“Enquanto depender de migalhas, o futebol uruguaio não tem futuro”

08/11/2007 at 00:30 17 comentários

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Ricardo Gabito Acevedo, jornalista do diário La Republica, explica as causas da crise no Peñarol e no futebol do país.

por Luís Felipe dos Santos

O Peñarol, cinco vezes campeão da América e tricampeão mundial, ocupa a sexta posição no campeonato uruguaio, oito pontos e dois jogos atrás do líder Rampla Juniors. Nos últimos quatro anos, o Peñarol não foi campeão e só conseguiu ir à Copa Libertadores em um deles – caiu na fase preliminar. É uma crise que persiste há anos e fez o clube perder espaço, inclusive em nível internacional, para clubes de prestígio menor como Defensor e Danubio.

Essa crise institucional se arrasta há alguns anos e teve um capítulo muito importante em 2005, quando o veterano presidente do Peñarol, José Pedro Damiani, rompeu com o dono do futebol uruguaio Paco Casal. Casal havia roubado três atletas do Peñarol (Joe Bizera, Cristian Rodriguez e Carlos Bueno) que valiam, juntos, cerca de 10 milhões de dólares. Com a promessa de salários vultuosos na França e portas escancaradas no futebol europeu, os três se foram – Bizera ao Cagliari, Rodríguez e Bueno para o PSG.

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Dario Silva (e) ao lado de Paco Casal, mandatário do futebol uruguaio. Foto: pacocasal.blogspot.com

A choradeira foi grande do lado carbonero. “El Contador” Damiani decidiu que não mais negociava com Casal. Curiosamente, o time montado sem os jogadores propostos por Paco teve a melhor posição desde a conquista do título em 2003. Paco Casal, além de representante de quase todos os grandes jogadores uruguaios, é chefe da Tenfield, empresa dona dos direitos de televisão do futebol charrua. Em 2006, a Tenfield pagava 70 mil dólares mensais para os dois grandes clubes uruguaios, Nacional e Peñarol. O América de Natal, um dos dois clubes que menos ganharam dinheiro da Globo no Brasil neste ano, ganha 157 mil dólares mensais.

O rompimento de El Contador e do seu filho, Juan Pedro Damiani, aconteceu por um ano. Só que neste ano, Juan Pedro resolveu recuar e voltou a negociar com Paco Casal. El Contador considerou uma traição o que aconteceu. Meses depois, em agosto deste ano, Damiani pai morreu, aos 88 anos de idade. O Peñarol é comandado hoje por um conselho deliberativo, deixando a vaga de presidente aberta.

O jornalista Ricardo Gabito Acevedo, do diário La Republica, tenta esclarecer aos leitores do Repórter Esportivo os motivos que levaram o Peñarol à esta crise institucional, e as eventuais saídas que podem existir. Em 2003, tentaram assassinar Acevedo graças às suas denúncias de corrupção no futebol uruguaio, publicadas no diário.

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Torcida comparece ao enterro do ex-presidente Damiani. Foto: hinchadamanya.com

REPÓRTER ESPORTIVO: Morreu El Contador Damiani, o clube é comandado por um conselho diretivo, as eleições só acontecem em 2008. De fato, hoje, quem manda no Peñarol?

Gabito: Atualmente o Peñarol é comandado por um conselho diretivo que não tem presidente, porque os integrantes do mesmo votaram, a despeito do estatuto, que não seria preenchida a vaga deixada por El Contador. Ao mesmo tempo, o conselho aprovou a designação de Juan Pedro Damiani (Damiani Filho) como coordenador institucional. Este se transformou no presidente de fato, Os sócios não o elegeram para o cargo máximo da instituição, com o agravante que o cargo de Coordenador Institucional não faz parte do estatuto. É preciso lembrar que Damiani filho foi eleito como vice-presidente, mas renunciou ao cargo quando o empresário Francisco Casal anunciou que se os Damiani saíssem, ele estaria disposto a colocar 8 milhões de dólares para salvar o clube. Damiani filho deixou o cargo, mas Casal nunca colocou um dólar sequer. Resumindo: Damiani filho manda no clube, o que constitui uma grosseira violação do estatuto. Por isso digo que o Peñarol tem um presidente de fato, um ditador que deu um golpe de estado com a cumplicidade dos demais conselheiros que o respaldam.

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Juan Pedro Damiani, presidente de fato do Peñarol. Foto: La Republica.

RE: Qual a influência que tinha El Contador Damiani antes de morrer?

Tinha uma influência impressionante. Ele fazia e acontecia, mas sempre dentro das normas regulamentares da instituição. Exercia o poder de forma direta, personalista, mas é justo dizer que fazia anos que o Peñarol funcionava por que Damiani colocava dinheiro do próprio bolso, por que os demais dirigentes não apresentavam alternativas de financiamento. Quando Damiani morreu, o Peñarol lhe devia 4,5 milhões de dólares.

