Estes conhecem, porque vivem lá

27/01/2008 at 23:35 19 comentários

Vai começar a maior festa popular da América Latina – e não estamos falando do Carnaval. Antes que o Rei Momo possa autorizar o início da festa da carne, uma efeméride ainda mais vil e pagã tomará de assalto os campos do continente, fazendo corar as faces da mais libidinosa das colombinas. É a Libertadores, senhores.

Nesta terça começa o primeiro enfrentamento da fase preliminar da competição, que vai raspar o tacho e qualificar a rebarba para a fase de grupos da Libertadores em si. É o baile entre os argentinos do Arsenal e os Mineros da Venezuela.

Já na quarta, o Cruzeiro recebe o Cerro Porteño em Belo Horizonte, o La Paz FC vai ao México enfrentar o Atlas e o Montevidéu Wanderers vai ao Peru no ritmo do candombe, pra enfrentar o Cienciano. Por fim, na quinta-feira, antes que soe o primeiro repinique, Olmedo e Lanús jogam no Equador.

Na semana em que começa a competição mais desejada do continente depois do torneio de verão do Parque Ramiro Souto, Impedimento traz opiniões abalizadas sobre as perspectivas dos times de cada país na Libertadores. Fomos ouvir jornalistas e demais palpiteiros da América do Sul, que nos falaram sobre o que os times de seus países terão a oferecer nesta Copa.

O resultado da consulta será publicado ao longo da semana, sem muita pressa. Começamos com dois países que vivem situações opostas na Libertadores – Argentina e Bolívia – entre o franco favoritismo e a condição de café-com-leite.

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ARGENTINA

Por Jorge Barraza, jornalista argentino de larga e profícua trajetória na imprensa esportiva.

Desde 1925, quando Julio Libonatti saiu do Newell’s Old Boys para o Torino, a Argentina foi sempre um país exportador de futebolistas. No entanto, nunca havíamos chegado à quantidade atual de emigrados: 1,2 mil aproximadamente, um recorde. Só na Espanha jogam 173 argentinos e, na Itália, 167.

Aquela cifra equivale a umas 110 equipes completas. Com eles se poderiam formr sete ligas de 16 clubes. Em que pese semelhante sangria, o futebol argentino continua funcionando. E suas instituições buscam, pelos meios mais criativos, substituir os que se vão e se manter competitivas. Sobretudo, quando se trata da desejada Copa Libertadores. Todos fizeram uma preparação muito forte.

Boca Juniors, o clube mais rico do país, sempre tem com que reforçar seu time. E gastou 15 milhões de dólares para recomprar seu ídolo Juan Román Riquelme. Ademais, contratou o zagueiro e capitão da seleção paraguaia, Julio César Cáceres, sendo que já possuía um plantel importante. Porém, estréia um novo técnico – Carlos Ischia – um homem que ainda não obteve êxitos nesta função. E já não está com Mauricio Macri como presidente, o homem que levou o Boca à máxima glória institucional. O público boquense quer ganhar tudo, mas prioriza a Copa.

River Plate, sempre em dívida no campo internacional, aspira a Libertadores para apagar os três anos nefastos. E também estréia treinador: Diego Simeone, o nome da moda na Argentina (foi campeão com o Estudiantes). Tem um plantel rico e numeroso, mas a menor derrota já o põe em crise e sua torcida está muito impaciente, à beira da intolerância.
 
San Lorenzo tem uma idéia fixa: ganhar a Libertadores no ano do seu centenário. É o único clube grande do país que nunca pôde conquistar este troféu. É comandado por um homem que é sinônimo de vitória, como jogador e treinador: Ramón Díaz. Conta com um plantel grande e caro, trouxe reforços e será animador.

Estudiantes de la La Plata, tricampeão da América, será outro temível adversário, pois seu público adora a Copa. Estréia o treinador Roberto Sensini, que voltou ao país depois de 15 temporadas no Calcio. É uma incógnita, pois debuta como treinador nesta ocasião. O plantel foi reforçado para o torneio.

