Professor é quem leciona

27/02/2008 at 16:18 29 comentários

Sou olhado com descrença quando afirmo que o futebol é bastante simples e que grande parte das dificuldades e pormenores a ele atribuídos são, na verdade, um grande lobby dos que pretendem transformá-lo numa caixa preta inescrutável ou ganhar fortunas afirmando que fazem algo deveras intrincado e inacessível aos mortais.

Me refiro especialmente aos técnicos, que adotam o discurso do “estudo tático” como se dormissem sobre livros na véspera de uma prova de cálculo de engenharia civil. Não há em qualquer casamata do mundo uma inteligência superior. No máximo, esperteza, malandragem e espírito motivador. Um grande estudioso de futebol nada mais é do que alguém com tempo disponível para assistir a uma quantidade razoável de partidas e com alguma alguma sensibilidade para perceber as características de determinados atletas.

Exemplo. Sabemos que um lateral ofensivo deve ter o respaldo de um sistema defensivo reforçado. Se o time joga num 4-4-2, é bom ter um lateral que avança e outro mais atento à marcação, podendo o time variar para um 3-5-2. Dois centrovantes de características semelhantes não podem atuar junto. Alguém não sabia disso? Não é preciso ter revolucionado a física para chegar a estas conclusões.

Cada vez mais e com felicidade crescente tenho percebido que o futebol é decidido no acaso e no preparo físico. Não haveria esquema tático e estudioso algum que parasse Maradona na Copa de 1986 ou Renato Gaúcho no Mundial de 1983 ou a Seleção de 1958. Não há esquema de jogo que impeça um jogador de acabar com uma partida quando está num dia iluminado. Aí está a graça. Aí está a beleza.

Certa vez, quando jogava no Canarinho, teríamos um campeonato na vizinhança. Não era exatamente um torneio entre times, mas uma competição com os próprios quadros do clube. O campinho havia sido pintado com cal, a grama magicamente aparada. A vizinhança se movimentava para acompanhar a correria da piazada. Eu era zagueiro, jogava com a quatro. No dia do campeonato, fiquei sabendo que seria reserva. O treinador ficara sabendo que eu e outros havíamos espalhado que ele tinha o nada apropriado costume de barranquear cabras. Hoje nem lembro se era verdade, mas tenho esta história viva e sei que isto era realmente comentado.

Bem, esta história serve para percebermos que os caprichos dos técnicos certas vezes são motivados por acontecimentos demasiado humanos, como diria o teuto-bigodudo Olívio Nietzsche Dutra. Creio com fervor que Wanderlei Luxemburgo, um dos melhores trinadores brasileiros, nada mais é que um cara extremamente esperto. Abel Braga, por sua vez, me passa a impressão de não treinar nem troca de passes, amparando seus recentes triunfos em motivações dignas dos melhores momentos da boemia, na base do “considero vocês pra caralho. Acabem com o Barcelona”. Felipão é o pai deles todos por unir as duas coisas: esperteza e apelo emocional no vestiário.

Esta mistificação em torno do que acontece nas quatro linhas deve-se em muito ao gigantesco tempo e dinheiro gastos com futebol, na cobertura que se faz dele e no seu modo de operação propriamente dito. Imaginem se um comentarista dirá algo semelhante, que é tão simples ganhar ou perder um jogo, que às vezes nada pode ser feito e esta é a essência do futebol, pois a imensa felicidade ou tristeza coletiva depende quase que exclusivamente do momento, da conspiração de uma infinidade de fatores aleatórios. Este comentarista seria apontado como lunático, pois traria sua atividade a um nível muito pedestre, afinal ninguém pode passar 12 horas falando no rádio sobre algo tão simples.

Em época de planejamento, nutricionistas e camisas com misteriosos sistemas de ventilação, este tipo de conclusão me deixa bastante animado. Significa que a diferença dentro da cancha, apesar de todo espalhafato e aparato de guerra, ainda são os jogadores e todas as suas incoerências humanas, contando com o acaso e com a iluminação ocasional para decidir quem é o melhor, quem entra na história e quem apenas luta para garantir a aposentadoria.

Saudações,
Douglas Ceconello.

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29 Comentários Add your own

  • 1. Selma  |  27/02/2008 às 16:41

    Douglas, sensacional o teu texto.

    Acho que o problema de alguns técnicos se dá exatamente quando desejam aparecer mais do que os jogadores. Alguns gostam de florear, inventar. Se o técnico não atrapalhar, já tá mais do que bom! Falando em técnico tem uma história que adoro. Contam que, o João Saldanha, na inauguração do Beira Rio, ao ser perguntado pelos jornalistas locais se tinha gostado do gramado, respondeu: “Bom, eu já almocei, mas com um molhinho até que vai.” Adoro isso.