RE: E qual a influência que Damiani filho tem agora?

Tem muita influência, mas não aponta soluções como fazia seu pai. Se auto-define como um dirigente moderno, que quer implantar um modelo empresarial no Peñarol, mas o seu discurso não condiz com a realidade atual da instituição.

RE: E a empresa Ficus Capital, tem qual influência? (Em 2006, o Peñarol anunciou parceria com a empresa Ficus Capital para sanar suas dívidas, no mesmo estilo das antigas parcerias brasileiras dom Hicks Muse e ISL.)

A presença de Ficus Capital foi influência de Damiani filho, meses antes da morte de El Contador. Sua função é meramente administrativa. A empresa se comprometeu a gerir recursos, trazer investidores para usar o potencial carbonero. Porém, até o dia de hoje, oito meses depois de estar atuando no clube a Ficus Capital não apresentou nenhuma solução. . Um grande número de sócios do Peñarol é favorável ao rompimento do contrato, pois ele não cumpriu as expectativas até agora.

RE: Quais são as perspectivas de investimentos da Ficus Capital no clube?

Falando a verdade e pensando no que eles fizeram até agora, as possibilidades são quase nulas.

RE: Sem a fiscalização do conselho, é bem possível que a parceria com uma empresa financeira torne-se uma justificativa para lavagem de dinheiro. O conselho deliberativo do Peñarol está preparado para debater com os sócios esta questão ou é maior a tentação do dinheiro fácil?

Esta foi uma das críticas que o conselheiro Ricardo Scaglia fez, quando votou contra o contrato com Ficus Capital. Não dá para descartar o risco do Peñarol ser uma fonte de levagem de dinheiro, mas neste momento, é muito difícil que isso ocorra. O governo, através do Banco Central do Uruguai, está muito vigilante para que não se concretizem operações de lavagem de ativos no mercado financeiro do país.

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Paolo Montero se aposentou brigando com dirigentes: “Eles têm que sair”, afirmou na despedida, sobre os comandantes da AUF. Foto: La Republica.

RE: Qual foi a consequência do ato rebelde contra Paco Casal e do recuo de Juan Pedro Damiani?

De acordo com o que aconteceu depois, dá para dizer que o rompimento de Damiani filho foi proselitista, uma manobra para ganhar as eleições. Depois delas, sua atitude mudou e ele passou a ser flexível com Casal. Isso é muito questionado pela torcida e pelos associados do Peñarol, assim como por uma parte da imprensa que se sente traída pela mudança no discurso.

RE: Peñarol é um dos maiores clubes da América Latina, mas tem apenas 5 mil sócios ativos. Em comparação, Internacional tem 54 mil sócios, o Grêmio tem 45, e são clubes que não tem a mesma quantidade de títulos. É possível dizer que os torcedores não querem dar dinheiro a um clube mal administrado, ou os resultados de campo são a melhor explicação?

Neste momento, os dirigentes de Nacional e Peñarol lançaram uma campanha para captar sócios em todo o país. Os torcedores de ambos os clubes têm sido indiferentes e não tem se afiliado. Nacional tem mais sócios que o Peñarol neste momento, e nos últimos meses conseguiu somar 3 mil adesões (NR: Nacional agora usa o Parque Central como estádio próprio, o que deve garantir mais vantagens) Se podemos dizer que o Uruguai se divide em partes iguais entre torcedores de Peñarol e Nacional, a realidade histórica assinala que na sua época de maior esplendor desportivo – títulos da América e do Mundo – os dois clubes nunca alcançaram grande número de associados. Em 1980, quando Nacional ganhou a Libertadores diante do Inter, no mandato de Dante Iocco, o clube alcançou 18 mil associados pagantes. Depois deste momento, nunca mais alcançou esse número. No Peñarol, o panorama é pior, por que os torcedores não se sentem confiantes na atuação dos dirigentes e como o clube não logra resultados desportivos, a indiferença é superlativa.

RE: Qual deve ser o papel da torcida na recuperação do Peñarol?

Os torcedores atuam impulsionados pela paixão e não pela razão, por isso os que têm de apontar soluções são os dirigentes. Por isso os sócios votam. A questão é que os sócios adotaram uma proposta política e depois das eleições a direção eleita fez o inverso. Por isso os torcedores são muito críticos, e diante de qualquer fracasso em campo, eles reagem muitas vezes com violência.

RE: É possível construir um estádio para os Manyas?

