Gamarra: Arce será o melhor treinador do Paraguai

06/03/2008 at 17:26 28 comentários

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Para compartilhar um pouco do que disseram Arce e Gamarra ao Impedimento, na visita da equipe de reportagem do blog à sede do clube Rubio Ñu, de Asunción, aí vai a transcrição do que foi gravado das conversas. Arce não esquece o Grêmio e Gamarra segue com as mesmas dificuldades de conceder uma entrevista. Sobre o amigo e agora subordinado, diz: “Arce vai servir muito para o nosso país”.

ARCE: “O Grêmio era uma equipe, no real sentido da palavra”

A passagem pelo Grêmio foi a mais importante da tua carreira?
Não sei se foi a mais importante, mas foram os três anos mais felizes de toda a minha carreira, porque coincidiu com a formação de um time novo no Grêmio e aquele time conquistou quase tudo. Só faltou o título mundial, que escapou por muito pouco. E foi um momento muito feliz em todos os aspectos, porque era uma equipe no real sentido da palavra. Todos eram muito profissionais no clube. E era bem fácil, a gente ia com alegria para o treino. Era tudo muito bem feito e acabou sendo a minha porta de entrada no Brasil, antes da minha ida para o Palmeiras.

O Grêmio do Felipão não tinha craques, mas acabou sendo imbatível. Como isso foi possível?
Justamente por causa daquele grupo, pela honestidade do nosso chefe, comandante, o Luís Felipe, que era uma pessoa transparente, frontal. Nós sabíamos que tínhamos precariedades no aspecto técnico, principalmente em relação àquela equipe do Palmeiras da primeira época da Parmalat. Mas superávamos isso com muita vontade e com o time sendo unido. Isso foi a principal chave para aquele time ser vencedor, e creio que até hoje não saia da cabeça do torcedor.

Tu tens acompanhado o Grêmio?
Acompanho. Eu vou bem menos a Porto Alegre, vou mais a São Paulo, que é mais fácil. Mas eu vejo os jogos, acompanho as notícias. Estive com eles aqui quando vieram jogar pela Libertadores no ano passado. Falo bastante com três ou quatro pessoas que ainda trabalham no clube e eram da minha época [Arce contou que foi procurado pelo dirigente gremista, Antônio Carlos Verardi, para opinar sobre o jogador Julio dos Santos]. É impossível perder o contato, por tudo que a gente viveu lá.

Com quais jogadores tu ainda falas geralmente?
Eu falo seguidamente com o Goiano, falo com o Dinho. Outro dia falei com o Adilson, que esteve aqui com o Cruzeiro. Falo de vez em quando com Paulo Nunes, com o Luciano. Tenho contato também com o Roger, encontrei com ele esses dias no Rio. Ainda falo com muitos colegas daquela época.

E como foi tua passagem pelo Palmeiras?
Foi um pouco diferente. São Paulo é uma cidade bem maior, a convivência com as pessoas era mais difícil. Porto Alegre se parece com Asunción, mais organizada, mas neste aspecto, tendo em conta as duas partes, foi bem melhor que minha passagem em São Paulo.

É a tua primeira vez como treinador?
Até hoje só havia sido assistente e treinador de time de aspirantes.

E qual é o estilo de time que tu gosta de comandar?
Eu quero um time que jogue bem, que jogue pra frente. O esquema depende dos jogadores que a gente tem. Aqui há bons jogadores, caras novos. Dá pra fazer uma coisa interessante.

Qual é a base dos jogadores deste novo Rubio Nu?
A maioria são jogadores que já eram do clube e outros que estão aparecendo para fazer os testes.

GAMARRA: “Arrependi-me de não ter ido na final da Libertadores”

Como funciona esse projeto do Rubio Ñu?
É simples, é o gerenciamento do time. Tem o presidente que é o Ruben Ruiz Diaz, que era colega nosso da seleção e amigo também. O Arce vai ser o treinador e eu, que seria o patrão. O Ayala é assistente do Arce. A gente está tentando acertar a estrutura ainda, o Arce tem permissão até quarta-feira [ontem] para usar o campo, depois vamos fazer algumas reformas, trocar a grama. Queremos fazer uma coisa boa, o clube vai ficar sob gerenciamento sob quatro anos. Vamos fazer o possível para, já no próximo ano, estarmos jogando a primeira divisão.

Esperam êxito semelhante ao do Libertad?
A gente espera o mesmo sucesso, mas vai depender muito dos resultados que conseguirmos dentro de campo. O Arce está montando o time agora. Se ele precisar de algum jogador, vai falar com a gente. Se estivermos em condições, vamos contratar para ter um time competitivo.