  • 2. Marcelo Brazil  |  27/02/2008 às 16:46

    Acho que foi aqui que eu li uma vez uma das maiores verdades: mais vale a pena tu gastar dinheiro com um bom cobrador de faltas do que treinador.

    Acredito que o único lugar onde um treinador realmente seja necessário e faça a diferença são nas categorias de base, onde, ai, sim, ele precisa ensinar o guri a dar um passe, chutar a gol ou bater no centroavante sem o juiz ver.

    O guri aprendendo a jogar ali, hoje, é meio caminho andado.

  • 3. mardruck  |  27/02/2008 às 16:47

    Douglas, obrigado por resolver escrever.

  • 4. fino  |  27/02/2008 às 16:47

    Alguem sabe se a partida entre Brasil e Argentina pelas eliminatorias dia 17 de junho está confirmada no Mineirão?

  • 5. Rômulo Arbo Menna  |  27/02/2008 às 16:55

    o Douglas não reduziu a nada a importância dos técnicos, mas tratou de pôr as coisas nos seus devidos lugares (daonde, felizmente, não sairão, apesar das aparências apontarem outras direções)

    douglas, isto q eu chamo de um bom texto, putaquiopariu, parabéns

  • 6. Paul  |  27/02/2008 às 16:56

    Na verdade, o que mais me preocupa não são os técnicos que querem fazer pose de “gênio tático”, e sim, a grande maioria de treinadores que parece incapaz de fazer o SIMPLES.
    No mais, grande texto.

  • 7. Guillermo  |  27/02/2008 às 17:00

    Pô Ceconello!!! Acabou com a moral do “professor” só por que ele tinha um amor caprino…

    Já diziam os Mamonas “comer tatu é bom… ppor quena que dá dor nas costas… por que o bicho é baixinho.. e é por isso que eu prefiro as cabritas”

    DÁ-LHE GRÊMIO!!!

  • 8. Rômulo Arbo Menna  |  27/02/2008 às 17:02

    aliás, esse post acaba sendo um ótimo lugar para eu me delatar e, quiçá, redimir…
    qdo o VEC me apresentou o Impedimento, li (provavelmente superficialmente – não que haja ou possa haver profundidade extrema no futebol, mas pode haver superficialidade extrema na leitura) uns posts e achei que se tratava de outra coisa, não o Impedimento, uma aventura jornalística pelo mundo da PELOTA… bom, pode ser aventura, mas tomem no MELHOR sentido do termo.

    E, para mim, o Cassol já passou pelo estágio probatório com louvor, se é que tenho o direito de dizer isso.. se não manteve, elevou o nível… parabéns a todos, prazer em conhecer

  • 9. Celão  |  27/02/2008 às 17:21

    “considero vocês pra caralho. Acabem com o Barcelona” –
    Muito engraçado

    – Te considero prá caralho Ceconello!

  • 10. fino  |  27/02/2008 às 17:25

    “considero vocês pra caralho. Acabem com o Barcelona”

    huaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

  • 11. dante  |  27/02/2008 às 17:27

    na verdade, essa idéia do “simples”, “incoerências humanas”, “acaso”, “iluminação ocasional”, etc. pode ser aplicado a quase tudo na vida.

    muito bom, ceconello [carcamanos só se tratam pelo sobrenome. como a MÁFIA].

    tenho orgulho de ser amigo desse cara.

  • 12. Rômulo Arbo Menna  |  27/02/2008 às 17:49

    isso que digo, dante. ele fala de futebol tangenciando a filosofia.

    e falando em MÁFIA, ontem vi O GANGSTER… q vale a pena, apesar de não ser nenhum Desafio no BRONX http://www.imdb.com/title/tt0106489/

  • 13. Celão  |  27/02/2008 às 18:08

    Eu ainda não conheço, mas sou leitor assíduo do Capo Ceconello. Na próxima ImpedFest, depois de duas Bohemias e algumas piadas, ele vira meu amigo!!!!

    O Gangster é muito bom!

  • 14. m  |  27/02/2008 às 18:14

    é só ver o luxemburgo, com sua esperteza extrema e seu elenco salpicado de “estrelas”, empatando com todo mundo no paulista e ocupando a 9a posição.

    se os laterais sobem demais, alguém tem que cobrir. volante tem que marcar. dois centroavantes não podem compor o ataque. 4-4-2, com pouquíssimas exceções, é o único esquema possível. e é isso. parem de inventar.

  • 15. Paulo Torres  |  27/02/2008 às 18:27

    Lembrei daquela frase atribuída ao Garrincha, após uma longa preleição tática do ‘professor’, que explicava o posicionamento do adversário: “O senhor já combinou isso aí com eles”?