No atual cenário político, institucional, econômico que vive o Peñarol, isso é uma utopia. Casualmente, esta era uma das promessas de Ficus Capital; reunir investidores para construir um novo estádio. Até agora, nada mais que promessas.

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Torcida do Peñarol, mesmo insatisfeita, vai ao estádio. Foto: hinchadamanya.com

RE: Sobre o futebol uruguaio em geral. É possível dizer que os contratos de TV assinados pela Tenfield são prejudiciais aos clubes?

O contrato com a empresa Tenfield SA, propriedade de Paco Casal, Néstor Gutiérrez e Enzo Francescoli, têm sido prejudicial ao futebol uruguaio. Os jogadores cada vez ganham salários menores, os clubes estão falidos mas os empresários são cada vez mais ricos. Os únicos jornalistas que apóiam a relação contratual entre a AUF e a Tenfield são os que trabalham para a empresa que tem o monopólio no país.

RE: Há alguma perspectiva de fazer futebol no Uruguai sem Paco Casal?

Eu acredito! Aliás, é a única solução a longo prazo para o futebol uruguaio. Enquanto se depende das migalhas que Paco Casal dá aos clubes, o futebol uruguaio – e por consequência a seleção nacional – não tem futuro.

RE: Você sofreu um atentado em 2003, quando denunciava a corrupção do futebol charrua. Os jornalistas esportivos que investigam os atos obscuros do esporte são cada vez mais raros no Brasil. Existe espaço para “detetives” no jornalismo esportivo?

Meu trabalho se baseia em jornalismo investigativo. Não exerço tarefa de policial, de fiscal ou de juiz. Ocupo o lugar que a sociedade dá aos comunicadores sociais e trato de cumpri-lo neste espaço fundamental que é o futebol. Estou convencido que se todos nós jornalistas investigarmos mais, trabalharmos com maior rigor profissional, em todas as áreas e disciplinas do jornalismo, teríamos uma sociedade mais protegida diante do abuso desmedido que os poderes exercem sobre ela. Vamos lembrar que nem sempre os que governam são os que mandam. O poder é uma ferramenta muito perigosa quando está nas mãos de inescrupulosos, empresários que só pensam no lucro pessoal. No âmbito do futebol, se trata de investigá-los e denunciá-los publicamente…se todos os jornalistas na sua área de trabalho fizerem o mesmo, teríamos uma democracia de maior qualidade institucional.

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A foto de Gabito no início desse texto é do seu arquivo pessoal.

***

Material enviado por Luís Felipe, originalmente publicado na revista eletrônica Repórter Esportivo, veículo que muito recomendo. Texto e entrevista de encherem os olhos.

Aliás, nosso e-mail continua o mesmo: impedimento@gmail.com.

Saudações e obrigado pela colaboração,

Douglas Ceconello.

Entry filed under: Colunas.

Palermo, 34 anos estufando o barbante Senhores de idade agridem jornalistas

17 Comentários Add your own

  • 1. Marcelo  |  08/11/2007 às 00:56

    E a gente acha nossa situação político-futebolística ruim… Perto disso Ricardo Teixeira é um anjinho!

  • 2. Robson  |  08/11/2007 às 01:38

    Muito legal a matéria.

    nada a ver…
    Tentei achar uma camisa do Peñarol ou do Nacional no Chuy, mas aquela maldita cidade fronteira só tem perfume e bebida… Acabei trazendo o dinheiro de bebida mesmo.

  • 3. Peterson Colares  |  08/11/2007 às 03:00

    Infelizmente a tendência do futebol, que já se transformou em produto, é ser vítima do jogo dos especuladores, o futebol não escapa à subjetividade do capital. Excelente blog, meu velho! Bem vindo ao WordPress!

    Abraços!

  • 4. Peterson Colares  |  08/11/2007 às 03:03

    E ainda por cima o Francescoli sacaneando o futebol charrua!

  • 5. Larápio do Sanchotene  |  08/11/2007 às 07:34

    Deixaram criar, agora “sífu”. A solução passa por um milagre. Deve aparecer alguém apaixonado por futebol que tenha grana para jogar fora disposto a tirar essa turma. Como é o Uruguai, acho difícil.

  • 6. Francisco Luz  |  08/11/2007 às 13:50

    Bah, que entrevista do Luis. Meus parabéns para o cara.

    É triste esta situação do Peñarol, principalmente. Não consigo entender como deixaram o Casal se criar sozinho, e como o Francescoli poderia se associar a isto de maneira tão impune. Vai entender…

  • 7. douglasceconello  |  08/11/2007 às 14:26

    Cara, que entrevista. O tipo de material que sinto falta em jornais e revistas, que só falam da porra do inferno da sunga rosa do Robinho.