O Corinthians fez um parceria, claro que em proporções bem maiores, que acabou dando errado no final. Como evitar esse tipo de erro?
Temos cuidado com isso, até porque já tiveram várias experiências. São coisas que acontecem. Mas o Rubio Ñu também não precisa de tanta grana como precisa um Corinthians, não vai ter aquele orçamento. Nós entramos nessa porque sabemos que podemos segurar a barra, se não, não teríamos nem idéia de fazer isso, porque é um grande risco. Nunca se tem certeza de que vai funcionar e que, em quatro anos, consigamos recuperar alguma coisa.

Tu tens acompanhado o futebol brasileiro?
A gente sempre acompanha. Acompanho o Inter, acompanho o futebol de Rio e São Paulo, porque se tem a facilidade de assistir pela TV a cabo aqui.

Chegou a assistir a final entre Inter e Barcelona?
Sim, com certeza. Jogo como esse ninguém perde. Eu fiquei muito feliz pelo Inter. O Internacional era um time que fazia tempo merecia ganhar uma Libertadores e um Mundial. Fiquei muito feliz pelo Inter e pelos jogadores que fizeram essa história para o clube.

Tu te sentes parte do título também?
Fico muito feliz pelo trabalho que começamos, há mais ou menos dez anos. O Inter foi crescendo devagar e chegou ao ponto de ir competir com um dos times mais poderosos do mundo, que é o Barcelona, e conseguiu vencer. Para mim, foi ótimo. Só fiquei um pouco arrependido de não ter ido na final da Libertadores. Tinha toda a chance de ir, mas não fui. Fui convidado pra ir, mas não sabia ainda se era jogador ou um torcedor.

Como foi a decisão de parar de jogar?
Eu joguei até o ano passado, no Olímpia, mas decidi parar. Eu já estou com 37 anos, chega essa época e já me sinto realizado como jogador. Já cumpri com a minha seleção, com quase todos os times em que joguei. Agora estou começando em outra carreira, que é fazer o gerenciamento de um time. E outro sonho que tenho é ser agente Fifa e começar a trabalhar como procurador.

Tu manténs contato com os teus colegas da época do Brasil?
Do Corinthians, eu falo muito com o Edílson. Também sempre a gente se cruza com o Cris, esse pessoal. Do Inter, falo com o André, com o Goycochea, que estava na época também. A gente conversa sempre que se encontra pelo mundo.

E o Arce é bom treinador ou tu já pensas em demiti-lo?
Eu falei que só dou três jogos pra ele. Se não der certo, mando ele embora (risos). Mas acho que não. O Arce é um cara muito dedicado, daqui a uns cinco ou seis anos vai virar um baita de um treinador.

Que qualidades tu identificas nele como treinador?
Ele é muito organizado, corre atrás do que gosta. E é chato. Vai servir muito para o nosso país. Vai ser um dos nossos primeiros treinadores a fazer sucesso. Antes de assumir aqui, fez estágio de um mês com o Felipão em Portugal, passou um mês com o Vanderlei Luxemburgo. Ele é muito interessado, estuda muito.

Um abraço,
Daniel Cassol

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28 Comentários Add your own

  • 1. Gabriel Teixeira  |  06/03/2008 às 17:34

    Arce ficou constrangido em dizer para o Cassol que o Palmeiras foi mais importante que o Grêmio na carreira dele.

    [mode polemica = off]

  • 2. mardruck  |  06/03/2008 às 17:49

    Detalhe foi o pênalti que ele errou. Mas, ainda assim, Arce ÍDOLO!

  • 3. Dudu Kontra  |  06/03/2008 às 17:54

    Na trave!!!!!!!

  • 4. Beto Borracho  |  06/03/2008 às 17:57

    ‘foram os três anos mais felizes de toda a minha carreira’…e os três da minha vida! (futebolisticamente falando, claro)

    ‘era uma equipe no real sentido da palavra’… Basta!

  • 5. Francisco Luz  |  06/03/2008 às 17:58

    “E qual é o estilo de time que tu gosta de comandar?
    Eu quero um time que jogue bem, que jogue pra frente.”

    Foi por isso que caiu o Mancini…

    Falando sério, existem jogadores que passam a impressão de poderem se transformar em técnicos decentes. O Arce é um deles.

  • 6. Gralha  |  06/03/2008 às 18:17

    Impedimento com duas reportagens sobre o RUBIO ÑU em uma semana?