  • 16. Gabriel  |  27/02/2008 às 18:42

    Bah, a definição do felipão, abel e luxemburgo está perfeita…
    Mas daí trago uma pergunta: como pode um mesmo time jogar tão bem com um técnico e tão mal com outro? Temos um bom exemplo que é o caso do ridículo time do Santos, o qual está na liber pelo luxa e na rabera do paulistão com o leao…

  • 17. fino  |  27/02/2008 às 18:47

    puerra

    e a minha pergunta la em cima ninguem sabe responder?

  • 18. Rômulo Arbo Menna  |  27/02/2008 às 18:56

    eu não sei fino, CREIO q sim (mas assim como ando CRENDO no Sexy Hot)

    e, gabriel,… é justamente pq a coisa toda não se resume ao técnico, ou ao grupo de jogadores, ou qq ÚNICO fator q queira salientar… são várias variáveis, como preconizava o ruivo cabeludo

  • 19. m  |  27/02/2008 às 19:34

    parece que não tem nada oficial, fino. segundo saiu na imprensa, o ricardo teixeira prometeu pro aécio neves que o jogo seria realizado em belo horizonte, mas nos sites da cbf e da conmebol não tem nada sobre isso.

  • 20. douglasceconello  |  28/02/2008 às 01:41

    Obrigado pelas considerações de todos.

    Os que não conheço, tenho certeza que teremos boas chances de tomar uns tragos e bater um papo. E os que conheço também. Sempre. suhsdusd

    E o mesmo aqui, Sr. Sasso, Dante.

  • 21. Gustavo  |  28/02/2008 às 05:38

    Belo texto Douglas… Mas discordo um pouco sobre a importância do treinador.
    Os treinos modulam uma equipe… aprimoram fundamentos como finalização dos atacantes, remates de fora da área dos volantes, cruzemntos dos laterias etc… outros treinos, como por exemplo 2 toques em campo reduzido, aprimoram o passe e a movimentação da equipe… o treino alemão, aprimora a compactação e por ae vai..
    O futebol já nos brindou com treinadores como Telê Santana, por exemplo, que era completamente louco pela questão técnica… exigia ao máximo dos seus jogadores e fazia treinos a parte para determinados jogadores exercitarem determinadas capacidades (ou falta delas).
    Além disso, o grande mérito de um treinador (considerando um sujeito que domine o básico de estratégias táticas e de treinamentos), é saber tirar o melhor de cada atleta e adequar o esquema ao grupo de jogadores que tem na mão – um time menos técnico, trabalha com mais compactação, reduzindo os espaços, embolando o jogo e tirando vantagem na força. Um time alto, trabalha bola aérea – o que consequentemente exigirá dois laterais ou alas, que tenham boa velocidade e bom cruzamento. Um time com zagueiros fortes porém lentos, dificilmente poderá jogar com linha de impedimento, porque no caso de o atacante sair em condição, ele não terá velocidade para recuperar-se.
    Enfim, seria muito mais extenso e complexo o assunto, mas para dar um contraponto apenas isto resolve.
    Prá fechar: sensacionaaal “considero vcs prá caralho, acabem com o barcelona”. O que me fez lembrar um história do Evaristo de Macedo, quando treinador do Corinthians, num jogo pelo Paulistão contra a Matonense. No vestiário, o time reunido para a preleção, ele começa a explicar a parte tática e tal, de repente vira pros jogadores e mete essa: “aaaah.. é a Matonense, entrem lá e ganhem essa merdaaa!” uehuehue o que me pareceu a frase mais apropriada que podia ser dita no momento.