  • 8. Luís Felipe  |  08/11/2007 às 14:30

    obrigado pelos elogios, eu também gostei bastante do que me disse o Gabito. Aliás, o blog dele – http://blogs.montevideo.com.uy/gabito – é muito interessante para monitorar o que acontece nos bastidores do futebol do país.

    o que mais me chamou atenção foi quando descobri que o América de Natal ganha mais grana da TV do que o Nacional e o Peñarol juntos. Comentei com o Douglas, eu duvido que uma BandSports da vida, ou uma Sportv, não ganhariam audiência transmitindo os principais jogos do campeonato uruguaio. Nem que fosse uma vez a cada duas semanas. Tá certo que o futebol uruguaio não tem mais tanto mercado, mas eu duvido que não tenha NENHUM mercado.

    Aliás, o entrevistado agradece o espaço! E afirma que não é torcedor do Peñarol. “En 26 años de profesión sólo se puede expresar sentimientos, afecto, por el periodismo. Cuando los periodistas comprometen afectos en su labor, pierden objetividad y equilibrio.”

    Tá bem, virei fã do cara, hehe

  • 9. Fabiano  |  08/11/2007 às 18:04

    Cristian Rodriguez esse joga muito bem.

    Pelo visto foi praticamente uma situação semelhante à de Ronaldinho Gaucho com o Gremio.

  • 10. Felipe catarina  |  08/11/2007 às 18:23

    “eu duvido que uma BandSports da vida, ou uma Sportv, não ganhariam audiência transmitindo os principais jogos do campeonato uruguaio. Nem que fosse uma vez a cada duas semanas. Tá certo que o futebol uruguaio não tem mais tanto mercado, mas eu duvido que não tenha NENHUM mercado.”

    Luís Felipe, adoraria, mas acho que isso é impossível. Quando falo que gosto do campeonato argentino (convenhamos, mais atrativo que o uruguaio), todo mundo me olha como se eu fosse um E.T (rsrsrsrs). Talvez pudessem transmitir um Nacional x Peñarol ou alguns jogos que envolvam os grandes mais Danúbio e Defensor, mas acho difícil. Se bem que depois que a Sportv passou Carabobo x El Nacional eu não duvido de mais nada.

    Não adianta, tudo que é futebol que não tem rótulo “europeu” a gurizada da geração Winning Eleven não gosta. Já vi até dizerem que a Libertadores é uma m*** se comparada à liga dos campeões dos eurolatinoafricanos e, na real, a maioria só assiste Libertadores quando é jogo de seu time. E pior foi um débil mental que outro dia (faz um ano, eu acho) quis me convencer que o campeonato holandês era legal porque tinha times como o Ajax, o PSV, o Feyenoord e o AZ (o AZ!) e outro que eu pedi para citar os dez maiores clubes do mundo na opinião dele e ele incluiu Arsenal, Olympique de Marselha e nenhum sul-americano. E esse tipo de gente ainda se diz fanática por futebol. Pelamordedeus…

    Aliás, a querida Placar, em vez de gastar páginas falando do “bad boy” bósnio-sueco Ibrahimovic, bem que poderia fazer uma bela matéria sobre a decadência do fútbol uruguayo. É aqui do lado, nem ia gastar muito tempo e dinheiro.

    Abraços.

  • 11. Gralha  |  09/11/2007 às 02:08

    Futebol = BUSINESS

    Nao adianta, nosso futebolzinho mixuruca daqui nao vende…

  • 12. FERN  |  09/11/2007 às 12:20

    LA SOLUCIÓN ES LIGA PAMPA!

  • 13. FERN  |  09/11/2007 às 12:22

    lamentei muito ao saber que Enzo participa disto.

    pelo fato de ter sido investigativo, será difícil superar este post:
    O MELHOR DA HISTÓRIA!

  • 14. Marcos  |  16/11/2007 às 18:15

    Pois é, Felipe Catarina…Mas o que esperar de uma revista que trata os clubes de fora do eixo Rio-Sampa como selvagens? Definitivamente falar do futebol uruguaio está fora da pauta deles. Acho que preferem falar do futebol de lugares como Islândia, Ucrânia e outros fim-de-mundo do que do nosso continente.

    Abraços!!

  • 15. Marcos  |  16/11/2007 às 18:18

    Pode ser um começo para El Carbonero…

  • 16. sergio-trico4ever-  |  16/09/2009 às 17:19

    Y bueno…. si sos Manya…. jodete!!!! Años viviendo de la mentira y del engaño.
    “Cancha no tenés…
    copas no jugás…
    no sabés ni cuando naciste…
    te queres mataaarr….”

  • 17. rafael botafoguense  |  17/09/2009 às 19:37

    podiam levar a droga do castillo de volta, toma no cu daquele anao desgraçado.

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