Lanús pode ser atração, por seu futebol elegante, cheio de jovens. É o último campeão. Não quis se desfazer de nenhum jogador, e os jogadores dizem que se dedicarão ao máximo para “ganhar a Libertadores”. Tem alguns valores excelentes, como Lautaro Acosta e Diego Valeri, além de um técnico inteligente, que gosta do bom futebol: Ramón Cabrero.

Por último, Arsenal é o atual campeão da Copa Sul-Americana. Um clube pequeníssimo, ainda que muito organizado, que funciona bem. Tem um técnico estudioso (Gustavo Alfaro) e um time sem estrelas, mas com grande sentido coletivo, muito guerreiro. É um pesadelo para qualquer um.

Os seis darão combate. O jogador argentino, bem ou mal, sempre busca a vitória e isso o faz um adversário respeitável.
 

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BOLÍVIA
Por Igor Ojeda, jornalista brasileiro, correspondente do jornal Brasil de Fato em La Paz.

Potosí: 4 mil metros acima do nível do mar. Oruro: 3.700 metros. La Paz: 3600 metros. Estas serão as principais armas dos fracos times bolivianos para a Libertadores 2008. Campeão do Torneio Apertura pela primeira vez, o Real Potosí, em sua terceira Libertadores, está no grupo 1, com San Lorenzo (ARG), Caracas FC (VEN) e o vencedor do duelo entre Cruzeiro (BRA) e Cerro Porteño (PAR). Suas chances de passar às oitavas-de-final são mínimas, embora conte com o lateral-esquerdo titular da seleção boliviana, Luis Gaty Ribeiro. San José de Oruro, atual campeão do Torneio Clausura, é, na teoria, o pior time do grupo 6, que terá ainda Santos (BRA), Cúcuta COL) e Chivas Guadalajara (MEX). No plantel, o goleiro Daniel Vaca, reserva da seleção e o brasileiro Alex da Rosa, autor do gol do título boliviano. A seu favor, além da altitude, está a fama de sua torcida, considerada a mais animada da Bolívia. Já o La Paz F.C., vice-campeão do Clausura, terá a difícil missão de passar pelo Atlas, do México, por uma vaga na fase de grupos da primeira Libertadores que disputa em sua história. Caso avance, cairá no grupo 3, do poderoso Boca Juniors (ARG), Colo-Colo (CHI) e Unión Maracaibo (VEN). A equipe chega à disputa animada pelas duas vitórias contra o San José num torneio de pré-temporada (uma delas por 5 a 1), mas sofreu uma baixa considerável, com a ida de um dos seus principais jogadores, o meio-campista Ronald Gutiérrez, da seleção, para o Bursaspor, da Turquia.

Por Hugo A. Miranda, do blog futboldebolivia.blogspot.com

Dos times bolivianos, o que tem mais perspectivas é o Real Potosí, que em 2007 jogou a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana, e neste 2008 caiu num grupo relativamente acessível, se reforçou com jogadores de grande experiência como Gonzalo Galindo e Hugo Suarez, da seleção boliviana, vem trabalhando desde dezembro do ano passado e é o mais consolidado dos times bolivianos. San José não apostou muitas fichas e, ao que parece, só pretende cumprir tabela na Libertadores. Seus rivais são muito difíceis, como o Santos e o Chivas, assim que quase não tem boas perspectivas. La Paz FC é um time sólido, mas não se sustenta em seu presidente Mauricio Gonzáles, e tampouco tem perspectivas de passar do duelo contra os mexicanos. Em resumo, só o Real Potosí poderá passar para a terceira fase da Libertadores.

Não percam, nos próximos dias, as análises sobre as perspectivas na Libertadores 2008 dos times de (quase) todos os países da América Latina.

Boa semana a todos.

Daniel Cassol

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19 Comentários Add your own

  • 1. Luís Felipe  |  28/01/2008 às 08:42

    melhor blog que fala do melhor futebol do mundo.