  • 22. Gustavo  |  28/02/2008 às 05:48

    Belo texto Douglas… Mas discordo um pouco sobre a importância do treinador.
    Os treinos modulam uma equipe… aprimoram fundamentos como finalização dos atacantes, remates de fora da área dos volantes, cruzamentos dos laterias etc… outros treinos, como o 2 toques em campo reduzido, aprimoram o passe e a movimentação da equipe… o alemão, aprimora a compactação e assim por diante..
    O futebol já nos brindou com treinadores como Telê Santana, por exemplo, que era completamente louco pela questão técnica… exigia ao máximo dos seus atletas e fazia treinos a parte para determinados jogadores exercitarem certas capacidades (ou falta delas).
    Além disso, o grande mérito de um treinador (considerando um sujeito que domine o básico de estratégias táticas e de treinamentos), é saber tirar o melhor de cada atleta e adequar o esquema ao grupo de jogadores que tem na mão – um time menos técnico, trabalha com mais compactação, reduzindo os espaços, embolando o jogo e tirando vantagem na força. Um time mais técnico, já trabalha com jogadas mais complexas – que exijam mais recursos do jogador, num epaço de campo menos compacto, com mais troca de passes etc. Um time alto, trabalha bola aérea – o que consequentemente exigirá dois laterais ou alas, que tenham boa velocidade e bom cruzamento. Um time com zagueiros fortes porém lentos, dificilmente poderá jogar com linha de impedimento, porque no caso de o atacante sair em condição, ele não terá velocidade para recuperar-se.
    A questão do posicionamento com e sem a bola também é um aspecto fundamental – e isso é uma das capacidades que são menos trabalhadas nas categorias de base, aonde a ênfase maior é no aspecto técnico. Um jogador que se posiciona bem facilita o trabalho da equipe com a bola e se desgasta menos para recuperá-la, pois ocupa os espaços do campo de modo a dificultar o trabalho adversário. Por outro lado, um time mal posicionado terá menos probabilidade em manter a posse de bola e criar situações de gol e terá que correr muito mais para recuperá-la quando estiver com o adversário.
    Enfim, seria muito mais extenso e complexo o assunto, mas para dar um contraponto apenas isto resolve.
    Prá fechar: sensacionaaal “considero vcs prá caralho, acabem com o barcelona”. O que me fez lembrar um história do Evaristo de Macedo, quando treinador do Corinthians, num jogo pelo Paulistão contra a Matonense. No vestiário, o time reunido para a preleção, ele começa a explicar a parte tática e tal, de repente vira pros jogadores completamente indignado e mete essa: “aaaah.. é a Matonense, entrem lá e ganhem essa merdaaa!” uehuehue o que me pareceu a frase mais apropriada que podia ser dita no momento.

  • 23. Luís Felipe  |  28/02/2008 às 11:57

    lá no Insanus eu já discordei dessa mania de diminuir o papel do treinador. Discordo de novo, mas não vou repetir meus argumentos.

  • 24. FERN  |  28/02/2008 às 12:13

    LF, estamos juntos nessa luta!
    Suellen, e seu lamentável apreço ao individuo.

    no meu 4-4-2 os dois laterais não apoiam.

  • 25. Carlos  |  28/02/2008 às 12:19

    Fino:

    Escreve pra RicardoTeixeira_querograna@cbf.com.br

    Abra$$o!!!

  • 26. douglasceconello  |  28/02/2008 às 12:35

    Não estou tentando diminuir a importância dos treinadores, apenas tentando colocá-los no lugar que eu entendo que devem ocupar. Ultimamente eles estão com a mania de se referirem a eles mesmos como inteligências superiores.

  • 27. Atilio  |  28/02/2008 às 12:57

    Como sempre, grande texto.
    Pra entrar no mérito do argumento, um pouco concordando e um pouco discordando, me parece que, seguindo a lógica do texto (que também tenta ser uma deslógica ou sei lá), se pode dizer que um dos elementos impoderáveis do futebol é o treinador. Por exemplo: o Abelão ficar o dia anterior ao jogo contra o Barcelona (alguém me disse, não sei se é mesmo verdade) treinando contra-ataques com o Iarley puxando pelo meio, dois companheiros tentando chegar pelas pontas e concluindo. Era certo que um troço tão simples não podia dar certo. Mas deu. E, a ser verdade, teve o dedo do Abel, oras, como não.

  • 28. douglasceconello  |  28/02/2008 às 15:05

    Cara, eu amo o Abel. Com todas as minhas forças, com disciplina e com AFINCO. Sempre amei. Ele treinava o primeiro time que gostei e que me trouxe alegrias, aquele Inter de 88/89. Mas, pelas desgraças em que esteve envolvido, minha relação com ele era muito ambígua.

    Era como uma guria que eu gostava quando tinha TREZE anos. Ela ficou com uns VADIOS antes de perceber que eu era o CAMINHO.

    Depois que Abel se redimiu, meu amor por ele se despediu de todos as condições. Ninguém merecia mais que ele isto. Acho que ele não treina nada, mas isto não impede que tenha passado a idolatrá-lo.

    Aliás, um amigo do meu pai é garçom em um restaurante tradicional bastante freqüentado pelo Abel. Segundo ele me disse ontem, Abelão adora chegar lá e começar os trabalhos com uma caipira marota. Depois, pede uma, às vezes DUAS, garrafas vinho e encerra os trabalhos com um UÍSQUE DE JESUS. Tem como não admirá-lo? heshhrs

  • 29. dante  |  28/02/2008 às 15:14

    abelão toma uma PIPA de SAQUÊ numa noite e acorda campeão do mundo no dia seguinte.

    admiração perpétua.

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