25/03/2008 às 18:12

    Brilhante trabalho do nosso correspondente. Parabéns

  • 2. Lila  |  25/03/2008 às 18:39

    semana passada, meu cabelo tava MUITO MAIS torcedor do peñarol… kjhkglgljk

  • 3. Rudi  |  25/03/2008 às 19:14

    Zé Victor Castiel torcendo pro peñarol?

  • 4. Flávio  |  25/03/2008 às 21:43

    Se fosse um time brasileiro, o “faceiro” River Plate uruguaio seria alvo de secação de 90% dos gaúchos…

  • 5. FERN  |  25/03/2008 às 22:52

    Flávio sei de sua contenteza, mas adiante que NADA ganhará este River Plate e recomendo ao Botafogo que contrate o JR em breve se ainda quiser melar o titulo que se adianta ao mengo.

  • 6. Flávio  |  25/03/2008 às 23:09

    O Urugualito anda tão bizarro, que uma (benfazeja) conquista do RP não me surpreenderia. Em relação aos “cariocos”, o Botafogo foi campeão do Caixão apenas dois anos atrás. Ou seja, não vai ser mais um pífio título do nobre Caixão que vai tirar o Fogão da draga na qual ele se encontra. Só o Brasileirão (ou Copa do Brasil e, vá lá, Sul-Americana) salva!

  • 7. douglasceconello  |  26/03/2008 às 01:54

    Seguindo minha orientação de equilibrar títulos pelo continente, estou torcendo para o River charrúa vencer seu primeiro campeonato.

    E já que o futebol uruguaio não consegue reagir apenas se defendendo talvez consiga atacando loucamente.

    Estou falando para vocês que ando pensando com a lógica abeliana. rhshrs

  • 8. Flávio  |  26/03/2008 às 09:45

    Só se for a lógica do Abelão de 89: Maurício, Nílson, Diego Aguirre e Edu Lima no Gre-Nal do Século.

  • 9. Luís Felipe  |  26/03/2008 às 11:30

    olha, eu sou a favor do futebol ofensivo, principalmente quando não é o meu time que está jogando. Prefiro ver três atacantes de um metro e meio tabelando e chegando na área adversária do que três zagueiros brucutus trocando passes na defesa.

    acho que seria bom o River chegar à Libertadores e dar um calor nos seus possíveis adversários, assim como o Danubio de 1988. Vale lembrar que o último time uruguaio com uma filosofia de jogo bonito foi o próprio Danubio de Matosas e Nacho González, em 2007 – que foi patrolado pelo Vélez Sarsfield, que tinha jogadores maiores e melhor preparados.

    esse time do Carrasco tem uma característica que talvez faça diferença no futebol uruguaio, que é a velocidade. O time treina em dois turnos e faz trabalhos ‘táticos’ por quatro horas diárias – por isso os jogadores se acham de olhos fechados. Numa Libertadores, teria tudo para fazer um salseiro de grandes proporções.

  • 10. Luís Felipe  |  26/03/2008 às 11:31

    ah, e obrigado pelo elogio, Gralha.

  • 11. Flávio  |  26/03/2008 às 12:26

    Acho que foi em 89 que o Danúbio fez bonito na Libertadores. Chegou às semifinais e parou no Nacional-COL.

  • 12. Luís Felipe  |  26/03/2008 às 12:57

    sim, chegou em 89 graças ao grande time de Maneiro, que tinha Ever Moas de primeiro volante.

    e diga-se, foi COMPRADO por Pablo Escobar nas semifinais. Aquele 6 a 0 foi muito mal explicado.

  • 13. Flávio  |  26/03/2008 às 13:07

    Pior que a nossa trágica eliminação naquela Libertadores também rendeu uma lenda urbana nessa mesma linha: a de que Aguirregaray foi subornado pelo Olímpia para entregar o jogo.

  • 14. Luís Felipe  |  26/03/2008 às 13:35

    no caso colombiano, não era lenda, era declarado. Muitas vezes o cartel fazia “visitas” aos dirigentes adversários na véspera dos jogos. Inclusive a Colômbia foi excluída da Libertadores quando comprovaram essas práticas.

  • 15. André K.  |  26/03/2008 às 17:52

    Luís Felipe ,

    não foi bem assim que aconteceu.

    O campeonato colombiano de 1989 não terminou (um juiz foi assassinado pelo cartel de Medellin), logo a federação colombiana nao indicou clubes a Libertadores de 90. Contudo o Atletico Nacional ( vulgo NARCOnal) jogou a libertadores de 90 como campeao de 89.

    Na edição de 90, o segundo jogo entre nacional e vasco foi anulado pois o juiz foi ameaçado. Repetido o jogo em santiago, o Nacional se classificou para as semis, mais jogando em santiago novamente, foi eliminado pelo Olimpia.

    Em 1991 os colombianos voltaram a disputar a libertadores normalmente

  • 16. Luís Felipe  |  26/03/2008 às 22:16

    ok,o campeonato só foi anulado por causa dos narcotraficantes. Obrigado pela correção.

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