  • 2. Gralha  |  28/01/2008 às 10:07

    Nota 10

  • 3. Guillermo  |  28/01/2008 às 11:54

    Esse ano o festival pagão vai ser que nem o Carnaval: só pela televisão.

    Sensacional (como sempre) a cobertura do “Impeachment”.

    DÁ-LHE GRÊMIO!!!

  • 4. Lila  |  28/01/2008 às 12:20

    “Real Potosí, em sua terceira Libertadores, está no grupo 4, com Flamengo (BRA), Coronel Bolognesi (PER) e o vencedor do duelo entre Cruzeiro (BRA) e Cerro Porteño (PAR).”

    Não é com o vencedor de Monteviedo Wanderers x Cienciano?

  • 5. Daniel Cassol  |  28/01/2008 às 12:48

    Lila, na verdade o Real Potosí nem é deste grupo do Flamengo. O time boliviano está no grupo 1, com San Lorenzo e Caracas. Valeu.

  • 6. Lila  |  28/01/2008 às 12:56

    Pois é. Nisso que dá beber e escrever, a pessoa confunde tudo…

  • 7. Daniel Cassol  |  28/01/2008 às 13:00

    o erro foi do igor. eu estava avariado demais com a ressaca para perceber.

  • 8. Marcos SL  |  28/01/2008 às 13:13

    Libertadores > Carnaval

    E novo pomposo nome, hein? “Copa Santander Libertadores”…

  • 9. Lila  |  28/01/2008 às 13:19

    E quem garante que ele não estava bem feliz com alguma situação, Cassol?

  • 10. Igor  |  28/01/2008 às 14:21

    Cacildis, Cassol, foi mal. Deve ter sido a altitude.

  • 11. Francisco Luz  |  28/01/2008 às 14:33

    “Estes conhecem, porque vivem lá” – bordão do Luciano do Valle quando fala de OSCAR ROBERTO “CARIMBA” DE GODOY.

    Logo, Impedimento apóia Godoy. dsjkfg

  • 12. Cassol  |  28/01/2008 às 16:40

    Francisco, tenho pra mim que o bordão é do Silvio Luiz, para o Mário Sérgio:

    – Tá bom esse pastel aqui do serviço de bordo do Pacaembu. E agora vamos ouvir Mário Sérgio Pontes de Paiva, aquele que conhece porque jááááá esteeeeve láááá….

  • 13. Francisco Luz  |  28/01/2008 às 17:07

    Está certo; na verdade, só tentei DESMORALIZAR vocês. Mas fui descoberto.

  • 14. Larápio do Sanchotene  |  28/01/2008 às 17:41

    Graaaaaaande Sílvio Luís. Que saudades do Show dos Esportes aos domingos, hein? Nada como passar a domigueira vendo Campeonato Italiano, Campeonato Paulista de Aspirantes, Campeonato Carioca (com Adisson Coutinho, Gérson e Januário de Oliveira), sinuca, boxe, NBA, etc…

  • 15. Francisco Luz  |  28/01/2008 às 17:55

    Bons tempos em que VALDIR BIGODE fazia o Vaxxco ser tetracampeão carioca, enquanto SUPER ÉZIO e a terrível camiseta do Fluminense (que parecia um conjunto de casinhas em Santo Antônio da Patrulha) sempre anotavam os seus.

  • 16. Luís Felipe  |  28/01/2008 às 23:49

    Januário era o melhor narrador. Principalmente pq parou antes de ficar esclerosado – diferente do Silvio Luiz.

  • 17. Renato K.  |  29/01/2008 às 07:36

    Cruel, muuuuito cruel !!!
    Siniiiiiistro …
    GRANDE Januário. E ainda era o pai do Luiz Gonzaga, óia só. dfgdfgdfg

  • 18. Gustavo  |  29/01/2008 às 08:26

    Você queria bola rolando?
    Então TAÍ o que você queria!

    Tá lá um corpo estendido no chão!

  • 19. Larápio do Sanchotene  |  29/01/2008 às 09:39

    Januário fazia o Campeonato Carioca ser interessante! Chorei com as descrições de seus bordões…

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