    TÁ PARCIAL O NEGÓCIO…

  • 7. fino  |  06/03/2008 às 18:32

    Bah mas o Gamarra tá parecendo o legítimo cafetão de puta!

  • 8. Carlos  |  06/03/2008 às 18:34

    ‘foram os três anos mais felizes de toda a minha carreira’…e os três da minha vida! (futebolisticamente falando, claro)

    ‘era uma equipe no real sentido da palavra’… Basta!

    Concordo com o Beto.

  • 9. Carlos  |  06/03/2008 às 18:48

    off topic…alguem sabe uma radio uruguaia pra acompanhar nacional x flamengo hoje?

  • 10. Beto Borracho  |  06/03/2008 às 18:55

    Tenta a internet…
    é como eu faço quando quero acompanhar algum jogo que não passa nem na cabo.

    Outra alternativa é ir a um bar e pedir pro seu Zé colocar no sportv.

  • 11. Cassol  |  06/03/2008 às 18:56

    Carlos, o site http://www.radios.com.br é uma beleza.

  • 12. Beto Borracho  |  06/03/2008 às 18:57

    espero que ajude….

    http://www.mediatico.com/es/radio/latinamerica/uruguay/

  • 13. Beto Borracho  |  06/03/2008 às 18:58

    ha ta, achei que tu queria uma radio local (montevidéu), narração em português tem a varrer!

  • 14. Carlos  |  06/03/2008 às 19:19

    Quero uma uruguaia mesmo…
    valeu!

  • 15. Luís Felipe  |  06/03/2008 às 19:37

    eu gosto da Radio Carve: http://www.carve850.com.uy/

  • 16. FERN  |  06/03/2008 às 21:31

    eu tb só ouço na carve

  • 17. Titi  |  06/03/2008 às 23:36

    BOLSO!

  • 18. Luís Felipe  |  07/03/2008 às 00:34

    que surra!

  • 19. Robson  |  07/03/2008 às 00:59

    Que choradeira colocar a culpa no gandula…

  • 20. douglasceconello  |  07/03/2008 às 01:12

    Uma coisa que às vezes penso é que o Inter deveria pegar estes jogadores que marcaram época mesmo na fase ridícula que o clube passou (Gamarra, Lúcio, Fabiano Cachaça, Célio Silva, sei lá) e homenagear com uma placa com algo do tipo “Gamarra, tu também és campeão do mundo” ou algo que o valha. Mas talvez eu esteja delirando. De qualquer forma, ainda é tempo.

  • 21. phuongnana  |  07/03/2008 às 02:16

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  • 22. Vitor VEC  |  07/03/2008 às 10:05

    Se o Gamarra precisar de um sócio, estamos aí. Não é que a grana ande rolando solta, mas dá pra confiar num ‘staff’ destes. O ‘ALEMÃO PELADO’ tem tudo para sair fortalecido.

    Ademais, também já li ou ouvi o Arce falar que a passagem dele pelo Palmeiras foi a mais importante. Mas ele falou isso pra um veículo de lá. Já o Cassol representa as coxilhas de São Sepé, e isso faz toda a diferença nesta hora.

  • 23. Flávio  |  07/03/2008 às 10:05

    Douglas,

    Essas iniciativas são bem intencionadas, mas acabam sendo uma tremenda forçada de barra. Na década de 90, um jornalista lançou a idéia de homenagear como “campeões mundiais” os jogadores que disputaram eliminatórias das copas que o Brasil havia vencido até então, mas que não fizeram parte do grupo do mundial. O Evair, que jogou as eliminatórias em 93, mas não foi à copa dos EUA, foi um que rechaçou a iniciativa, pois não se via como um tetracampeão e não precisava desse tipo de “esmola” para se sentir realizado. Acho que a maioria dos boleiros colorados da época de vacas magras reagiria mais ou menos assim.

  • 24. Gralha  |  07/03/2008 às 11:25

    Vai ter choradeira do Souza?

  • 25. Aurelino Pedro Filho  |  25/04/2008 às 02:27

    Tomára mesmo, porque eles merecem!!!!!!

  • 26. Felipe carlos  |  24/05/2009 às 15:29

    eu quero jogar pelo rubio ñú!

  • 27. thalles pereira inacio  |  27/05/2009 às 16:14

    ola meu nome e thalles tenho 19 anos quero joga bola no rubio meu sonho e ser jogando de bola na minha cidade nao tenho time meus coloega me chama de menino dos gols bonito moro no brasil

  • 28. eimilson barros dos santos  |  08/07/2009 às 20:51

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